Conab projeta safra de cana em 709 milhões de toneladas, com avanço na produtividade

Publicado em 28/04/2026 11:01 e atualizado em 28/04/2026 11:58
Primeiro levantamento indica crescimento de 5,3% na produção e possível novo recorde para o etanol no Brasil

Logotipo Notícias Agrícolas

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aumentou a estimativa para a produção de cana-de-açúcar no Brasil na safra 2026/27, projetando um volume de 709,1 milhões de toneladas. Se confirmada, a safra representará um crescimento de 5,3% em relação ao ciclo anterior e se consolidará como a segunda maior da série histórica, atrás apenas do recorde registrado em 2023/24. Os números fazem parte do 1º Levantamento divulgado nesta terça-feira (28) e refletem o avanço da produtividade aliado à expansão da área colhida no país. 

Segundo a Conab, as condições climáticas registradas ao longo de 2025 favoreceram o desenvolvimento das lavouras, contribuindo para uma recuperação de 3,4% no rendimento médio. A produtividade nacional está estimada em 77.753 quilos por hectare. Já a área destinada à colheita deve crescer 1,9%, alcançando 9,1 milhões de hectares, a maior já registrada pela série histórica da Companhia.

Sudeste lidera crescimento e mantém protagonismo

Principal região produtora do país, o Sudeste deve colher 459,1 milhões de toneladas de cana, alta de 6,8% frente à safra passada. A área plantada na região deve atingir 5,7 milhões de hectares, com avanço de 2,1%, enquanto a produtividade média é estimada em 80.852 kg/ha, crescimento de 4,6%.

No Centro-Oeste, segunda maior região produtora, a produção deve chegar a 154,5 milhões de toneladas, sustentada por aumento de 1,8% na área colhida, estimada em 2 milhões de hectares, e leve ganho de produtividade, projetada em 77.595 kg/ha.

O Nordeste também deve registrar avanço, com produção estimada em 55,2 milhões de toneladas (+3,7%), apoiada pelo aumento da área colhida, prevista em 901,3 mil hectares, e produtividade média de 61.248 kg/ha. No Sul, a colheita deve alcançar 36,2 milhões de toneladas, com leve alta de 0,6%.

Já a região Norte apresenta um cenário distinto: apesar da redução de 0,5% na área colhida, estimada em 52,7 mil hectares, a produtividade deve crescer 10,2%, alcançando 78.763 kg/ha. Com isso, a produção regional pode atingir 4,2 milhões de toneladas, avanço de 9,7% na comparação anual.

Produção de etanol pode atingir novo recorde

O aumento da disponibilidade de cana deve impulsionar a produção de etanol no país. A Conab projeta um volume total de 40,69 bilhões de litros na safra 2026/27, crescimento de 8,5% sobre a temporada anterior e potencial novo recorde histórico.

Do volume total projetado, 29,26 bilhões de litros devem ser de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar, um avanço de 7,1% em relação à safra anterior. Desse montante, o etanol hidratado deve atingir 18,29 bilhões de litros, com crescimento de 6,3%, enquanto o anidro, destinado à mistura com a gasolina, está estimado em 10,97 bilhões de litros, alta de 8,4%.

Já o etanol de milho mantém trajetória de expansão no país, com produção prevista em 11,43 bilhões de litros, o que representa um aumento de 12,3%. O Centro-Oeste segue como principal região produtora, embora o Nordeste venha ganhando espaço com a entrada de novas unidades industriais. Dentro desse total, a maior parte deve ser de etanol hidratado, com 7,15 bilhões de litros, enquanto o anidro deve somar 4,28 bilhões de litros.

Açúcar deve recuar levemente em meio a cenário global

Na contramão do etanol, a produção de açúcar está estimada em 43,95 milhões de toneladas, leve recuo de 0,5% em relação à safra anterior. O ajuste reflete, em parte, o maior direcionamento da cana para o biocombustível, favorecido pelas condições de mercado.

De acordo com a Conab, o setor inicia a safra 2026/27 ainda sob influência do ciclo anterior. No mercado internacional, os preços do açúcar seguem pressionados pelo aumento da oferta global, com destaque para a recuperação da produção em países como Índia e Tailândia, além da manutenção de elevada disponibilidade brasileira.

Por outro lado, o mercado de etanol apresenta maior sustentação. A demanda pelo anidro segue firme devido à mistura obrigatória na gasolina, enquanto o hidratado continua dependente da competitividade frente aos combustíveis fósseis. Para a nova safra, a expectativa de maior produção, somada à expansão do etanol de milho, aponta para um cenário de abastecimento confortável, embora os preços permaneçam sensíveis às oscilações do petróleo.

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Clique Aqui para receber em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Por:
Andréia Marques I @andreia.marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

Ao continuar com o cadastro, você concorda com nosso Termo de Privacidade e Consentimento e a Política de Privacidade.

0 comentário