Arroba futura do boi deveria ser de R$470 para estimular oferta no primeiro trimestre de 2027, alerta analista

Necessidade de estimular a produção de animais vai potencializar movimento de alta da arroba nos próximos meses
Publicado em 02/10/2026 14:12 | Atualizado em 04/10/2026 21:11
Marcos Araújo - Analista da Agrinvest
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Arroba futura do boi deveria ser de R$470 para estimular oferta no primeiro trimestre de 2027, alerta analista

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O mercado do boi gordo encerra mais uma semana consolidando um movimento de alta iniciado na segunda quinzena de setembro, abrindo espaço para projeções de que a arroba possa alcançar a marca de R$ 400,00 no mercado físico. A combinação de oferta restrita de gado pronto, retenção de matrizes e forte ritmo de exportações tem sustentado as cotações, ao mesmo tempo em que os custos da reposição desafiam as margens dos pecuaristas.

Disparada de preços e oferta restrita

Durante a edição do programa Pecuária & Mercado, Aleksander Horta conversou com Marcos Araújo, analista da Agrinvest, que detalhou o cenário de valorização do boi gordo. De acordo com o especialista, enquanto os indicadores oficiais em São Paulo já operam na faixa de R$ 366,00, negócios pontuais já foram confirmados a R$ 380,00 por arroba no estado, com frigoríficos trabalhando com escalas curtas e ofertas muito limitadas.

"O mercado está com ofertas bem limitadas de boi gordo. Já tivemos negócios confirmados no estado de São Paulo a R$ 380 a arroba, e muitos pecuaristas já estão com o número mágico de R$ 400 a arroba no mercado físico", destacou Marcos Araújo.

Custos de reposição e margem do confinador

Apesar do otimismo com a alta, a conta para quem depende da compra de animais de reposição exige atenção redobrada. Essa conjuntura reduz a margem ou até inviabiliza novos lotes de confinamento que não estejam protegidos por travas de preço.

Ao simular um animal confinado por 120 dias no Paraná, Araújo explicou que, diante do custo de reposição e da nutrição, os contratos futuros na B3 em torno de R$ 396,00 a R$ 397,00 ainda resultariam em prejuízos da ordem de R$ 500,00 por cabeça. Para equilibrar essa conta histórica de rentabilidade, o mercado futuro precisaria atingir níveis próximos a R$ 470,00 por arroba.

Diante desse risco, o analista reforçou a relevância das ferramentas de proteção de preço, especialmente o uso de opções de venda (put) na B3 para travar um piso sem abrir mão de eventuais valorizações do boi físico: "Sempre o mercado de alta é muito oportuno para você garantir bons níveis de proteção de preço. Comprar put sai mais barato e evita que o pecuarista seja pego de calça curta em eventos imprevistos", alertou.

Força das exportações e demanda internacional

Outro pilar de sustentação para a pecuária nacional vem do mercado internacional. O Brasil lidera as exportações mundiais de carne bovina com cerca de 30% do comércio global, exportando aproximadamente 4 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC), bem à frente da Austrália, segunda colocada com 2,17 milhões de TEC. Além disso, o segmento de exportação de gado em pé continua forte, absorvendo parte expressiva dos animais e competindo diretamente com a reposição interna.

Mesmo com a arroba brasileira negociada ao redor de US$ 70 a US$ 80, a proteína brasileira segue muito competitiva frente a concorrentes como Argentina (US$ 83), Uruguai (US$ 87) e China (US$ 164 a US$ 170). A recomposição dos rebanhos norte-americanos em níveis historicamente baixos e a inflação alimentar nos Estados Unidos também sustentam o apetite por carne brasileira.

Desafios no consumo doméstico

No mercado interno, que absorve cerca de dois terços da carne bovina brasileira, o boi casado no atacado paulista atingiu R$ 25,00 por quilo de carcaça. O grande teste nas próximas semanas será avaliar se o consumidor final, pressionado pelo endividamento das famílias e pela concorrência com carnes alternativas mais baratas, como suína e de frango, conseguirá absorver esses repasses no varejo.

Indicadores do mercado físico e futuro

Os números consolidados no programa apontaram alta generalizada nos principais referenciais do boi gordo: Datagro a R$ 367,20 (+0,49%), Cepea a R$ 366,50 (+0,60%), Agrobrazil a R$ 365,29 (+1,38%) e Scot Consultoria a R$ 362,00 (+0,55%). No segmento de reposição, o bezerro Cepea/Esalq abriu outubro cotado a R$ 3.453,55 em Mato Grosso do Sul (+0,22%) e a R$ 3.286,99 em São Paulo (+0,26%).

Na B3, os contratos futuros mantiveram viés positivo, com outubro/26 negociado a R$ 387,10 (+0,38%), novembro/26 a R$ 395,50 (+0,44%), dezembro/26 a R$ 395,00 (+0,47%) e janeiro/27 a R$ 395,20 (+0,18%).

* Com auxílio de IA

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