Cortadores de cana trocam campo por indústrias e custos aumentam

Publicado em 25/02/2011 08:08 277 exibições
A cena é incomum para os brasileiros. Uma mulher bem trajada, de sári, a típica vestimenta indiana, cortando cana-de-açúcar, rodeada por crianças e até por um cabrito pastando nas folhas da gramínea. Na Índia, no entanto, a paisagem é comum nas regiões canavieiras, onde as famílias trabalham juntas no corte da cana-de-açúcar e onde a legislação não tem nem de longe a rigidez da brasileira.

Prabhakar Ginapat Ghade, 29 anos, é o chefe de uma dessas milhares de famílias indianas que trabalham no campo. Ele, sua mulher e filhos, há dois anos saem de Maharashtra, onde têm 3 hectares plantados com algodão e milheto, para o Estado vizinho de Karnataka, onde está a cidade de Belgaum.

A razão para essa migração é que cada vez há menos cortadores de cana disponíveis na região, diz N.S. Mugalkhod, administrador geral de suprimento de cana da Shree Renuka Sugars em Belgaum. Ele conta que a disponibilidade de trabalhadores na região caiu 50% nos últimos dois anos, porque os antigos cortadores foram trabalhar em outras áreas, sobretudo na industrial.

"Com isso, nosso custo com o trabalhador ficou três vezes maior nos últimos anos. Estamos dando incentivos para que vem para cá".

É de olho nessa remuneração maior que Ghade se desloca por seis meses de sua terra para Belgaum. Enquanto o valor mínimo fixado pelo governo é de US$ 1,30 por dia de trabalho no campo, em Belgaum, Ghade recebe US$ 1,50 diários, mais adicional de 17% se permanecer por seis meses.

Agora mais capitalizado, ele já começou a construir uma casa maior. Diz ainda conseguir poupar 30% dos seus ganhos para investir nos estudos e no casamento do primogênito, hoje com dez anos - na Índia, é comum, sobretudo na zona rural, os pais casarem seus filhos com até 21 anos.

A mudança que segue curso na área rural da Índia também atinge os pequenos proprietários de terra, que plantam e cortam cana com suas famílias. Esse grupo também vem se deparando com a resistência das novas gerações em trabalhar com a terra.

Diferentemente de seus filhos, os netos do produtor de cana de Belgaum, Baluppa Adiveppa Metagud, não querem permanecer no cultivo e corte da cana. Com mais anos de estudo, estão buscando emprego em indústrias e empresas da região que, assim como todo o país, instalaram-se ao longo dos últimos dez anos, com a abertura da economia indiana. "Só tenho um neto que ainda trabalha conosco. Ele não gosta muito de estudar", sorri Metagud.

Ele é um dos produtores mais prósperos de Belgaum. Sua propriedade, de 9 hectares, tem trator e implementos agrícolas, muitos incomuns na agricultura indiana.

Há onze anos, Metagud foi um dos produtores que apostaram suas rúpias na aquisição da primeira usina da Shree Renuka Sugars, em parceria com Narendra Murkumbi e a mãe deste, Vydia. Conhecida pelo tino diplomático, ela mobilizou capital entre agricultores para ajudar o único filho a começar o negócio de açúcar. "Na época, compramos uma ação por 5 mil rúpias. Quando a Renuka abriu capital em bolsa, em 2009, vendemos por 700 mil rúpias", lembra Metagud.

Fonte:
Valor Econômico

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