Açúcar fecha semana em queda com pressão do petróleo, câmbio e oferta global
Os preços do açúcar encerraram a sexta-feira (5) em baixa nas principais bolsas internacionais, pressionados pela queda do petróleo e pela desvalorização do real frente ao dólar. O cenário reforçou as expectativas de maior oferta global da commodity, limitando o avanço das cotações.
Na bolsa de Nova York, o contrato julho do açúcar bruto fechou com recuo de 13 pontos, cotado a 14,14 cents por libra-peso.
Em Londres, os preços do açúcar branco também perderam força após uma tentativa de recuperação ao longo do pregão. O contrato agosto encerrou o dia cotado a US$ 446,90 por tonelada, queda de 51 pontos.
Petróleo e moeda brasileira
A pressão sobre o mercado ganhou força após o petróleo WTI registrar queda superior a 3% no dia. Com combustíveis fósseis mais baratos, o etanol tende a perder competitividade, o que pode incentivar usinas a direcionarem uma parcela maior da cana para a produção de açúcar, ampliando a oferta global do adoçante.
Outro fator baixista foi a fraqueza do real brasileiro. A moeda atingiu o menor patamar em cerca de um mês e meio frente ao dólar, favorecendo as exportações brasileiras e aumentando a competitividade do açúcar produzido no país no mercado internacional.
Oferta global segue no radar
Além dos fatores financeiros, os investidores continuam acompanhando o aumento da disponibilidade de açúcar no mercado mundial.
Dados divulgados recentemente pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostraram que a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil alcançou 2,475 milhões de toneladas em abril da safra 2026/27, volume 55,3% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
O desempenho foi favorecido pelo aumento da qualidade da matéria-prima. O teor de sacarose atingiu 112,58 quilos por tonelada de cana, alta de 5,4% em relação ao ano passado.
A Tailândia, segundo maior exportador global da commodity, também contribui para o cenário de ampla oferta. Entre janeiro e abril deste ano, o país embarcou 1,6 milhão de toneladas de açúcar, crescimento de 29% na comparação anual.
El Niño limita perdas
Apesar do viés baixista provocado pelo aumento da oferta, o mercado segue atento aos riscos climáticos associados ao possível desenvolvimento do fenômeno El Niño.
As preocupações aumentaram após o serviço meteorológico da Índia reduzir sua previsão de chuvas para a temporada de monções entre junho e setembro, de 92% para 90% da média histórica. A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar e qualquer redução na produtividade pode afetar o equilíbrio global de oferta e demanda.
Além da Índia, Brasil e Tailândia também permanecem no radar dos investidores. O receio é que o El Niño provoque períodos de seca em importantes regiões produtoras, comprometendo a produção nos próximos meses.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 82% de probabilidade de formação do fenômeno entre maio e julho, com possibilidade de permanência até o final do ano. A agência também aponta 67% de chance de ocorrência de um evento de forte intensidade, o chamado "Super El Niño".
Dessa forma, o mercado encerra a semana dividido entre a pressão exercida pela ampla oferta global e as incertezas climáticas que podem afetar a próxima safra dos principais produtores mundiais.
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