Açúcar amplia perdas em Londres e mercado segue atento ao clima na Índia e ao avanço do El Niño
Os preços do açúcar seguem em queda na Bolsa de Londres nesta sexta-feira (19), em um mercado ainda pressionado pelo fortalecimento do dólar e pela queda dos preços do petróleo. As preocupações com o clima na Índia e os possíveis impactos do El Niño continuam no radar dos investidores, mas não têm sido suficientes para reverter o movimento baixista das cotações.
Por volta das 8h30 (horário de Brasília), o contrato agosto do açúcar branco recuava 460 pontos, negociado a US$ 440,70 por tonelada. Já o vencimento outubro caía 370 pontos, para US$ 434,70 por tonelada.
Nesta sexta-feira, a Bolsa de Nova York não opera devido ao feriado de Juneteenth, data que celebra o fim da escravidão nos Estados Unidos.
Na sessão anterior, os preços do açúcar encerraram o dia em queda. O mercado foi pressionado pela valorização do dólar, que atingiu o maior nível em 13 meses frente a uma cesta de moedas. Um dólar mais forte reduz a competitividade das commodities negociadas na moeda norte-americana, afetando a demanda internacional.
Outro fator de pressão veio do mercado de energia. O petróleo WTI voltou a recuar e atingiu o menor nível dos últimos três meses e meio.
Com combustíveis mais baratos, o etanol perde atratividade econômica, aumentando a possibilidade de as usinas destinarem uma parcela maior da cana para a produção de açúcar, o que amplia a oferta global da commodity.
Apesar desse cenário, os investidores seguem atentos às condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Dados do Departamento Meteorológico do país indicam que o acumulado de chuvas da estação chuvosa estava 38% abaixo da média histórica até o dia 17 de junho.
A situação é acompanhada de perto pelo mercado, já que o período de chuvas, que vai de junho a setembro, é fundamental para o desenvolvimento das lavouras de cana-de-açúcar.
As preocupações climáticas ganharam ainda mais relevância após a confirmação do fenômeno El Niño. Na semana passada, a Agência Meteorológica do Japão confirmou oficialmente a formação do evento no Oceano Pacífico Equatorial. Historicamente, o El Niño tende a reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras de açúcar, como Brasil, Índia e Tailândia, aumentando os riscos para a oferta global da commodity nos próximos meses.
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