Argentina eleva dependência agrícola de soja

Publicado em 22/06/2010 08:57 306 exibições
A Argentina vive uma dependência perigosa de soja, ao contrário de Estados Unidos e Brasil, que, apesar de avanços na área da oleaginosa, não abandonam o milho.

Na safra passada, os argentinos semearam 19 milhões de hectares de soja, para apenas 2,6 milhões de área destinada ao milho.

Ou seja, para cada hectare de milho semeado, outros 7,3 foram destinados à soja. Essa relação é bem diferente nos EUA. Para cada hectare de terra destinado ao milho, os norte-americanos plantam 0,88 hectare de soja.

O Brasil, com a vantagem do plantio de milho safrinha, está no meio do caminho. Para cada hectare de milho, semeia 1,8 hectare de soja.

Essa forte dependência da soja dos argentinos, incentivada pela própria política de tributos do governo, reflete muito na renda do produtor quando ocorrem quedas de produção, como em 2009.

Além disso, um cenário de recuperação de estoques e de preços menos atrativos, como o que ocorre nesta safra com a soja, pode colocar em risco a liquidez e a capacidade de investimentos no setor.

O comportamento dos argentinos pode mudar um pouco na próxima safra, no entanto, e essa dependência diminuir, na avaliação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

O Usda prevê 18 milhões de hectares de soja para a safra 2010/11, ou 1 milhão a menos do que a deste ano.

Mesmo com essa redução estimada pelo Usda, a opção pela soja ainda é muito grande, uma vez que no início dos anos 2000 os argentinos semeavam apenas 10,7 milhões de hectares de soja.

Safra

Condições das lavouras pioram nos Estados Unidos

O excesso de chuva nas principais regiões de soja dos Estados Unidos prejudicou as condições das lavouras. Agora, 69% estão em condições boas e excelentes, contra 73% na indicação anterior. No caso do milho, o índice caiu para 75%, ante 77%, segundo relatório do Usda. Apesar dessa queda, ainda não dá para o produtor brasileiro comemorar.

Aço A siderurgia continua a todo o vapor. Em maio, foram produzidos 2,9 milhões de toneladas de aço bruto no país, 51% a mais do que em igual período do ano passado.

Demanda exige O consumo de produtos siderúrgicos também apresenta forte crescimento, somando 2,5 milhões de toneladas em maio -64% a mais do que em igual período de 2009, conforme dados do Instituto Aço Brasil.

Cana As usinas moeram 21% mais cana até o final de maio, segundo dados da Unica. A produção de açúcar, devido ao fato de a qualidade da matéria-prima ser mais favorável para a produção deste produto, subiu 31%. A de álcool cresceu 18%.

Sustentação A frota de carros flex aumentou neste ano e a demanda de álcool se mantém. Isso deu uma sustentação aos preços nas usinas, que estão 22% acima dos de igual período do ano passado.

Floresta As alterações do Código Florestal serão discutidas hoje, em São Paulo, no Congresso Madeira 2010.

Troca A relação de troca entre a arroba do boi gordo e o milho em grão atingiu, em junho, o melhor patamar dos últimos 13 meses, segundo a Scot Consultoria. Suspensão A União conseguiu liminar que suspendeu a liberação do recolhimento da alíquota de 2,1% ao Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural. Carnes As exportações médias diárias somam US$ 59 milhões neste ano, com alta de 17% sobre 2009.

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Fonte:
Folha de São Paulo

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