Bioinsumos viram escudo da cana contra a seca e ajudam a segurar produtividade no canavial

Publicado em 03/02/2026 09:10 e atualizado em 03/02/2026 09:50
Soluções biológicas ganham espaço no manejo da cana, aumentam a resiliência ao estresse hídrico e fortalecem a sustentabilidade do setor sucroenergético.

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No setor sucroenergético, o déficit hídrico está entre os principais fatores de risco para perdas de produtividade e qualidade industrial. Com chuvas cada vez mais irregulares, produtores têm buscado alternativas capazes de proteger o potencial produtivo da cana-de-açúcar ao longo do ciclo, mesmo em cenários adversos.

Nesse contexto, o uso de microrganismos e bioestimulantes vem se consolidando como uma ferramenta estratégica no manejo agrícola. As soluções biológicas atuam diretamente na fisiologia da planta, reduzindo os efeitos do estresse hídrico e contribuindo para a estabilidade produtiva dos canaviais, tanto em áreas de expansão quanto em regiões tradicionais de cultivo.

Segundo Jhonatan Coradin, gerente de Desenvolvimento de Mercado da Vittia, o diferencial dos bioinsumos começa antes mesmo da falta de água se tornar um problema no campo. “Quando a gente fala de bioinsumos na cana-de-açúcar, o principal ponto é entender que eles preparam a planta para lidar melhor com a falta de água”, afirma.

Raízes mais profundas ampliam acesso à água no solo

De acordo com Coradin, os bioinsumos atuam diretamente na fisiologia da cultura, com efeitos claros no desenvolvimento radicular. “Os bioinsumos estimulam um sistema radicular mais profundo, mais ativo e mais eficiente. Esse efeito permite maior exploração do solo e acesso à água em camadas mais profundas durante períodos de seca”, explica.

Com raízes mais bem desenvolvidas, a planta consegue acessar recursos hídricos que normalmente ficariam indisponíveis em momentos de estiagem. Essa condição favorece maior eficiência no uso da água e reduz os impactos do estresse hídrico sobre o crescimento da cultura.

O resultado prático é uma cana mais preparada para enfrentar veranicos e períodos prolongados de baixa precipitação, situação cada vez mais comum em diferentes regiões produtoras do país.

Mecanismos naturais mantêm o metabolismo ativo

Além do crescimento radicular, esses produtos ativam respostas fisiológicas internas que ajudam a planta a suportar condições adversas. Esses produtos auxiliam na ativação de mecanismos naturais de defesa, como o ajuste osmótico e a proteção contra o estresse oxidativo.

“Esses mecanismos preservam o equilíbrio hídrico celular e mantêm a fotossíntese ativa, mesmo sob baixa disponibilidade de água. Como resultado, a cana apresenta melhor eficiência no uso da água e maior capacidade de adaptação a ambientes de estresse hídrico”, explica o especialista.

Na prática, a tecnologia biológica funciona como uma camada adicional de segurança produtiva, reduzindo perdas fisiológicas e ajudando o produtor a atravessar períodos críticos com menor impacto sobre o rendimento final.

Entrada no início do ciclo faz toda a diferença

O momento da aplicação é apontado como decisivo para o sucesso do uso de bioinsumos na cana-de-açúcar. “Os melhores ganhos aparecem quando o produto é aplicado no início do ciclo da cana-de-açúcar, especialmente no plantio, nas mudas pré-brotadas e na soqueira jovem”, destaca.

Essa fase inicial é estratégica porque define o potencial produtivo da cultura ao longo do ciclo. “É nessa fase que a planta forma o sistema radicular e define o seu potencial produtivo ao longo do ciclo”, reforça.

Ao longo do desenvolvimento vegetativo, o uso da tecnologia continua sendo relevante. A aplicação foliar de bioinsumos potencializa os resultados, ajudando a manter a fotossíntese, melhorar a eficiência no uso da água e acelerar a recuperação da planta após períodos de estresse.

Campo confirma ganhos em produtividade e longevidade

Os benefícios observados na fisiologia da planta também aparecem nos resultados de campo. “Construímos uma base de dados de campo bastante consistente, que evidencia os benefícios dos bioinsumos na cana-de-açúcar”, relata Coradin.

Em áreas que enfrentam algum nível de estresse hídrico, é comum observar ganhos de produtividade por hectare quando o manejo segue as recomendações técnicas. “Além do ganho direto de produtividade, também há uma clara melhora na eficiência do uso da água”, afirma.

Outro ponto relevante é a longevidade do canavial. Com raízes mais saudáveis e menor desgaste fisiológico, a soqueira se mantém produtiva por mais cortes, reduzindo custos de renovação e aumentando a rentabilidade ao longo do tempo.

Bioinsumos elevam eficiência nutricional da cana

Para Vinícius Vigela, do Desenvolvimento Técnico de Mercado da Nitro, os bioinsumos também exercem papel central na nutrição da cana em condições de estresse hídrico. “Bioinsumos atuam como estratégicos na nutrição da cana em ambientes de estresse hídrico e térmico”, afirma.

Segundo ele, essas soluções promovem maior disponibilidade e absorção de nutrientes, reduzindo perdas e aumentando a eficiência do uso de fertilizantes. “Microrganismos presentes nos bioinsumos estimulam o crescimento radicular, permitindo que a planta explore melhor o solo em busca de água e nutrientes”, explica Vigela.

Além disso, os bioinsumos contribuem para a melhoria da estrutura do solo. “Os bioinsumos também melhoram a estrutura do solo, aumentando sua capacidade de retenção de água e a ciclagem de nutrientes”, completa.

Integração com manejo químico traz mais estabilidade

A combinação entre fertilizantes minerais e bioinsumos é apontada como uma estratégia complementar no enfrentamento do estresse hídrico. “Com certeza existe uma sinergia entre fertilizantes minerais e bioinsumos no enfrentamento do estresse hídrico”, afirma Vigela.

Enquanto os fertilizantes fornecem nutrientes essenciais de forma imediata, os bioinsumos aumentam a eficiência de absorção e aproveitamento desses elementos. Na prática, essa integração resulta em maior vigor das plantas, melhor uso dos insumos e mais estabilidade produtiva em condições adversas.

Do ponto de vista econômico, os ganhos incluem redução de custos e menor risco de quedas bruscas de produtividade. “O uso de bioinsumos reduz custos com fertilizantes e defensivos químicos, reforçando a competitividade do produtor ao longo das safras”, diz Vigela.

Marco regulatório impulsiona crescimento do setor

O avanço dos bioinsumos no Brasil também é sustentado por melhorias no ambiente regulatório. O Marco Regulatório de Bioinsumos, instituído pela Lei nº 15.070/24, estabeleceu diretrizes específicas para produção, registro e comercialização dessas tecnologias.

Levantamento da CropLife Brasil, em parceria com a consultoria Blink, aponta que o uso de bioinsumos cresceu 22% nos últimos três anos, desempenho quatro vezes superior à média global. Na safra 2024/25, a área tratada chegou a 158,6 milhões de hectares, com a cana-de-açúcar representando 10% dessa adoção.

Apesar do avanço, o setor ainda enfrenta desafios relacionados à regulamentação infralegal e à segurança jurídica. A consolidação desse arcabouço é considerada essencial para garantir qualidade, incentivar inovação e manter o setor sucroenergético brasileiro alinhado aos esforços globais de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

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Por:
Michelle Jardim
Fonte:
Noticias Agricolas

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