MERCADO DE AÇÚCAR: A REESTRÉIA DO ETANOL NA BOLSA

Publicado em 17/05/2010 06:50 233 exibições


O mercado de açúcar fechou a semana com valorização entre 7 e 14 dólares por tonelada. Esteve bem melhor ao longo da semana, mas não conseguiu resistir ao cenário macroeconômico que se assusta com os problemas na Europa. O mercado físico internacional está mais aquecido e percebeu-se que as compras começaram a aparecer nos níveis de 13-14 centavos de dólar por libra-peso. Os chineses e os paquistaneses foram compradores nesses níveis, algo em torno de 550.000 toneladas para os próximos meses. Relatos de melhora nos prêmios dos açúcares brancos também contribuíram para que NY estancasse a queda das últimas sessões. Os prêmios para o açúcar branco melhoram à medida que o mercado percebe que não existe disponibilidade da Tailândia. No entanto, no que tange aos níveis de preço em NY, enquanto as questões relativas à crise financeira européia não são resolvidas a contento, vamos continuar nessa montanha russa. A valorização do dólar enfraquece as comm odities.

O comportamento do mercado na semana que passou lembrou-me um vídeo muito engraçado de dois humoristas ingleses (John Bird e John Fortune) sobre a crise do subprime, que rolou na internet. Em determinado momento da crise, após uma recuperação dos preços dos ativos, o afamado repique do gato morto - alusão aos mercados que caem vertiginosamente de tal maneira que o violento impacto da queda provoca um repique natural - uma firma muito conceituada de Londres saiu-se com essa pérola: ”os participantes do mercado não sabem se compram no boato e vendem no fato, se fazem o contrário, se fazem ambos, ou se não fazem nada dependendo da direção que o vento sopra”. 

O Ministério Público Federal Americano trabalha junto aos órgãos reguladores na condução de investigações criminais preliminares para apurar se alguns dos principais bancos de Wall Street teriam induzido investidores na compra de títulos hipotecários. Esse recrudescimento pode respingar nas commodities, portanto fique alerta. Aproveite os rallies para fixar suas vendas, principalmente se você ainda tem contratos para fixar contra o julho/2010. 

Os fundos adicionaram nada menos que 15.000 lotes desde a recente queda. Isso quer dizer que se o mercado se recuperar, podemos assistir a algumas recompras dessas posições a mercado para estancar prejuízos (leia-se buy stops). Em outras palavras, uma elevação de preços em função dos fundos serem pegos no contrapé. Acredito que os próximos 200 pontos são para cima.

Semana que vem estréia o contrato futuro de etanol hidratado da BM&F Bovespa. A iniciativa da BM&F Bovespa, discutida com os principais participantes e formadores de opinião do mercado vem em boa hora, quando o setor passa a destinar percentual cada vez maior da cana para a produção de etanol combustível. O fato de o contrato não permitir liquidação por entrega é um limitador, sem dúvida, de qualquer forma, a BM&F Bovespa aposta na repetição do sucesso do contrato de milho, lançado nos mesmos moldes, ou seja, sem liquidação por entrega, apenas financeira. Deu certo.

O volume de contratos de milho negociados na BM&F Bovespa no ano passado foi de 259.610. Em 2010, o volume até abril soma 126.565, que projeta até o final do ano, 300.000 contratos. Tomando a produção de milho no Brasil que, de acordo com a CONAB, foi de 54.000.000 de toneladas, isso quer dizer que o total de contratos negociados na bolsa equivale a 15% da produção nacional. É pouco, não tenha dúvida. O ideal é que o número de contratos negociados representasse pelo menos 5 vezes o tamanho da safra, se toda a cadeia da commodity usasse o mercado futuro para se proteger (produtores, processadores, industria alimentícia, instituições financeiras, entre outros). Se o novo contrato de etanol chegar ao mesmo patamar do milho hoje, isso equivaleria a negociação anual de pelo menos 100.000 contratos. É um sonho, evidentemente. Mas não de todo impossível.

A falta de um instrumento correto no passado, nem sempre foi empecilho para não se usar a proteção, mesmo que essas as vezes sejam totalmente imperfeitas. Foi o caso, por exemplo, em passado recente, de empresas que venderam etanol usando o RBOB como parâmetro de preço. A correlação entre os dois era medíocre, mas mesmo assim muitas empresas preferiram usar do artifício para não ficarem totalmente descobertas. Um erro crasso que custou milhares de dólares para aqueles que usaram o instrumento. Tudo feito no afã de se proteger. O anseio por um instrumento de proteção.

A volatilidade implícita das opções de julho explodiu, passando de 39 para 48% em uma semana. As volatilidades do outubro e março estão em 41,64% e 35,26%

No Fundo Fictício da Archer Consulting, “estamos de volta aos dias felizes novamente”. Fechamos a semana comprados no equivalente no delta em 1.643 lotes no julho, com um lucro acumulado de US$ 1.540.038,72 (ganhamos US$ 924.558,63 na semana), com um rendimento líquido anual de 98,12%. 

Boa semana e bons negócios para todos, em especial para aqueles que rumam à NY para atender ao Jantar Anual do Açúcar.

Arnaldo Luiz Corrêa

Fonte:
Archer Consulting

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