Açúcar segue em alta nas bolsas internacionais com oferta global mais apertada

Publicado em 19/08/2026 11:13
Cotações avançam em Nova Iorque e Londres, enquanto mercado monitora clima, produção brasileira e possibilidade de aumento das importações pela Índia

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As cotações do açúcar seguem em alta nesta quarta-feira (19) nas bolsas internacionais, mantendo o movimento de valorização observado ao longo de agosto. Em Nova Iorque, os preços avançam, enquanto em Londres o açúcar branco também opera em alta, sustentado pelas preocupações com a oferta global e pelos impactos do clima sobre importantes regiões produtoras.

Em Nova Iorque, por volta das 11h (horário de Brasília), o contrato outubro era negociado a 17,53 cents por libra-peso, alta de 6 pontos. Já o março/27 avançava 8 pontos, cotado a 18,54 cents por libra-peso.

Na bolsa de Londres, o contrato outubro era comercializado a US$ 540,20 por tonelada, alta de 700 pontos. O dezembro avançava 400 pontos, negociado a US$ 535,40 por tonelada.

Mercado acompanha oferta mais restrita

No pregão anterior, o açúcar também registrou forte valorização. Na terça-feira (18), o contrato de outubro em Nova Iorque atingiu o maior nível em 15 meses, enquanto Londres alcançou a maior cotação em 16 meses.

O movimento ocorre em meio às sucessivas revisões para baixo nas estimativas de produção e à possibilidade de um déficit global nas próximas safras.

A Covrig Analytics projeta um déficit de 300 mil toneladas na safra 2026/27, revertendo a previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas. A Green Pool Commodity Specialists estima um déficit de 3,3 milhões de toneladas, enquanto a StoneX prevê saldo negativo de 1,7 milhão de toneladas.

A Czarnikow também revisou seu balanço para 2026/27, passando de uma previsão de superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas, em um cenário de maior direcionamento da cana brasileira para a produção de etanol.

Para 2027/28, a perspectiva também é de aperto. Na última sexta-feira, a Czarnikow projetou um déficit global de 2,9 milhões de toneladas, com produção mundial estimada em 177 milhões de toneladas, queda de 0,7% em relação ao ciclo anterior.
Índia pode aumentar necessidade de importações

A situação da Índia também ganhou destaque no mercado. O país, segundo maior produtor mundial de açúcar, avalia medidas para ampliar a disponibilidade interna diante das preocupações com a produção e com o comportamento das monções.

O Departamento Meteorológico da Índia informou que o acumulado de chuvas entre junho e setembro estava 13% abaixo da média até 17 de agosto. Apesar da melhora em relação ao déficit de 42% registrado até 30 de junho, o órgão havia previsto chuvas abaixo da média em agosto e setembro.

Clima coloca produção global no radar

Além da Índia, o clima preocupa em outras importantes origens produtoras. O El Niño é acompanhado pelo mercado devido ao potencial de alteração do regime de chuvas em países como Brasil, Índia e Tailândia.

Na Europa, a combinação de seca e temperaturas elevadas também ameaça a produção de açúcar. Dados da S&P Global Energy apontam para uma produção de 14,98 milhões de toneladas na União Europeia e no Reino Unido, o menor nível em 11 anos.

Para Maurício Murici, analista da Safras & Mercado, o movimento de alta tem relação com a percepção de perdas de produção provocadas pelo clima nas principais origens.

“Todos os vetores fundamentais levam a aumento nos preços do etanol, embora o açúcar siga ainda com prêmios de arbitragem fortemente positivos, acima de 10%”, afirmou Murici.

Segundo o analista, a Safras & Mercado estima uma possível frustração superior a 10 milhões de toneladas na oferta de açúcar do Brasil, Índia, União Europeia, China e Tailândia na safra 2026/27, considerando os impactos associados ao El Niño.

Brasil reduz produção de açúcar e amplia etanol

No Centro-Sul brasileiro, os dados mais recentes também reforçam a percepção de uma oferta menor de açúcar.
Informações do Ministério da Agricultura, antecipadas pela Reuters, apontaram queda de 8,4% na moagem de cana na segunda quinzena de julho, para 46,08 milhões de toneladas. A produção de açúcar recuou 17,6%, para 3 milhões de toneladas.

Enquanto isso, a produção de etanol avançou 2,8%, para 2,39 bilhões de litros, indicando maior direcionamento da matéria-prima para o biocombustível.

No acumulado da safra 2026/27 até o fim de julho, a moagem chegou a 313,21 milhões de toneladas, alta de 2,1%. Mesmo com o maior volume processado, a produção de açúcar caiu 12,4%, para 16,92 milhões de toneladas. A fabricação acumulada de etanol, por outro lado, cresceu 16%, para 16,34 bilhões de litros.

Murici avalia que as usinas brasileiras também estão reagindo ao cenário de preços mais favorável. Segundo ele, o prêmio do açúcar em relação ao etanol permanece elevado, o que aumenta a atratividade da produção da commodity.

“O prêmio de arbitragem do açúcar está muito elevado, está valendo muito a pena fazer açúcar”, destacou o analista.
 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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