Desvalorização do Yuan na China pode ser mais forte que demais moedas emergentes na tentativa de evitar perdas nas exportações

Publicado em 10/01/2017 14:37 e atualizado em 10/01/2017 18:50
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Mesmo com Trump ameaçando taxar as importações chinesas, o país asiático pode continuar desvalorizando a moeda para garantir acesso ao mercado americano além de manter seus produtos competitivos nos demais mercados
Confira a entrevista de Ênio Fernandes - Consultor em Agronegócio

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Como Dólar e Yuan vão se comportar e de que maneira isso pode beneficiar agronegócio no Brasil

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O câmbio pode ser um diferencial para a formação de preços em 2017. Os Estados Unidos aguardam a posse de Donald Trump, que será em 20 de janeiro, para observar como ficará o novo cenário do dólar.

Na visão de Ênio Fernandes, consultor em agronegócio, haverá um reposicionamento de ativos, com o mundo se readequando à situação. "Quando isso acontece, reflete no câmbio do país", explica. Para ele, a promessa de Trump de fornecer emprego para a classe média e baixa, vai exigir aumento dos gastos do governo e isso fará com que os Estados Unidos necessite emitir títulos de dívida para captar novos recursos.

Trump também promete investimentos nas forças armadas, inclusive com incremento da política nuclear do país o que  também poderá surtir o mesmo efeito, necessidade de captar recursos para implementar os projetos e gerar novos empregos.

Com a estratégia dando certo, vai aumentar a renda dos trabalhadores e consequentemente a necessidade de consumo. Para controlar uma disparada da inflação, o Banco Central Americano  terá que elevar a taxa de juros nos Estados Unidos, atraindo mais dólares para o país, vindos de outras economias do mundo. A consequência seria uma desvalorização de outras moedas frente ao dólar.

Fernandes acredita que essa trajetória de alta da moeda americana deverá acontecer ao longo de todo o ano de 2017e  poderá beneficiar países como o Brasil. Com real desvalorizado frente ao dólar, produtos de exportação ganham maior competitividade no mercado internacional. 

Mas no caso da China, em função do maior volume de negócios com os EUA e com produtos que disputam diretamente com a indústria americana, a desvalorização da moeda (Yuan) pode passar por um processo mais acelerado. " Se o Trump taxar as importações chinesas em 3%, o governo chinês imediatamente promove uma desvalorização no mesmo percentual da moeda local ". Por isso as análises feitas por bancos internacionais apontam para uma desvalorização mais intensa do Yuan ao longo de 2017. O Goldman Sachs por exemplo, projeta um aumento dos atuais 6,8 yuas por dólar para 7,3 yuas por dólar. Tudo para manter a competitividade da exportação chinesa.

Mas e as importações chinesas, com a desvalorização do yuan, comprar produtos de outros países não ficaria mais caro? Em partes, porque, segundo Enio Fernandes, a importação chinesa está focada  em produtos primários, que podem ser transformados e exportados com valor agregado. O consultor cita como exemplo, a soja, que se transforma em farelo e óleo e o excedente é exportado para os países vizinhos. 

Além do fator Trump nos EUA, o consultor lembra também que a forte crise de 2008 levou as economias a ofertarem dinheiro no mercado com juros abaixo da inflação, situação que perdura até hoje e começa a gerar problemas em alguns países. Logo, uma mudança nas taxas de juros globais também poderá mexer com o mercado de câmbio ao longo do ano.

No Brasil , essa desvalorização do real frente ao dólar vai beneficiar pequenos e médios produtores que exportam seus produtos pois terão mais competitividade no mercado internacional, enquanto os grandes produtores que possuem dívidas em dólar não terão grandes alterações em seus processos. O custo de produção poderá aumentar em função dos gastos maiores com insumos, por exemplo, que são importados e portanto sofrerão ajustes com a valorização do dólar. Mas como esse custo representa apenas parte dos gastos, cerca de 38% a 40%, os outros 60% serão compensados pela maior quantidade em reais que o produtor vai receber no final das contas. "O produtor tem mais a ganhar do que perder", aponta.

Ele destaca, por fim, que o Brasil não tem capacidade de ganhar mais mercado por conta do sucateamento da indústria. Um aumento do dólar poderá ser um fator positivo, mas não deve causar uma mudança drástica nas negociações.

Por: Aleksander Horta e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

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