Soja: Demanda intensa e baixas fortes na CBOT puxam altas de mais de 10% nos prêmios do BR

Publicado em 04/08/2020 17:31 1291 exibições

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Os preços da soja intensificaram suas baixas na Bolsa de Chicago durante o pregão e fecharam a sessão perdendo mais de 1% entre as posições mais negociadas. O mercado foi pressionado pelas perspectibas de uma oferta maior do que o esperado vinda da nova safra dos EUA e as baixas foram de 13,25 a 14,50 pontos. Dessa forma, o agosto foi a US$ 8,83 e o novembro, US$ 8,81 por bushel. 

"Em resumo, boas safras estão sendo projetadas em vários países, enquanto o avanço da pandemia coloca um ponto
de interrogação no consumo global", informa o reporte Chicago Diário, da ARC Mercosul. Isso aliado a um dia sem novas notícias fortes de demanda resultou na sessão negatinva na CBOT. 

Nesta segunda, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) aumentou o índice de lavouras de soja em boas ou excelentes condições pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) no final da tarde de ontem, depois do fechamento dos negócios. 

O índice de campos da oleaginosa em condições boas ou excelentes passou de 72% para 3% até o último domingo (2). São ainda 21% das lavouras em condições regulares, contra 22% da semana anterior, e manutenção dos 6% em condições ruins ou muito ruins. 

Ainda segundo os analistas de mercado da ARC, no médio prazo as baixas entre os futuros da soja no mercado norte-americano podem continuar com a falta de demanda ou com as compras, em particular da China, acontecendo de forma muito contida. 

Ao Notícias Agrícolas, o analista de mercado Eduardo Vanin, da Agrinvest Commodities, relatou que, em 10 dias, a China comprou 37 navios de soja e do total apenas 12 foram de produto norte-americano, uma vez que segue o Brasil como origem principal da oleaginosa para a nação asiática. 

Veja mais:

>> Em 10 dias China compra 37 navios de soja, mas apenas 12 são de produto americano. Brasil segue com a preferência dos chineses

MERCADO BRASILEIRO

E essa demanda, mas que segue muito intensa no Brasil, é que mantém as cotações sustentada no mercado nacional. A procura pela soja brasileira é muito forte, a demanda é limitada e o quadro puxou, ao lado das baixas de Chicago, novas altas nos prêmios nesta terça-feira que superaram 10% no terminal de Paranaguá. 

Os ganhos variaram de 6,90% a 10,71% entre as principais posições de entrega no terminal paranaense, as quais terminaram o dia - da perspectiva do comprador - oscilando entre 155 e 160 cents de dólar por bushel sobre os valores praticados na Bolsa de Chicago. Os vendedores, porém, já pedem prêmios acima dos US$ 2,00 ou 200 cents/bushel. 

"No Brasil, o mercado de soja e milho não sofreu com influências de Chicago, uma vez que a demanda por ambos os grãos continua aquecidas no atual momento, assim como um Dólar que se valorizousignificantemente neste início de semana", explica a ARC.

Dessa forma, os preços historicamente altos continuam sustentados e o novo normal entre os indicativos são valores acima dos R$ 100,00 por saca no mercado disponível no interior do país. Para a safra nova as referências também continuam subindo, principalmente frente à demanda grande e antecipada da China no mercado do Brasil da soja da safra 2020/21. 

O Ministro-Conselheiro da Embaixada da China no Brasil, Qu Yuhui, falou com exclusividade ao Notícias Agrícolas nesta terça-feira (4) detalhando as projeções de aumento de consumo por produtos agropecuários pela China, o qual deverá dobrar ate 2050, com o Brasil tendo papel determinante como fornecedor da nação asiática. Entre os destaques estão ainda a soja, a carne suína e, principalmente, a carne bovina. 

Veja a entrevista na íntegra:

>> Carne bovina, suína e soja são destaque na demanda por produtos agrícolas da China no Brasil, que pode dobrar até 2050

Em seu boletim semanal, o IMEA (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) trouxe uma nova estimativa de alta para a área que deverá ser cultivada com soja no estado na safra 2020/21.  A projeção é de que a sojicultura alcançará 10,21 milhões de hectares, aumento de 2,23% em relação à temporada 2019/20. 

"Esse aumento tem como principais justificativas a produtividade e os preços da soja, que atingiram patamares recordes na safra 2019/20 - o avançado número da comercialização para o próximo ciclo e a existência de vastas áreas de pastagem com possibilidade de conversão para a agricultura no estado", explicam os diretores do Imea. "Assim, as oportunidades e os bons negócios neste ano estão dando suporte ao agricultor para ampliação da área, a qual possivelmente atinja uma marca recorde neste ciclo", completam. 

Leia mais:

>> Imea revisa para cima aumento na área de soja puxada pela boa rentabilidade e demanda maior 

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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