Redução de álcool na composição da gasolina prejudicará setor nordestino

Publicado em 31/08/2011 16:48 359 exibições
Medida governamental que reduz de 25% para 20% o volume de álcool anidro na composição da gasolina, entrará em vigor a partir de outubro, período em que a safra de cana de açúcar nordestina estará em plena moagem. A ação, segundo a União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), prejudicará os fornecedores de cana e industriais do setor sucroalcooleiro da região, porque haverá uma menor procura pelo produto no respectivo período produtivo.

De acordo com o presidente da Unida, Alexandre Andrade, infelizmente, o raciocínio é lógico. “Menor quantidade no índice da mistura, menor procura pelo produto no mercado”, diz, questionando por que a diminuição de 5% de etanol na composição da gasolina ocorre justamente quando vai iniciar a produção nordestina. Ele lembra que a moagem na região começa em setembro, enquanto que nas demais localidades do país, já estão finalizando.

Andrade revela que a produção de cana nordestina, diferente de outras áreas do país, já possui condições naturais que normalmente aumentam os custos de produção da matéria prima do açúcar e etanol. As questões climáticas da Zona da Mata, que geralmente apresenta períodos de grande estiagem, e a topografia que possui muitos morros, são as principais delas. “Justamente este ano que tivemos boas chuvas, aparece esta medida governamental exatamente no período da moagem”, reclama, dizendo que ela interferirá diretamente na formação do preço da cana do fornecedor e na produção de etanol nas usinas.

“Outras medidas governamentais poderiam ser tomadas para estimular o setor nacional de etanol neste período, evitando assim prejudicar toda a cadeia produtiva da cana de açúcar nordestina”, comenta Andrade. Ele conta que é possível investir em estocagem do produto, estimular o aumento da produção de cana no país, apoiar os produtores da matéria prima do etanol, através de subvenções específicas, dentre outras. “Mas infelizmente, a melhor saída encontrada pelo Governo Federal foi esta”, desabafa.

O dirigente da Unida acrescenta dizendo que depois o governo diz não aplicar uma intervenção governamental no setor. “Esta medida estimula o desinteresse pela produção de etanol, porque gera uma insegurança nos investidores da cana”, conta.  Associado a esta ação, Andrade também questiona o subsídio que está sendo dado à gasolina. “Investe-se em um tipo de combustível (gasolina), importando até etanol de outro país para adicionar na composição do produto, na tentativa de frear o preço da gasolina, mas o etanol, ecologicamente correto, fica em segundo plano”, diz.

Fonte:
AI Unida

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