Deficiência de potássio pode causar redução na produtividade da lavoura de soja

Publicado em 10/12/2010 09:28 958 exibições
Sistema de produção brasileiro exige muitos nutrientes do solo. Análise minuciosa pode evitar o problema.
A falta de nutrientes no solo pode afetar de maneira grave a produtividade das lavouras. A soja, por exemplo, é exigente em uma série deles. Plantas semeadas em solo com deficiência de potássio ficam amarelas e podem morrer. O problema foi registrado pela Embrapa no interior de São Paulo e no norte do Paraná.
 
O produtor Geraldo Casaroto anda preocupado pela plantação de soja. Ele deve gastar pelo menos dez mil reais a mais no custo de produção.  É que, dos mil hectares que plantou, 10% apresentam plantas amareladas e com as bordas queimadas. O porte também está menor em relação ao restante da lavoura. Os sintomas são de deficiência de potássio. A última análise de solo da área foi feita  em 2009, e o nutriente aparecia bem equilibrado. A produtividade também não indicava problemas – foram colhidas 60 sacas por hectare, no último verão.
 
– Essa área aqui é bem produtiva, teve produção alta nos dois últimos anos, e agora apareceram essas manchas e é deficiência de potássio. Eu fiquei até meio assustado – afirma o produtor rural Geraldo Cassaroto.
 
O produtor adotou uma solução paliativa. Fez a aplicação “a lanço”, jogando potássio granulado sobre as plantas. A medida pode ajudar a reduzir a deficiência do nutriente, mas o potencial de produtividade está comprometido até o final do ciclo desta lavoura.

Casaroto ainda fez uma aplicaçao de potássio via foliar e programou a segunda para um pouco antes do enchimento de grãos. A ação pode evitar uma grande perda, mas não recupera cem por cento do potencial de produção. Um custo que poderia ser evitado, com uma análise de solo minuciosa. A análise custa de 20 a 30 reais, em média, por amostra. A frequência do procedimento depende de uma série de variáveis, mas uma análise considerada criteriosa depende basicamente do histórico da área, seu tamanho, topografia e também histórico do manejo. Um sistema de produção como o brasileiro, baseado em soja, milho e trigo exige muito do solo. A quantidade de potássio encontrada na área afetada do produtor impressiona.
 
– A análise que nós fizemos aqui, dessas manchas, indica que tem seis vezes menos potássio do que deveria ter, para um sistema de produção que tenha soja, milho e trigo. Isso tem ocorrido não só aqui, mas em outras lavouras. O teor adequado de potássio na folha gira em torno de 18 a 22 gramas. Aqui nessas áreas manchadas nós temos cerca de 3,9 gramas, um teor extremamente baixo. A planta necessita em torno de 20 quilos de potássio, de K2O, para produzir uma tonelada de soja, ou seja, em torno de 60 quilos para produzir três toneladas de soja, o que é uma quantidade grande, uma adubação foliar não supriria essa necessidade – afirma o pesquisador da Embrapa Soja César de Castro.

– O que nós percebemos é que talvez essa falta de monitoramento, de dar atenção para esses nutrientes, potássio, entre outros, pode levar a uma “fome oculta” e o agricultor colher um patamar de produtividade menor do que o potencial daquele genótipo que ele está comprando e nem sabe que está ocorrendo – finaliza.
 
Depois de receber o diagnóstico da Embrapa, o produtor Geraldo vai corrigir o problema já pensando nas lavouras de inverno.
 
– Eu vou fazer a análise de solo correta e trabalhar em cima da análise de solo. Ver o que a terra está precisando para poder suprir essa deficiência – afirma.

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Fonte:
Canal Rural

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