Aumento do etanol na gasolina para 27,5% gerará demanda de um bilhão de litros

Publicado em 24/06/2014 14:18 578 exibições

Representantes do setor sucroenergético e do Governo Federal, incluindo a presidente Dilma Rousseff, se reúnem na tarde desta terça-feira (24), em encontro do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em Brasília, para decidir por um possível aumento da porcentagem do etanol anidro na gasolina, que atualmente é de 25%. Para tentar reverter a crise que afeta o segmento há alguns anos, a expectativa dos produtores é de que essa porcentagem chegue a 27,5%. Representantes da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) acreditam que a medida poderá danificar os motores produzidos no país que não utilizem a tecnologia flex. O governo encomendou um estudo técnico junto à Petrobras, o Inmetro e a indústria automotiva para a definição desse valor.

Para Arnaldo Corrêa, gestor de risco para o mercado agrícola de commodities da Archer Consulting, a medida só trará algum impacto se o aumento da mistura chegar a 27,5%. “Se houver esse aumento, teremos um acréscimo de um bilhão de litros por ano, que mesmo assim não trará um resultado imediato. Caso esse aumento seja para 26%, serão 50 milhões de litros a mais, o que não representará uma grande diferença”, falou o gestor.

Apesar dos esforços do setor e do governo para essa mudança, a medida não resolverá os problemas dos produtores, segundo Corrêa. “Não vai mudar nada. As políticas desse governo para o combustível e para a energia não impactam em absolutamente nada”, afirmou. Para ele, o problema do setor fica no subsídio que é dado à gasolina no mercado nacional, que congelou os preços do produto, apesar das altas nos valores do petróleo no internacional. 

Para o gestor, as expectativas para o setor no segundo semestre também não são das melhores, principalmente se as situações meteorológicas não foram favoráveis, como aconteceu no início do ano. “Estamos ainda no início da safra, que começou em 1º de abril, com apenas 20% do total colhido no Centro-Sul. Em julho e agosto, existe a influência do El Niño, que se provocar chuvas fora do período poderá atrasar as moagens”, explicou.
Sobre o cenário internacional, com a possível intervenção dos Estados Unidos no Iraque devido às incertezas do país frente ao avanço dos sunitas frente aos xiitas - que controlam o país -, Corrêa descarta grandes mudanças no mercado global do produto. “Hoje, os Estados Unidos são autossuficientes em relação ao petróleo, então um equilíbrio no preço do combustível deve ser mantido”, afirmou.

Questão política
Para o segundo semestre, além do clima, ainda existem as incertezas políticas, em virtude de se tratar de um ano de eleições. “Quanto mais a Dilma cair nas pesquisas, mais sobe o valor da Petrobras”, comentou o gestor. Corrêa citou que a política do governo atual é baseada no aumento do consumo de bens, onde tudo já foi adquirido e a população agora se encontra endividada. Os grandes problemas hoje, no entanto, estão na questão da força de trabalho, falta de infraestrutura e enfraquecimento da indústria.

 

Por:
Fernando Pratti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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