Preço do açúcar volta a aumentar no mercado internacional

Publicado em 17/09/2010 10:13
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Após atingir 30,4 centavos de dólar por libra-peso no mercado de Nova York em fevereiro, e cair para 13 centavos em maio, o preço do primeiro contrato futuro de açúcar voltou a subir, atingindo 24,69 centavos em 16 deste mês. Desta vez, o motivo não são as importações da Índia, mas sim o Brasil.

A recente alta vem sendo gestada nos últimos meses por episódios como a seca na Rússia e o excesso de chuvas no Paquistão, que ajudaram a reduzir as perspectivas de excedente mais significativo na safra 2010/11, depois de dois anos de deficit.

Excedente que hoje não é nem de perto suficiente para aplacar a queda na relação estoque-consumo mundial, atualmente em nível muito baixo, em torno de 32%.

Mas nenhum desses fatores tem afetado tanto o mercado como a falta de chuvas na região centro-sul do Brasil, em 2010. Em microrregiões importantes, tem sido observada estiagem superior a 160 dias, afetando, em níveis muito acima do que seria possível prever, a cana disponível para moagem no segundo semestre deste ano.

Em condições normais, uma ligeira estiagem pode até ter efeito benéfico para a cana-de-açúcar, pois o estresse contribui para sua maturação, e a perda de tonelagem por hectare é quase sempre compensada pelo aumento no teor de açúcares contidos em cada tonelada.

Mas estiagem prolongada como a que vem sendo observada neste ano acaba resultando em perdas reais, pela deterioração da qualidade da matéria-prima e maiores perdas na extração industrial. Canas colhidas entre janeiro e março de 2010 estão com crescimento comprometido, tornando praticamente certo que não haverá moagem significativa na entressafra, como ocorreu nos dois anos anteriores.

A produção brasileira de açúcar na safra 2010/11 será recorde, devendo atingir 37,8 milhões de toneladas, 14,9% mais do que no ano anterior.

O volume a ser exportado deve ultrapassar 25,3 milhões de toneladas, crescendo 15,8%. Todo esse crescimento tem encontrado dificuldades para o seu escoamento na região centro-sul, a maior produtora e exportadora. Os investimentos em infraestrutura portuária não acompanharam o ritmo de expansão da produção e das exportações nessa região, valorizando ainda mais os espaços já ocupados e os ativos instalados.

De olho no futuro

Para o mercado, o que importa é o futuro. As consequências agronômicas da seca no centro-sul passaram a ser acompanhadas de perto pelo mercado mundial, visto que o Brasil é responsável por 48% das exportações totais.

Enquanto isso, a demanda doméstica potencial por etanol continua em expansão, acompanhando o ritmo de crescimento da frota flex, que já ultrapassa 11 milhões de veículos.

Demanda que poderá se materializar, ou não, dependendo do preço relativo entre o etanol hidratado e a gasolina, abrindo a perspectiva de que a demanda de gasolina varie de forma significativa, e inversa, à do etanol.

O preço mais elevado deve estar, de maneira quase geral, sendo recebido com euforia pela indústria brasileira. Mas ela não deve esquecer que esse preço é também muito bem-vindo por produtores em outros países que produzem, e que o açúcar permanece sendo a commodity agrícola com a maior volatilidade de preço.
Fonte: Folha de São Paulo

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