Produtores iniciam a colheita do alho e perspectiva é de safra maior nesta temporada

Publicado em 14/07/2016 10:29 e atualizado em 14/07/2016 15:08
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Grandes produtores conseguem uma produtividade de até 15 toneladas de alho por hectare. Período de colheita e importações devem pressionar os preços. Área cultivada registrou incremento de 20% nesta safra e Goiás e Minas Gerais são os principais produtores de alho. Agricultores investem em câmeras frias para armazenar o produto e vender após o pico de colheita.

Os produtores rurais brasileiros iniciaram a colheita da safra de alho e a perspectiva é favorável tanto para a produção quanto para a qualidade do produto nessa temporada. A área destinada ao plantio da cultura registrou um incremento de 20% neste ciclo e nos principais estados produtores, Minas Gerais, Goiás e Bahia, o clima contribuiu para o desenvolvimento das lavouras.

O presidente da Anapa (Associação Nacional dos Produtores de Alho), Rafael Corsino, ressalta que o tempo mais seco ajudou no controle das doenças. “Nas principais regiões produtoras, as chuvas cessaram a partir de março, de maneira que o plantio foi realizado tranquilamente. E quando chove muito temos o ataque de doenças de solo e de folha, o que acaba prejudicando as plantações, mas esse ano foi diferente”, reforça a liderança.

Diante desse cenário, a projeção é positiva também para a produtividade das lavouras. O rendimento médio é diferente em cada região produtora e oscila conforme o nível de investimento feito pelos agricultores. “Porém, todos os produtores registraram aumento na produtividade. Temos os grandes com ganho de até 20% no rendimento, chegando a colher até 15 toneladas por hectare. Os pequenos que colhiam 10 toneladas, agora estão colhendo próximo de 12 toneladas por hectare”, afirma Corsino.

Preços

Em contrapartida, a perspectiva é de preços mais baixos em meio à intensificação dos trabalhos de colheita da cultura. Paralelamente, as importações do produto vindo da Argentina, China e Espanha também contribuem para aumentar a pressão sobre os valores.

“Temos nesse instante, valores entre R$ 12,00 a R$ 15,00/kg ao produtor, porém, nos supermercados o valor chega a R$ 30,00 até R$ 40,00 a caixa com 10 quilos. Normalmente, as cotações não são tão elevadas nesse período, mas tivemos uma quebra de safra na China e na Argentina em 2016, o que afetou todo o mercado mundial de alho. E os preços estão favoráveis aos produtores se capitalizarem”, sinaliza o presidente da Anapa.

Além disso, é preciso destacar que os custos de produção subiram em torno de 20% nesta temporada, especialmente em decorrência da valorização cambial e da mão-de-obra. Ainda segundo Corsino, os custos médios estavam próximos de R$ 70 mil a R$ 80 mil por hectare, contudo os valores aumentaram para R$ 110 mil por hectare nesta safra.

“Com isso, a produção de uma caixa de alho chega a R$ 80,00 aos produtores. No entanto, os grandes produtores já têm se preparado para esse momento do mercado e investido em câmeras frias. Dessa maneira, o agricultor consegue armazenar o produto e vender nos meses seguintes, de novembro a março. Essa medida ajuda a tirar um pouco da oferta do mercado e, consequentemente contribui para os produtores que não têm a mesma estrutura, tem sido uma boa estratégia”, explica Corsino.

Importações

Outra preocupação do setor está relacionada às importações de alho, uma vez que algumas empresas não pagam as tributações impostas pelo governo brasileiro. O presidente da associação ainda diz que desde 1994, há uma tarifa antidumping ao alho da China, uma maneira de proteger o produtor brasileiro.

“E também temos a Letec (Lista de Exceção à Tarifa Externa Comum) então quando o importador chega com o alho no Brasil, ele paga uma taxa de 35% de Imposto. Porém, quando essas medidas são descumpridas afetam a margem do produtor nacional, pois acabam competindo de maneira predatória e desleal com a nossa cadeia produtiva. Estamos tentando combater essas práticas, mas elas continuarem poderemos decretar a falência de muitos agricultores brasileiros”, finaliza Corsino.

Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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