Soja nos US$ 9/bushel em Chicago, Brasil segue dependente do dólar para garantir renda

Publicado em 05/12/2018 08:55 e atualizado em 05/12/2018 13:51
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Projeção da Céleres Consultoria, preços não devem superar esse patamar diante dos elevados estoques globais, principalmente os norte-americanos. Sem acordo entre China e EUA, Brasil não teria ainda condições de atender a nação asiática e teria que ampliar sua área em 2 milhões de hectares.
Anderson Galvão - Céleres Consultoria - Uberlândia

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Entrevista com Anderson Galvão - Céleres Consultoria - Uberlândia

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O analista Anderson Galvão, da Céleres Consultoria, destacou ao Notícias Agrícolas alguns fatores que podem ser fundamentais para que os produtores de soja fiquem atentos nos próximos meses.

O primeiro desses fatores é o El Niño. De acordo com o histórico do fenômeno, as chuvas devem começar a ficar escassas em janeiro na região do Matopiba. Essa região já sofreu bastante com a estiagem anteriormente e os agricultores estão em processo de recuperação de renda, de forma que a atenção é necessária para este momento.

Entretanto, o que mudou é que o agricultor investiu na formação de perfil de solo, de forma que o impacto tenda a ser menor do que três, quatro anos atrás.

Ele também destaca que as manifestações do presidente eleito, Jair Bolsonaro e de sua equipe trouxeram preocupação para o setor agrícola, por serem consideradas erráticas em relação a alguns parceiros comerciais do Brasil. Entre países árabes e Irã, o Brasil exporta cerca de US$10 bilhões por ano. A China ainda precisa da soja dos Estados Unidos, logo, o país não conseguiria atender essa demanda.

Ele ainda salienta que a Céleres possui uma projeção de que a soja não deve trabalhar acima dos US$9/bushel em função dos estoques elevados a nível mundial. Há mais soja sendo produzida do que o mundo consegue consumir. Assim, o Brasil seguiria dependente do dólar para obter renda.

Safra de soja 2018/19 do Brasil pode chegar a 130 mi t, diz Céleres

  • CAMPINAS (Reuters) - A produção brasileira de soja pode ficar entre 123 milhões e 130 milhões de toneladas na temporada 2018/19, um recorde histórico, disse Anderson Galvão, CEO da consultoria agrícola Céleres, nesta terça-feira.

Outros países na América do Sul também devem colher uma grande safra, disse Galvão durante evento em Campinas, indicando que os preços de referência da oleaginosa não devem superar os 9 dólares por bushel em 2019.

"Apesar dos baixos preços internacionais, os produtores de soja, milho e algodão brasileiros conseguirão lucrar", disse Galvão.

Fatores como a desvalorização da moeda e os prêmios nos portos estão dando suporte aos preços no interior do Brasil. Porém, ele acrescentou que a trégua na guerra comercial entre Washington e Pequim para negociar novos termos comerciais já está pressionado os prêmios brasileiros nos últimos dias.

Riscos climáticos causados pelo fenômeno El Niño podem afetar as lavouras entre janeiro e março, apesar de o impacto sobre os preços da soja serem limitados pelos grandes estoques globais, disse Galvão.

Apesar do tempo, no geral, ter sido favorável durante a temporada 2018/19 no país, o El Niño pode causar secas na região de Mapitoba, que deve responder por quase 12 por cento da produção da oleaginosa do Brasil neste ciclo, de acordo com estimativas do governo.

Incertezas relacionadas ao custo do transporte após o governo estabelecer preços mínimos de frete ainda estão restringindo as vendas antecipadas de grãos, ele acrescentou, sem elaborar.

Brasil pode expandir área agrícola em 43 mi hectares, diz SLC

CAMPINAS (Reuters) - O Brasil, que responde por cerca de 7 por cento da produção mundial de grãos, tem potencial para expandir a terra cultivável em cerca de 43 milhões de hectares na região do Cerrado, afirmou o CEO da SLC Agrícola <SLCE3.SA> nesta quarta-feira.

Aurélio Pavinato disse em um evento do setor em Campinas que essa área poderia ser usada para aumentar a produção de grãos e cana-de-açúcar no país.

O Brasil deve responder por cerca de 18 por cento das exportações globais de grãos na temporada 2018/19.

O país está a caminho de produzir 235 milhões de toneladas de grãos no atual ciclo, com as exportações de grãos chegando a 107 milhões de toneladas, disse Pavinato, citando dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Segundo o executivo, os agricultores dos Estados Unidos cultivam cerca de 100 milhões de hectares com grãos, enquanto o total no Brasil é de cerca de 46 milhões de hectares.

"Expandir a produção agrícola exigiria investimentos pesados", disse o executivo da companhia, grande produtora de grãos, sem detalhar os custos.

O Brasil tem cerca de 180 milhões de hectares de pastagens, e partes dessa área poderia ser convertida em terra agrícola, o que aumentaria a área destinada à produção de grãos sem prejudicar o meio ambiente ou usar áreas de conservação, disse ele.

"O Brasil poderia liberar até 70 milhões de hectares de pastagens para agricultura em um período de entre 30 e 40 anos", disse Pavinato.

(Por Ana Mano)

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Por: João Batista Olivi
Fonte: Notícias Agrícolas

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