Avicultura de corte e de postura: milho e farelo de soja sobem em ritmo muito mais acelerado que ovos e frango

Publicado em 16/11/2020 15:26 916 exibições
Luiz Gustavo Tutui - Analista de Mercado do Cepea
De acordo com analista de mercado, o que pesa mais na conta é o farelo de soja, já que há pouco volume disponível, é um componente importante das rações e de difícil substituição

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Entrevista com Luiz Gustavo Tutui - Analista de Mercado do Cepea sobre Relação de Troca

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A alta nos preços do frango vivo e os pequenos reajustes no valor dos ovos não têm acompanhado os aumentos vertiginosos dos principais insumos para a avicultura de corte e de postura, de acordo com Luiz Gustavo Tutui, analista de mercado do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). De acordo com ele, no caso do frango de corte, o poder de compra nesta primeira quinzena de novembro é o pior desde maio de 2018, e para o ovo, o mais desfavorável desde o início da série histórica, em 2013.

No caso do frango vivo, na parcial da primeira quinzena de novembro, o preço médio para o mercado paulista é de R$ 4,32/kg, valor 2,6% maior do que a média de outubro e 37,8% superior à novembro de 2019.

Já a média do preço da saca de 60kg de milho na primeira metade deste mês ficou em R$ 80,23 (referência Campinas), 11,3% a mais que outubro e 68,9% maior que novembro do ano passado. O farelo de soja, valendo agora R$ 2.663,00 a tonelada, é 10,8% do que o preço praticado em outubro e 106,2% maior que novembro de 2019.

Tendo estes dados como base, Tutui explica que com 1kg de frango é possível adquirir 1,62/kg de farelo de soja e 3,23/kg de milho. Esta relação de troca, a pior desde 2018, aponta para queda de 7,7% frente a outubro e recuo 33,5% comparado a novembro/19 para o farelo; em relação ao milho, a redução foi de 8,4% na relação de troca no comparativo com outubro e retração de 25,2% frente a novembro/19. 

"Ainda que em menor proporção, o mercado do frango ainda consegue ver alguns aumentos no preço pago pela ave, já que a competitividade em comparação às concorrentes (carne bovina e suína) é alta. Por outro lado, o mercado do ovo tem dificuldades em obter preços que remunerem melhor e está mais exposto", afirma. 

Na parcial do Cepea para a primeira quinzena de novembro, o preço da caixa com 30 dúzias do ovo extra branco (referência Bastos-SP), é de R$ 98,00, ligeira queda de 1,2% em relação a outubro. 

"Com este valor é possível adquirir 36,6/kg de farelo de soja, queda de 6,8% no poder de compra comaprado a outubro, e 72,9/kg de milho, recuo de 7,1% em relação ao mês passado. Essa é a pior relação de troca para o mercado do ovo desde o início da série histórica do Cepea, que começou em 2013", explicou.

A perspectiva até o final do mês é que a carne de frango, pelo menos, consiga manter os preços em estabilidade, já que segue sendo a mais competitiva. Entretanto, como é tradicional para uma segunda quinzena, o preço dos ovos pode diminuir, o que deixará a margem do avicultor de postura ainda mais pressionada.

 

Por:
Letícia Guimarães
Fonte:
Notícias Agrícolas

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