Consolidada, safra de cana de SP pode cair em 2011/12

Publicado em 21/10/2010 12:39
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O Estado de São Paulo, que responde por pouco mais da metade da produção de cana do Brasil, provavelmente verá a sua safra encolher em 2011/12, por conta da seca e da renovação dos canaviais, afirmou nesta terça-feira (19-10) o secretário de Agricultura paulista, João Sampaio.

"Acho que não cresce, acho que até talvez seja um pouco menor realmente. A seca este ano foi muito forte, a renovação dos canaviais que tinha ficado quase parada por dois anos vem mais forte... E até por conta dessa seca, uma área maior de cana está sendo renovada e não vai ser colhida no ano que vem, vai ter cana de um ano e meio, portanto, só na outra safra," declarou Sampaio em entrevista à Reuters antes de participar de seminário promovido pela consultoria Datagro.

Algumas regiões do Estado tiveram um período de estiagem de mais de cem dias neste ano, o que deve afetar a produtividade da safra em áreas que estavam em desenvolvimento inicial para a próxima temporada. A avaliação do secretário está em linha com as opiniões de analistas e fontes da indústria.
Segundo o Ministério da Agricultura, São Paulo teve um plantio de cana na temporada atual (2010/11) de 4,37 milhões de hectares, com uma produção esperada de 370 milhões de toneladas de cana, enquanto o Brasil planta em uma área de 8,1 milhões de hectares e tem safra estimada em 651 milhões de toneladas.

Uma estabilidade ou um encolhimento da safra de cana no principal produtor nacional deve resultar para a indústria em preços ainda melhores do que os verificados na atual temporada, segundo o secretário, mas ele não vê espaço para grandes crescimentos de área no Estado em safras futuras em função disso, pois o setor já está bastante consolidado em território paulista.

Laranja e boi competem com cana

"Com preços melhores, abre uma série de oportunidades, mas também lança desafios de investir com sustentabilidade, para não ter o risco de investir demais e depois os preços caírem," declarou ele.
Questionado se preços mais altos poderiam levar os agricultores a ampliarem áreas de cana, em detrimento de outras culturas, ele afirmou: "Não acredito que será imediatamente, claro que ainda há espaço (para crescimento de área). Mas outras atividades também têm rentabilidade boa, o que dificulta o crescimento da cana. Veja o caso da laranja, ela que foi foco de transformação, gente tirando laranja e colocando cana, principalmente na região norte do Estado. Mas hoje ela tem um preço bom, quem tem boa produtividade consegue rentabilidade com a laranja maior do que com a cana."
São Paulo também é o maior produtor brasileiro de laranja. O Brasil domina o mercado internacional de suco.

A mesma avaliação feita para a laranja vale para o pecuarista, que segundo ele recebe 95 reais pela arroba do boi atualmente, um patamar dos mais elevados da história.

"Imagino que não teremos grande substituição, não nas áreas tradicionais, na região oeste do Estado pode ocorrer, mas em menor velocidade e menor escala. A cana vai expandir mais em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás, acho que São Paulo está consolidado," declarou.

A região oeste, onde a pecuária e a cana dominam, é praticamente a única do Estado que poderia ver mais canaviais nos próximos anos, segundo o secretário.

Mas também vê o plantio de florestas, para a produção principalmente de celulose, crescendo mais proporcionalmente que a cana no Estado.

"Mais do que a cana, a plantação de florestas, eucalipto, seringueiras, pinos, porque ela tem uma área menor (a área de florestas), 1,6 milhão de hectares, e está com uma rentabilidade superior à da cana, e onde está ela tem uma concorrência menor, não tem usina instalada."

Fonte: Reuters

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