Sob fogo, etanol segue como aposta das montadoras agrícolas

Publicado em 06/05/2011 08:03 252 exibições
Alguns dos grandes projetos no Brasil das gigantes do setor de máquinas agrícolas continuam tendo o potencial do etanol como justificativa para o investimento, apesar de o produto ter saído da última entressafra no Brasil (novembro a abril) com a imagem arranhada pela baixa oferta e preços nas alturas.

Executivos das companhias acreditam que os problemas verificados nos últimos meses, que fizeram com que o biocombustível fosse alvo de pesadas críticas, foram pontuais e deverão ser superados nos próximos anos.

Os preços do etanol dispararam nos primeiros meses deste ano devido à conjunção de vários fatores, como a relativa maior lucratividade do açúcar, o rápido encerramento e a menor produtividade da safra passada de cana e o grande consumo vindo da crescente frota de veículos flex.

Como o produto é misturado à gasolina, no caso do etanol anidro, a alta dos preços também afetou o derivado do petróleo e acrescentou pressão inflacionária, para a insatisfação do governo.

Entre os principais projetos para o setor, mostrados na Agrishow, maior exposição latino-americana de tecnologia agrícola, estão máquinas para uso nas lavouras e inovações em motores para permitir utilização do etanol.

A Fiat Powertrain, unidade de motores do conglomerado italiano, está testando motores que usarão diesel e etanol ao mesmo tempo.

A idéia é que as unidades equipem tratores da montadora agrícola do grupo, a Case IH.

Como o diesel e o etanol são produtos bastante heterogêneos, isso não permite, como ocorre nos veículos flex, que sejam misturados. Os dois vão precisar de tanques e linhas de injeção de combustível separados nos veículos, o que mostra a maior complexidade desses projetos.

"Teremos um motor pesado que usará etanol em um período de dois anos", disse César Di Lucca, diretor comercial da Case para América Latina.

Projeto similar é desenvolvido pela Agco, com o objetivo de equipar os tratores da marca Valtra.

"Estamos trabalhando para lançar o trator com o motor'dual fuel' (diesel e etanol) no ano que vem, se os testes chegarem onde queremos" afirmou Jak Torreta, diretor de Produtos da Agco para a América do Sul.

Um trator com motor a etanol seria economicamente interessante para uso pelas usinas, que utilizariam o combustível que produzem. Não deverá ser viável para outros agricultores, já que a autonomia do etanol é muito menor que a do diesel.

A Iveco, também do grupo Fiat, apresentou na feira um motor 100 por cento movido a etanol, que ela pretende usar em caminhões para vender a usinas.

MÁQUINAS

Além do motor diesel/etanol, a Agco está no estágio final de desenvolvimento de uma colhedora de cana. Ela é a última das três grandes do setor (Case e John Deere) a produzir esse tipo de equipamento.

"Realisticamente seria para lançar no final do ano que vem," afirmou à Reuters o vice-presidente para América do Sul da Agco, André Muller Carioba.

"Sendo o último dos três a lançar, eu não quero colocar uma máquina no mercado que tenha qualquer problema, então quero estar bem preparado."

Carioba vê ainda um enorme potencial na área de cana e um avanço grande na mecanização.

As usinas paulistas assinaram um protocolo com o governo do Estado se comprometendo a eliminar a colheita manual (e a queima da cana) até 2014 em áreas sem grandes declives.

No ano anterior à assinatura do protocolo, a mecanização da colheita de cana-de-açúcar era de 34 por cento. Na safra 09/10 passou para 55 por cento e na safra passada para 61 por cento.

John Deere e Case lançaram novos modelos de colhedoras na Agrishow e a Deere também apresentou uma plantadeira de cana não convencional, chamada Greensystem. Projetada para trabalhar com um sistema criado pela Syngenta, ela usa mudas pequenas, de cerca de 4 cm, no lugar de mudas com 40 cm empregadas no sistema tradicional de plantio. Segundo a fabricante, torna o plantio mais rápido e econômico.

Os canaviais brasileiros estão, de maneira geral, envelhecidos, já que usinas têm adiado a renovação devido à grande demanda e à recente escassez de crédito após a crise financeira. O replantio de cana deve ganhar força nos próximos anos.

Fonte:
Reuters

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