Modelos começam a indicar possível atuação do La Niña e milho safrinha pode sentir os impactos

Publicado em 29/01/2020 12:36
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Entrevista com Luiz Renato Lazinski - Agrometeorologista sobre a metereologia
Luiz Renato Lazinski - Agrometeorologista

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Entrevista com Luiz Renato Lazinski - Agrometeorologista sobre a metereologia

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A passagem de uma nova frente fria já está em atuação no sul do país e desde quarta-feira (28) já são registradas chuvas em áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Segundo agrometeorologista, modelos de previsão para o segundo semestre já começam a sinalizar a possível atuação de um La Niña a partir do segundo semestre no Brasil. 

Segundo o agrometeorologista Luiz Renato Lazinski a frente fria passará de maneira rápida na região, se deslocando a partir de sábado para o Sudeste do Brasil. "A boa notícia é que ela traz chuva. Já está trazendo chuva hoje para o Rio Grande do Sul, amanhã já chega em Santa Catarina e Paraná", destaca Lazinski. 

Produtores rurais do Rio Grande do Sul estão sofrendo com a falta de chuvas e quebras expressivas de produtividade tanto para soja, como para o milho, já começam a ser contabilizadas na região. Segundo o agrometeorologista, a situação é crítica porque mesmo que as chuvas cheguem em algumas regiões, elas ainda acontecem de maneira muito irregular em todo o estado, prejudicando o desenvolvimento das culturas. 

"Todo mundo vai pegar chuva, só que os volumes vão ser muito diferentes", destaca. Ainda de acordo com Lazinsk, o cenário é esse porque 2020 é considerado um ano neutro para meteoroliogia e as irregularidades estão dentro deste padrão. 

"Quando você tem um ano neutro, você tem alguns bloqueios na atmosfera. Você tem aquele canal de umidade da Amazonia, que foi o que aconteceu no Sudeste com esses sistemas, frente frias que ficam paradas na região, sendo alimentadas com a umidade da região Amazonia e sendo alimentada com a umidade que vem do Oceano Atlântico", explica. 

As chuvas dos próximos tendem a melhorar as condições das lavouras no Rio Grande do Sul, mas destaca que os percas estimadas na produtividade do estado já estão consolidadas. "A estiagem já provocou um estágio, melhora as condições do solo, mas o prejuízos já estão aí e é impossível recuperar", afirma. 

Segundo o especialista, os modelos já começam a indicar a possibilidade da atuação de um La Niña a partir do começo do inverno, em junho. "Isso significa que para  região Centro-Norte do Brasil as chuvas serão mais regulares", destaca. Regiões como Mato Grosso, Matopiba, Tocantins não devem ter problemas com o desenvolvimento do milho safrinha. 

Por outro lado, o Centro-Sul do Brasil poderá ter irregularidade de chuvas a partir do inverno. Destaca ainda que para a região sul do país, o clima neutro já acaba impactando diretamente na produção agrícola dos três estados. "As chuvas vão continuar irregularidades. Vai chover, mas você corre o risco de ter um veranico ao longo da safrinha que pode trazer alguns transtornos", afirma. 

Veja a entrevista completa com Luiz Renato Lazinski no vídeo acima

Leia também:

>> Previsão indica volta das chuvas ao Rio Grande do Sul nesta 4ª feira

Veja o mapa de precipitação prevista para todo o país: 

Gif Clima - 2901
Fonte: Inmet 
 

Últimas 24 horas 

Nas últimas 24 horas foram registradas chuvas entre 30 e 40 milímetros de precipitação no norte de Minas Gerais. Ainda no Sudeste, os mesmos volumes foram registrados na região sul do Espírito Santo. 

Choveu em todo o estado do Goiás, com precipitações entre 20 e 30 milímetros, sendo os maiores acumulados registrados no leste do estado. 

Já no Tocantins, foram registrados acumulados de até 50 milímetros na região central do estado. No sul, as precipitações ficaram entre 20 e 30 mm. 

Também foram registradas chuvas no oeste da Bahia, com precipitações entre 20 e 25 mm. Ainda no Matopiba, também choveu no Maranhão, com volumes entre 25 e 30 mm. 

Confira o mapa de precipitação acumulada nas últimas 24 horas em todo o Brasil: 

24 horas - Inmet 29/01
Fonte: Inmet 

 

Por:
João Batista Olivi e Virgínia Alves
Fonte:
Notícias Agrícolas

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