Parceria com a Índia diminuiria dependência comercial com a China, diz presidente da UPL

Publicado em 24/01/2020 15:24 e atualizado em 25/01/2020 17:17
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Missão brasileira na Índia visa estreitar relações e ampliar negócios entre os dois países, diz Fábio Torretta, presidente da UPL
Fabio Torretta - Presidente da UPL Brasil

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Entrevista com Fabio Torretta - Presidente da UPL Brasil sobre a Relação comercial Brasil X Índia

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Bolsonaro chega à Índia e diz que 'campo está aberto' a investimentos

Nova Délhi - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, 24, que o "campo está aberto" para investimentos na Índia. Ele desembarcou na manhã desta sexta-feira em Nova Délhi para sua primeira viagem oficial ao país. Ele é convidado de honra do Dia da República da Índia, no domingo (26).

"(O convite) demonstra interesse deles para com o Brasil. Aqui está na casa de 1 bilhão e 200 milhões de habitantes, então por si só você vê que o potencial de comércio com o Brasil é muito grande. Eles têm interesse em nós e nós temos interesse neles", disse o presidente.

A cidade de Nova Délhi está com cartazes e outdoors de boas vindas a Bolsonaro escritos em português e no idioma local, ao lado do primeiro-ministro Narendra Modo.

O presidente também comentou sobre o etanol, um dos principais assuntos a serem discutidos nas reuniões dos próximos dias. "Se eles agregarem mais etanol na gasolina, o açúcar se equilibra no mundo. Então, tem um campo muito largo para a gente negociar aqui na Índia".

Convidado de honra do governo indiano para os festejos da República no domingo, em Nova Délhi, Bolsonaro também deverá ir a Agra para conhecer o Taj Mahal, um dos principais pontos turísticos do país.

Os compromissos oficiais só começam no sábado, 25, e o desembarque em Brasília está marcado para a terça-feira, dia 28.

No sábado, Bolsonaro se reúne com os três principais líderes de Estado e governo da Índia. Há previsão de reunião com o primeiro-ministro Modi e com o presidente Kovind, que deve ser acompanhado pelo vice Venkaiah Naidu.

Acordos

Bolsonaro foi convidado por Modi para acompanhar o Dia da República em novembro do ano passado, quando o primeiro-ministro indiano esteve em Brasília para o encontro de cúpula dos líderes do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Na oportunidade, Bolsonaro e Modi tiveram uma reunião no Palácio do Planalto. Bolsonaro apontou o desejo de ampliar a parceria nas áreas de biocombustíveis e ciência e tecnologia, enquanto Modi ressaltou interesse fortalecer parceria no processamento de alimentos e na área agropecuária.

Com a ida de Bolsonaro à Índia e a nova reunião entre os presidentes, há previsão de assinatura de atos entre os dois países, seguida de declaração à imprensa.

Entre as áreas com maior potencial está o agronegócio. Os indianos pretendem direcionar parte da produção de cana - que hoje vira açúcar - para aumentar a porcentagem de álcool na gasolina. Hoje, essa mistura não passa de 7%. O objetivo é chegar a 10%, até 2022, e a 20%, em 2030. A redução da oferta de açúcar teria um impacto nos preços internacionais do produto. Segundo o governo indiano, para atingir a marca, a experiência do Brasil no setor de biocombustíveis é fundamental.

Antes do embarque, Bolsonaro falou sobre a expectativa para a viagem durante uma rápida entrevista na saída do Palácio da Alvorada. O presidente declarou que o Brasil gostaria de ver a Índia utilizar mais etanol em seus combustíveis. "É um grande interesse nosso que eles usem mais etanol no combustível deles, que daí, entre a lei da oferta e da procura, eles produzem menos açúcar e ajudam a equilibrar o mercado", afirmou o presidente.

Já os indianos, que são referência em tecnologia e inovação, podem oferecer soluções em áreas como análise de big data, inteligência artificial, internet das coisas e segurança cibernética. Hoje, a Índia é o segundo país com mais startups de tecnologia no mundo.

