Soja trabalha em campo misto em Chicago nesta 4ª e busca caminho para definir direção
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O mercado da soja volta a operar com estabilidade na Bolsa de Chicago nesta tarde de quarta-feira (19). Depois de testar baixas de dois dígitos, os preços já foram para o lado positivo da tabela, voltaram a cair e agora operam com tímidas perdas entre os contratos mais negociados. Por volta de 13h30 (horário de Brasília), as cotações cediam entre 1 e 2,75 pontos, levando o novembro a US$ 13,69 e o maio a US$ 13,96 por bushel.
Os futuros do grão, entre outros fatores, ainda sentem a pressão vinda da logística muito comprometida nos Estados Unidos, principalmente por conta do baixo nível do rio Mississippi, que é o mais importante canal de escoamento da produção norte-americana.
As preocupações se intensificam com as dificuldades sendo registradas no mesmo momento em que a colheita avança em rápido ritmo no país - já tendo passado de 60% da área da soja até o último domingo (16) - e ao passo em que o plantio na América do Sul também segue avançando.
O que preocupa mais agora é a questão climática. As perspectivas de um novo La Niña, pelo terceiro ano consecutivo podendo prejudicar as lavouras sul-americanas, está no radar também, não só dos traders, mas também dos produtores brasileiros, que mantêm sua comercialização acontecendo em ritmo bastante lento.
"Tudo isso acaba travando a comercialização, mas todas as fichas estão colocadas no Brasil.O Brasil precisa produzir 152 milhões de toneladas - que é o que o USDA trouxe e a média das expectativas por aqui. O produtor brasileiro está posicionado para surfar uma onda altista daqui a pouco. Tem fundamentos para isso? Eu diria que tem. Talvez não agora, mas podemos ver fundamentos um pouco mais pra frente que podem trazer a soja em Chicago para cima, por exemplo", afirma o analista da Agrinvest Commodities, Eduardo Vanin.
A demanda também está em foco. A China já comprou seis barcos de soja brasileira na semana passada e novos negócios foram feitos nesta com a nação asiática precisando de mais matéria-prima para a produção de farelo.
A logística comprometida dos Estados Unidos, com o baixo nível do rio Mississippi, já impacta diretamente o abastecimento de soja na China, que enfrenta seu menor recebimento da oleaginosa desde 2018 - auge da guerra comercial com os EUA e da Peste Suína Africana - e vê o momento como um "apagão de farelo" no país. "Esse apagão vai aumentar porque a venda de farelo já foi feita contando com a soja americana que está atrasada. A China precisa arrumar soja de qualquer jeito", detalha o analista.
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O monitoramento sobre estes fatores continua acontecendo, bem como do mercado financeiro e do quadro geopolítico, ambos ainda incertos, nervosos e dando espaço para muita volatilidade. Nesta quarta, as commodities testam caminhos distintos, com baixas de mais de 1% no trigo, mais de 4% do algodão, enquanto o petróleo sobe quase 2%, tanto no brent, quanto no WTI.
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