Holanda rejeita cargas de farelo de soja da Argentina por material genético não aprovado; BR em alerta
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A Holanda rejeitou pelo menos dois cargos de farelo de soja da Argentina, segundo informa a agência internacional de notícias Bloomberg, somente neste mês em função da identificação de material genético não aprovado no país. As autoridades holandesas já vinham alertando os argentinos sobre a ocorrência nos últimos dias 14 e 17 e agora, veio a rejeição. Além de cargas argentinas, há problemas semelhantes sendo registrados sobre navios brasileiros de farelo de soja também.
A nação europeia é um dos principais importadores do derivado da União Europeia, a maior importadora global do produto. Com o movimento da Holanda, a demanda europeia, como explicam analistas e consultores de mercado poderia se intensificar ainda mais nos Estados Unidos.
"A questão agora é o que os outros países europeus vão fazer, por enquanto isso está restrito apenas a Holanda. Se os outros países também começarem a advertir, negar e rejeitar essas cargas, Brasil e Argentina terão que começar a testar e segregar farelo para este gene - HB4. Mas, é só a Holanda por enquanto", explica Eduardo Vanin, sênior agriculture strategist da Marex e analista de mercado da Agrinvest Commodities.
Por ser um volume pequeno de produto, o especialista acredita que logo o problema se dissipa e as relações de demandadores e ofertadores se alinham. Segundo autoridades argentinas, os dois países já estão reunidos buscando suprir das dificuldades, com a Argentina - maior exportadora mundial de farelo e óleo de soja - revisando estratégias de propriedades rurais a plantas processadoras e agentes logísticos.
O movimento já vinha, inclusive, sendo acompanhado pelo mercado e os futuros do derivado já vinham registrando ganhos consistentes na Bolsa de Chicago. Somente na sessão desta segunda-feira (28), os preços terminaram o dia com quase 3% de alta, e nesta terça caminham de lado, realizando lucros. No entanto, Vanin explica que a firmeza do mercado do farelo de soja na Bolsa de Chicago se dá mais por outros motivos do que por um foco maior nesta advertência da Holanda.
"Temos demanda interna forte nos EUA, demanda para exportação forte, questões logísticas, questões do mercado americano, problemas ainda ocasionados por nevascas ocorridas no inverno. Então, o mercado americano está em um momento bem diferente, bem firme, e a Argentina bem descontada. Então, por enquanto, eu não diria que isso favorece o Brasil", complementa o analista.
Em um mês, o contrato julho do farelo de soja negociado na Bolsa de Chicago - de 27 de março a 28 de abril - acumula uma alta de 5,01%, e somente neste mês, de 3,8%, chegando a US$ 328,80 por tonelada curta. Já o agosto tem ganhos acumulados, respectivos, de 3,41% e 2,3%, testando os US$ 321,70. E assim, o farelo tem se mostrado como um dos mais fortes elos do complexo soja na CBOT neste momento, apoiado de forma importante os futuros do grão.
FARELO DE SOJA DO BRASIL
Embora o atual cenário não seja mais um fator de favorecimento para o farelo brasileiro, o atual momento da indústria processadora nacional é bastante favorávl, com boas margens e demanda forte tanto por farelo, quanto por óleo de soja. A Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) estima um esmagamento de soja recorde para este ano, superando 62 milhões de toneladas.
"As estimativas para 2026 foram revisadas positivamente em relação ao levantamento anterior, com o processamento de soja no país devendo alcançar 62,2 milhões de toneladas, um aumento de 1,1%. Esse avanço na atividade industrial reflete-se diretamente na oferta de produtos de maior valor agregado, com a produção de farelo de soja estimada em 47,9 milhões de toneladas e a de óleo de soja em 12,5 milhões de toneladas", informou a instituição em seu último levantamento.
A produção de farelo de soja é estimada para 2026 em 47,9 milhões de toneladas, contra 44,85 milhões do ano passado. Na demanda, o destaque são as exportações, que deverão crescer de 23,27 para 24,6 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno pode diminuir de 22,06 para 20,6 milhões de toneladas.
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