Trigo segue sendo semeado no RS; colheitas de soja e milho sendo concluídas
A semeadura do trigo avançou de forma gradual nas regiões produtoras do Rio Grande do Sul, acompanhando o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e condicionada às condições de umidade do solo e trafegabilidade das áreas. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (03/06), as lavouras implantadas no início do período recomendado apresentam emergência e estabelecimento inicial satisfatórios, com estandes e desenvolvimento vegetativo adequados.
As operações de preparo das áreas destinadas ao plantio do cereal tiveram prosseguimento, mas as projeções indicam redução expressiva da área cultivada em relação à safra anterior, como reflexo da combinação de custos elevados de produção, das restrições de crédito e seguro rural, além do aumento da percepção de risco climático para o ciclo de inverno. Em diversas regiões, observa-se menor utilização de sementes fiscalizadas e maior participação de recursos próprios no financiamento da atividade.
A estimativa de área a ser cultivada na Safra 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Na safra anterior, o Rio Grande do Sul cultivou 1.166.163 hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 kg/ha e produção total de 3.458.083 toneladas, conforme dados do IBGE.
Aveia-branca - A semeadura de aveia-branca alcança a maior parte da área projetada nas principais regiões produtoras. As condições de umidade do solo e as temperaturas amenas favoreceram a emergência, o estabelecimento inicial e o desenvolvimento vegetativo das lavouras. As áreas implantadas apresentam, de forma geral, bom estande de plantas e baixa incidência de pragas e doenças. Contudo, em algumas áreas, a menor luminosidade no período limitou a emissão foliar e reduziu a atividade fisiológica das plantas, sem comprometer, até o momento, o potencial inicial das lavouras.
A expectativa é de manutenção ou de leve expansão da área de aveia-branca em relação à safra anterior, quando o Estado cultivou 393.135 hectares, impulsionada pela demanda por grãos e pela inserção da cultura em sistemas de produção diversificados. No entanto, observa-se maior cautela quanto ao nível de investimento tecnológico, como predomínio de manejos de menor aporte de insumos. A estimativa de área cultivada para 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Na safra de 2025, foram produzidas 935.664 toneladas de aveia-branca, com produtividade média de 2.394 kg/ha, conforme dados do IBGE.
Canola - A semeadura de canola avançou e aproxima-se da conclusão nas principais regiões produtoras. As condições de implantação apresentam contrastes regionais: há áreas beneficiadas pela retomada da umidade do solo, e outras ainda limitadas pela irregularidade das precipitações. As lavouras estabelecidas apresentam boa germinação, emergência e desenvolvimento vegetativo inicial, predominando cultivos em estágio vegetativo e roseta, com estandes considerados satisfatórios.
Mantém-se a expectativa de grande expansão da área cultivada em relação à safra anterior, impulsionada pela busca de alternativas econômicas para os sistemas de inverno e pela consolidação da cultura na rotação de culturas. A área cultivada no Estado segue em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Em 2025, foram cultivados 174.394 hectares, com produtividade média de 1.653 kg/ha e produção total de 285.481 toneladas, conforme o IBGE.
Cevada - A implantação de cevada segue em fase inicial. Consolida-se a expectativa de expressiva redução de área cultivada na Safra 2026, estimada em mais de 30% em relação ao ciclo anterior. A retração decorre da maior percepção de risco climático associada à possível atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera, o que diminui o interesse dos produtores pela cultura, mesmo diante da oferta de contratos de integração com a indústria cervejeira. Nas áreas já estabelecidas, as condições de desenvolvimento inicial são satisfatórias, com boa emergência e crescimento vegetativo. A área cultivada em 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Em 2025, a área plantada foi de 32.010 hectares, com produtividade média de 3.622 kg/ha.
CULTURAS DE VERÃO
Soja - A colheita da soja está em encerramento no Estado. Restam apenas pequenas áreas de segunda safra. Contudo, a elevada umidade relativa do ar, associada à ocorrência frequente de neblina e à reduzida insolação, retardou a perda de umidade dos grãos e limitou o avanço da operação. Nas lavouras tardias e de safrinha, observa-se redução do potencial produtivo, em razão do aumento da incidência de doenças foliares, em especial oídio e ferrugem.
Com o encerramento da safra, intensificam-se os trabalhos de pós-colheita, como correção da fertilidade, recuperação de áreas com erosão, classificação de grãos para armazenamento e implantação de pastagens e coberturas de inverno. A produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar está em 2.871 kg/ha, e a área cultivada, em 6.624.988 hectares. Nova avaliação de produtividade está em execução e será divulgada nos próximos informativos.
Milho - A colheita de milho alcança 97% da área cultivada. As lavouras remanescentes correspondem a pequenas propriedades em cultivos implantados em sucessão a milho ou feijão, nos períodos mais tardios do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). De modo geral, as lavouras tardias apresentam desempenho produtivo satisfatório, embora a elevada umidade dos grãos colhidos exija secagem para a manutenção da qualidade durante o armazenamento. Em áreas ainda em enchimento de grãos, os impactos das geadas foram limitados e localizados, sem comprometer de forma significativa o potencial produtivo estadual.
Milho silagem - A colheita de milho para silagem se encontra em fase final, ultrapassando 98% da área cultivada no Estado. As condições meteorológicas predominantes favoreceram a conclusão das operações. As geadas registradas em maio provocaram danos localizados em parte das lavouras remanescentes, caracterizados por queima foliar e redução pontual da qualidade da forragem destinada à ensilagem.
Feijão 2ª safra - A colheita da segunda safra de feijão avança para o terço final no Estado. As lavouras remanescentes se encontram em maturação, sendo influenciadas pelas condições de frio e elevada umidade relativa do ar, observadas nas últimas semanas. As geadas provocaram danos foliares de baixa intensidade em parte das áreas, sem comprometimento expressivo das vagens e dos grãos. Entretanto, o ambiente favorável ao desenvolvimento de doenças e o prolongamento do período de maturação tendem a reduzir o potencial produtivo das lavouras ainda não colhidas. A expectativa é de conclusão da colheita ao longo da primeira quinzena de junho, na maior parte das regiões produtoras.
Arroz - A colheita do arroz foi concluída no Estado, confirmando as elevadas produtividades e a qualidade dos grãos colhidos. No entanto, o cenário pós-colheita permanece desfavorável sob o ponto de vista econômico, em razão das cotações inferiores aos custos de produção e das dificuldades de comercialização, decorrentes da alta oferta do produto. A liquidez reduzida tem limitado a capacidade de negociação dos rizicultores, enquanto a valorização de insumos estratégicos, especialmente fertilizantes, deteriora a relação de troca e aumenta a cautela em relação aos investimentos para a próxima safra. De acordo com o Instituto Riograndense do Arroz (Irga), a área cultivada é de 891.908 hectares.
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