Pecuaristas do Centro-Oeste falam sobre a baixa oferta de animais e projetam normalidade só depois de 2023

Publicado em 25/01/2021 12:58 e atualizado em 25/01/2021 18:10 4503 exibições
Carlito Guimarães e Renato Esperidião - Pecuaristas
Além do ataque de cigarrinhas e do baixo volume de chuvas, reduzindo qualidade das pastagens, por causa do alto custo da reposição, pecuaristas preferem demorar mais para entregar animais mais pesados

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Entrevista com Carlito Guimarães e Renato Esperidião - Pecuaristas sobre o Mercado do Boi Gordo

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O Notícias Agrícolas conversou com pecuaristas do Centro-Oeste para entender como que está a oferta de animais e sobre o baixo volume de chuvas e ataque das cigarrinhas em algumas localidades que estão compromentendo a qualidade dos pastos. Diante dos altos custos da produção, os produtores estão preferindo atrasar a entrega dos animais mais pesados. 

O pecuarista da região de São José do Xingu/MT, Carlito Guimarães, ressalta que a oferta de animais segue restrita e poucas fêmeas estão sendo abatidas neste período em função da mudança do ciclo pecuário. “A fêmea sempre participou mais do mercado no início de janeiro até a entrada dos animais de pasto, que costumam aparecer após dia 15 de fevereiro. Com o preço atual do bezerro, as vacas não estão sendo mais destinadas ao abate”, afirma. 

Com os atuais preços da arroba, muitos pecuaristas no Mato Grosso optaram por deixar os animais no confinamento para aproveitar os preços elevados. “Muitos produtores fecharam confinamento para abater no final de março e começo de abril. Eu acredito que até meados de fevereiro o mercado vai ficar carente de oferta, porém a expectativa é que o boi de pasto comece a aparecer no meio do próximo mês”, informou Guimarães. 

O pecuarista da região de Goiânia/GO, Renato Esperidião, destaca que os pequenos e médios frigoríficos estão determinando os preços da arroba no estado de Goiás. “A questão de preço era determinada por indústrias de porte grande e os pequenos se adaptavam, mas agora o cenário é inverso, os frigoríficos estão buscando preencher as escalas de abate e pagando muito mais que as indústrias maiores”, aponta. 

Outro fator que está preocupando os pecuaristas no estado de Goiás, é a redução do volume das precipitações em 20% a 25% se comparado com o mesmo período do ano passado. “Estamos sofrendo com a cigarrinha e com a escassez de chuvas que não é comum nesta época do ano, mas estamos observando a falta de precipitação no Vale do Araguaia, norte do estado e sul do Tocantins”, disse Esperidião. 

Com relação ao preço do boi, Guimarães reforça que as cotações devem seguir sustentadas ao longo do ano. “Se o frigorífico fosse mais parceiro do criador nós teríamos um mercado mais estável. Os pecuaristas trabalham no vazio e as indústrias não estão preocupadas com os produtores rurais e nem com o setor. Atualmente, o boi está sendo negociado a R$ 290,00/@ no sul do Pará e R$ 285,00/@ no Mato Grosso”, comenta Guimarães. 

Já no estado de Goiás, os negócios para o boi gordo estão ocorrendo ao redor de R$ 285,00/@ a R$ 290,00/@. “O que tem surpreendido são os valores da vaca em torno de R$ 275,00/@ e faixa de valor da novilha está ao redor de R$ 300,00/@. Eu acredito que os preços da arroba devem ficar estáveis no curto prazo”, afirma Esperidião.

Com os custos com a alimentação para o confinamento neste ano devem ser planejados, já que os valores do milho estão elevados. “O confinador que não tiver as contas em dia vai sofrer neste ano e contratos fechados com empresas idôneas, pois quando o boi ou a alimentação sobe muito tem empresas que não querem honrar com os negócios”, conclui Esperidião. 

Por:
Aleksander Horta e Andressa Simão
Fonte:
Notícias Agrícolas

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