Etanol de segunda geração: nova possibilidade de combustível renovável

Publicado em 17/05/2012 08:02 5230 exibições
Nos dias atuais, os biocombustíveis têm, cada vez mais, sua importância reconhecida. São fontes renováveis de energia, provenientes de matéria orgânica, e liberam na atmosfera uma quantidade significativamente menor de poluentes em relação aos combustíveis fósseis, como os derivados do petróleo.

Enquanto os biocombustíveis provêm de matérias-primas que podem ser repostas em quantidade e velocidade proporcionais à sua utilização, sem se esgotar, os combustíveis fósseis não são renováveis e têm o preço atrelado à relação entre oferta e demanda. Ou seja, quanto mais escasseiam, mais elevado é o valor de venda, que também pode ser influenciado por conflitos em países produtores. Por isso, muitas vezes, ocorrem crises de alta do petróleo. Assim, os biocombustíveis tornam-se ainda mais competitivos.

Outro importante benefício dos biocombustíveis é que eles permitem uma ciclagem do gás carbônico (CO2), um dos causadores do aquecimento global. O gás, que é eliminado pelos veículos, também é reutilizado pelas plantas (matérias-primas dos biocombustíveis) para a produção de biomassa, através da fotossíntese.

O Brasil é reconhecido mundialmente por seu pioneirismo na introdução em sua matriz energética de um biocombustível produzido a partir da cana-de-açúcar: o etanol. Obtido, em nosso país, principalmente pela fermentação da sacarose do caldo de cana, o etanol passa a ter outras possibilidades de produção. Trata-se do chamado etanol de segunda geração. Para entender o que é esse novo combustível, o Grão em Grão entrevistou a pesquisadora em Biologia Molecular de Plantas da Embrapa Milho e Sorgo Cynthia Damasceno.

Grão em Grão - O que é biocombustível de segunda geração e quais são suas principais matérias-primas? 

Cynthia Damasceno - É considerado biocombustível de segunda geração o bioetanol produzido a partir de diversas fontes de biomassa vegetal, dando-se preferência para matérias-primas não destinadas à alimentação humana. As matérias-primas podem ser espécies vegetais de alta biomassa dedicadas à produção do etanol de segunda geração ou resíduos de culturas utilizadas na produção do etanol de primeira geração, como o bagaço da cana e a torta da mamona, utilizados respectivamente para produção de etanol a partir do caldo da cana e de biodiesel do óleo da mamona. No Brasil, dentre as espécies de alta biomassa que apresentam grande potencial está o sorgo.

Como pode ser produzido?

O etanol de segunda geração é produzido a partir da biomassa vegetal, que é composta principalmente pela celulose, um polímero formado por cadeias de glicose. A quebra da celulose em moléculas simples de glicose permite a fermentação desse açúcar simples por microorganismos e subsequentemente produção de etanol. 

Um dos principais problemas da produção do etanol de segunda geração é o chamado pré-tratamento, que tem a função de desestruturar a parede celular, deixando os compostos mais acessíveis aos tratamentos seguintes. O pré-tratamento irá variar conforme o tipo de biomassa utilizado, o que torna o processo bastante complexo. Hoje, o custo do pré-tratamento é um dos principais gargalos da produção de etanol de segunda geração.

Em que estágio estão as pesquisas na área?

Apesar de no Brasil já existirem plantas-piloto para produção de etanol de segunda geração, é nos Estados Unidos que a pesquisa está mais avançada, fruto dos bilhões de doláres investidos nos últimos anos. Mesmo assim, o processo ainda não é economicamente viável em larga escala, principalmente devido ao alto custo das enzimas utilizadas.

Qual a importância do combustível de segunda geração?

A utilização de biocombustíveis de segunda geração, principalmente a partir de resíduos de culturas alimentares ou mesmo culturas dedicadas à produção desse tipo de biocombustível, permitirá que se consiga extrair das espécies utilizadas maior quantidade de energia por hectare cultivado, o que econonomicamente é bastante interessante. Em termos ambientais, isso também quer dizer que menores áreas de plantio serão necessárias, além do sequestro de CO2 da atmosfera, uma das maiores vantagens de utilização de espécies vegetais para bionergia.
Fonte:
Embrapa Milho e Sorgo

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