Soja: Semana começa com negócios tímidos no Brasil e produtores focados em avançar com o plantio
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A segunda-feira (17) foi marcada por oscilações muito tímidas entre os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago e um novo dia de baixas do dólar frente ao real. Na CBOT, a sessão terminou em campo misto, com o novembro subindo 0,25 ponto, sendo cotado a US$ 13,84, enquanto o maio foi a US$ 14,06 por bushel, com baixa de 2,50 pontos.
Enquanto isso, os trabalhos de campo continuam acontecendo no Brasil. De acordo com os dados da Pátria Agronegócios, até a última sexta-feira (14), o plantio da safra 2022/23 chegou a 23,27% da área e, por mais semana, supera a média dos últimos cinco anos de 16,06%. Todavia, o índice está "virtualmente abaixo de 2021 de 23,93", explica a consultoria.
Quem lidera os trabalhos de campo, naturalmente, é o Mato Grosso, que já tem 41,35%, seguido do Paraná, que é o primeiro estado que começa a plantar soja no país devido ao calendário do vazio sanitário e chega a 34,20% da área destinada à oleaginosa.
"A porção oeste e sul do Mato Grosso segue com trabalhos acelerados, enquanto o leste do estado aguarda a chegada de mais chuvas. No Paraná o ritmo de plantio vem perdendo força devido aos excessos hídricos nas principais regiões produtoras ao longo da semana", afirma o reporte da Pátria.
Outro destaque da empresa é o estado goiano, com 23,40%. "Em Goiás, o ritmo permanece recorde, com destaque para a região sudoeste do estado onde a semeadura já supera a metade da área total".
Assim, o que se observa é que mais uma semana começa com os produtores brasileiros mais focados em seguir avançando com o plantio e nem tanto com sua comercialização da nova temporada. O país tem um percentual aquém da média de volume de soja já comprometido com vendas antecipadas, porém, sojicultores muito atentos ao mercado e ao caminhar dos preços formados no país, bem como às suas margens de rentabilidade.
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"As últimas duas temporadas no Brasil, tanto para soja, quanto para milho, foram de rentabilidade recorde. A soja, no Cerrado de Mato Grosso, veio de um margem bruta de 62% em 20/21, de 55% em 21/22, e na nossa última estimativa (para 2022/23) para 26%. O que não é baixo, mas bem mais baixo do que os dois últimos pontos que o produtor viu nas duas últimas safras", explica o sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo.
E embora o produtor brasileiro venha de, praticamente, 14 anos consecutivos de margens positivas, ainda segundo o consultor de mercado, o produtor fica mais atento à sua "memória recente" e de olho no quadro atual de queda destas margens.
"Estamos passando, talvez, pelo pior ano de formação de custos e de tomada de decisão - e é difícil tomar decisão em um ambiente tão instável - sem ter prejuízo. Desde que não haja problema climático, parece que vamos passar bem por esta temporada", complementa Cogo. "Talvez a única mais perigosa que a gente tenha nesta safra pela frente é o baixo nível de vendas antecipadas que o produtor brasileiro fez este ano, e talvez tenha feito isso até com certa razão porque está trabalhando em um ambiente de muita incerteza e preferiu aguardar uma situação de mercado para tomar um posição".
E esse ritmo mais lento segue se apresentando neste começo de semana, com poucos negócios tendo sido efetivados nesta segunda-feira. Apesar dos preços estáveis no balcão, como explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, nos portos os indicativos cederam - inclusive para a soja disponível - e afastaram os produtores da ponta vendedora do mercado.
"A semana mostra que o mercado de lotes começa com R$ 1,00 a R$ 2,00 a menos do que na última sexta-feira (14). A soja disponível nos portos está na faixa de R$ 189,00, enquanto era R$ 191,00 na sexta; novembro que era R$ 193,00 passou a R$ 191,00", e assim por diante, segundo relatou o consultor.
Assim, "esperamos alguns negócios fluindo, mas não no ritmo
que tivemos na última semana. Os produtores dão sinais que vão estar mais interessados em plantar", afirma Vlamir Brandalizze.
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