Uma parceria comercial com o país diminuiria a dependência brasileira em exportações para a China, ainda mais neste momento em que o país asiático pode dar preferência em comprar produtos agrícolas dos Estados Unidos. Para as importações a dependência também diminuiria, já que 60% dos agroquímicos utilizados no Brasil são de origem chinesa.

Tereza Cristina participa de seminário Brasil-Índia em Nova Délhi

São Paulo, 24/01- A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, participa neste sábado, em Nova Délhi, na Índia, de uma reunião com o governo local e de almoço oferecido pelo primeiro-ministro Narendra Modi ao presidente Jair Bolsonaro. Em nota, a pasta diz que estão previstos acordos e cooperações nas áreas de investimentos, previdência social, energia, recursos minerais, segurança cibernética, cooperação jurídica, saúde, ciência e tecnologia e cultura.

Na segunda-feira (27), será realizado seminário empresarial Brasil-Índia, organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), com participação de Bolsonaro, de Tereza Cristina e demais ministros brasileiros.

Na quinta-feira (23), Tereza Cristina reuniu-se com o ministro da Agricultura e Bem-Estar dos Agricultores, Narendra Singh Tomar. "Os dois discutiram cooperação em pesquisa agropecuária e se comprometeram em agilizar colaborações nos setores de cana-de-açúcar, gado de leite e búfalos", disse a pasta.

Outro encontro foi com o ministro de Abastecimento, Alimentos e Distribuição Pública, Ram Vilas Paswan, sobre parcerias na área de etanol. "A ministra Tereza Cristina reforçou que a expertise brasileira no setor pode ajudar a Índia a ampliar a produção do biocombustível."

Veja também:

>> Agronegócio e parcerias tecnológicas marcarão visita de Bolsonaro à Índia

>> Índia é mercado potencial para importação de frango brasileiro, mas taxas ainda atrapalham

>> Na Índia, Tereza Cristina pede ao país que produza mais etanol e reduza tarifa de importação sobre carnes

Por: Aleksander Horta e Ericson Cunha
Fonte: Notícias Agrícolas

3 comentários

  • Geovani Salvetti Ubiratã - PR

    Parabéns Bolsonaro... Esse é o nosso Presidente ... já rodou as principais potências mundiais atrás de negócios,... exportar, trazer investimento estrangeiro e tornar o Brasil em celeiro mundial, maior produtor e exportador de grãos, carne e se fortalecer na indústria, ... enquanto Lula só sabia dar dinheiro do povo brasileiro para Cuba, Venezuela, Moçambique entre outros países comunistas que nos deram o calote... Ele, seus filhos e o PT fizeram caixa 2 no Brasil em nome de laranjas e fora nesses países com bilhões desviados como empréstimos e doação... Até seus tataranetos estão milionarios.... Graças a DEUS esse câncer chamado PT está curado...

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    • ari couto Bonfim - BA

      Há controvérsias. Se, na visão do mundo, com o golpe, o país parecia ter definitivamente caído no fundo do poço, com Bolsonaro tornamo-nos um pária do planeta. A não ser governos de direita (Índia, Hungria, USA, Israel, etc), vários, como Bolsonaro, flertando com o nazi-fascismo, ninguém quer contato com o Brasil, a não ser a fria relação comercial. Alvo de inúmeras manifestações contra sua visita á`Índia, lá Bolsonaro confraternizou com seu similar, Narendra Modi, também eleito pelo fundamentalismo religioso, essa praga que está ameaçando o mundo. Modi odeia os muçulmanos e ameaça 200 milhões deles que vivem no país, como Bolsonaro odeia os pobres e os persegue sem dó nem piedade.

