Brasil deve ter nova semana de vendas fortes de soja e atenção à comercialização do milho
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A semana começa com os mercados de grãos caminhando de lado na Bolsa de Chicago, com os traders já muito cientes das notícias que têm que continuar enfrentando, em especial às relacionadas à guerra comercial. No caso da soja, o farmer selling brasileiro é um componente a mais, tendo tido uma semana bastante intensa e devendo continuar assim nos próximos dias. Diante disso, o movimento do dólar também não escapa da atenção dos traders.
"E o câmbio depende, totalmente, do macro, de como vai ficar essa situção, o crescimento da China, mercado precificando fuga do dólar, ouro subindo", explica o analista do complexo soja da Agrinvest Commodities, Eduardo Vanin. "E daqui cerca de 20 dias, vamos começar a prestar atenção no clima americano, ritmo do plantio e o que isso vai trazer de impacto, principalmente para o milho".
Na soja, com os números atualizados pela consultoria, os barcos comprados pela China chegaram a 68 na semana passada e essa força da comercialização brasileira tende a continuar. "Devemos continuar vendo números bons durante esta semana, e o chinês vai cobrindo. Maio, junho ainda precisa cobrir bastante, julho e agosto. Deu margem para o chinês - isso també é importante, porque o farelo por lá subiu - e se continuar esa combinação boa - produtor querendo vender, o chinês querendo comprar e, no meio do caminho a trading fazendo dinheiro - deve continuar", diz.
MERCADO DO MILHO
E para o milho, o mercado deve estar atento à nova safra americana, em especial por conta da projeção de um considerável aumento da área e de uma safra com potencial de 400 milhões de toneladas, necessitando de um forte programa de exportação para, na sequência, não acumular estoques muito altos.
Com o plantio correndo rapidamente - como é a sinalização até este momento - os preços na CBOT podem ser pressionados e voltarem ao patamar dos US$ 4,00 por bushel. Assim, para o produtor brasileiro que tem segurado suas vendas de milhio neste momento, uma estratégia seria vender Chicago.
"Neste cenário, seria uma boa estratégia, dados os fundamentos que aqui no Brasil são diferentes. O produtor está confiante. O flat price do milho em reais por saca não mudou muito, desde o começo da comercialização até agora. E o produtor não se vê muito animado a aumentar muito suas vendas porque não vai mudar muito suas médias. E nos últimos dois anos, o produtor que não vendeu acertou, preços melhores no final do ano. Mas, vamos acompanhando, porque vejo Chicago com um bushel caindo, mas o câmbio podendo compensar parte disso", detalha o analista.
A comercialização da segunda safra de milho, ainda de acordo com os números da Agrinvest, chega a algo como 25% a 26%, um pouco a mais do que no ano passado, porém, abaixo do histórico de 33% a 35%.
Acompanhe a análise completa de Eduardo Vanin no vídeo acima.
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