      Por todos os ângulos que se olhe, só vemos devastação: educação e o vexame do Enem, fila de 2 milhões de pessoas para aposentar, 500 mil pessoas tentando conseguir o Bolsa Família, verdadeira devastação ambiental, agressão sistemática à imprensa inclusive com ameaças ao jornalista Greenwald e, o que é mais grave, humilhante sujeição aos USA, inclusive com brasileiros sendo deportados com algemas sem uma palavra de protesto do serviçal do Trump e que, fiel a seu amo e senhor, correu para apoiar o golpe na Bolívia e, juntamente com Israel, foram os únicos no mundo a aprovar o criminoso embargo contra Cuba recentemente

      Mesmo indicadores supostamente otimistas, mostram realidade bem diversa quando são abertos. Semana passada, por exemplo, alardeou-se a abertura de 644 mil vagas de emprego. Apenas o G1, da imprensa comercial, a meu conhecimento, chamou atenção para o fato de que 16,5% por cento serem empregos intermitentes, dos quais 43% ganhando menos que um SM. Ou seja, não saímos do lugar, a menos que se considere sub-emprego como emprego. O mesmo se aplica ao alardeado crescimento dos investimentos estrangeiros e o aumento na arrecadação.

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    • Rafael Antonio Tauffer Passo Fundo - RS

      Que coisa engraçada Ari, apenas um ano de governo e o Bolsonaro estragou tudo o bom era no tempo da PTzada ....

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  • Vinícius de Araújo Aguiar Sarandi - RS

    A Índia é um mercado enorme. O país tem muito a crescer ainda. Está longe de ser uma China. Mas os negócios estão lá, acontecendo e nós podemos ser parceiros número 1. É até um povo mais fácil de negóciar.

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    • marco antonio stahlschmidt Araquari - SC

      A Índia, infelizmente, nao é o parceiro comercial ideal para o Brasil. Tudo o que nos produzimos a Índia tambem produz, entao ela está mais para concorrente do que para parceiro. Tive uma experiencia , uma certa vez, em que forçamos uma exportação de carne de frango, exportado por Santa Catarina. Foram 32 toneladas de cortes especiais. dentro do maior rigor. A Índia nunca mais se manifestou, nao disse se gostou ou nao. Tambem nunca mais comprou nada. A conclusao e´ que a religiao impera sobre os cidadãos indianos......

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      A India ficou esperando o vendedor para tirar o segundo pedido----Ao invez disso o vendedor ficou esperando que a India o chamasse----E tudo acabou no zero a zero----

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    • marco antonio stahlschmidt Araquari - SC

      ....bon jorny, sinhore carlo...., o vendedor fez inumeras tentativas de contato para vender mais produtos aos indus, se propos de ir ate´mumbai, fazer uma visita tecnica, mas nao obteve sucesso. a india produz arroz. o Brasil produz arroz. a india produz açucar, o Brasil produz açucar. a india produz algodao, o Brasil produz algodao. o Brasil produz carnes. os indus nao comem carne,......

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    • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

      Não devemos nos esquecer que China, Índia são países localizados no Oriente. Nós somos ocidentais e, a forma de pensar usa as raízes dos filósofos gregos. Cuja base é .... A lógica e a razão. ... .... ... Qual é a forma de pensar do Confucionismo e, do Hinduísmo? .... ... ... Essa diferença é primordial para começarmos a entender, como negociar com eles?

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  • Elton Szweryda Santos Hortolândia - SP

    Brasil / India, grandes paises juntos 1.5 bilhao hab. pacificos por natureza, anti socialistas, ambos tem muito a ganhar em todas areas, e na India ainda nao usam muita soja, o que pode mudar e favorecer o agro brasileiro.

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    • EDMILSON JOSE ZABOTT PALOTINA - PR

      É isso mesmo Elton. Para quem dizia e pregava que o Presidente Bolsonaro , estaria destruindo a imagem do Brasil no Exterior está tendo que engolir atravessado . A cada dia e a cada viagem do Presidente Bolsonaro e seus Ministros , novas portas se abrem para os nossos Produtos . BRASIL seleiro de alimentos para o mundo .

      Ninguém segura o Brasil . Para o desespero da esquerda corrupta.

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