Faça hedge; compre insumos; faça média na soja e não assuma dívidas

Publicado em 16/05/2018 11:23 e atualizado em 17/05/2018 13:47
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Produtor brasileiro precisa se proteger imediatamente, alerta Antônio da Luz, economista da Farsul.
Antônio da Luz - Economista - FARSUL

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Confira a entrevista com Antônio da Luz - Economista - FARSUL

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Nesta quarta-feira (16), o economista da FARSUL, Antônio da Luz, conversou com o Notícias Agrícolas para comentar algumas situações referentes à escalada do dólar e o que esse momento pode refletir nas decisões do agronegócio brasileiro.

Para ele, este não é um momento de contrair dívidas em dólar, já que, embora exista um um indicativo forte de que a taxa de câmbio deva continuar crescendo, este fator não é garantido para os próximos meses.

Orientações sobre o mercado da soja

Segundo Luz, este é um momento para que o produtor faça uma média e aproveite o preço da soja que está no mercado. O ideal, contudo, seria que os produtores utilizassem mecanismos de contratos de opções, o que resolveria o problema no que diz respeito a participar das altas, mas como essa não é uma operação frequente no Brasil, fazer uma média é uma saída para buscar um ajuste no momento atual.

Este, na visão do economista, também é um bom momento para comprar insumos. Independentemente da taxa de câmbio, o mês de maio é tradicionalmente conhecido como um período interessante para fazer essas operações, já que conta com uma baixa liquidez.

Ele aconselha os produtores a conversarem com um corretor e entender quanto está custando algumas opções de compra de taxa de câmbio para para ter algum ganho no mercado financeiro e equalizar a alta nos insumos.

Política externa

Ele aponta que o crescimento econômico dos Estados Unidos faz com que haja alguns sinais inflacionários e um ganho real no país norte-americano. Contudo, ele não concorda com a briga de Trump com a China para proteger o aço local, "porque não foi assim que os Estados Unidos chegaram onde chegaram".

Nesse momento, o dólar ganha valor. A Argentina, por sua vez, embora tenha conseguido refinanciar sua dívida pela manhã, sofre um ataque especulativo sobre sua moeda local, o peso, o que fez com que o presidente Maurício Macri buscasse a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Política interna

Na visão de Luz, fazer um atalho especulativo no Brasil é possível, "mas não é qualquer coisa que vai derrubar o real", já que o país possui uma grande reserva internacional. O que está ocorrendo, contudo, é um ajuste na taxa de câmbio que reflete na moeda.

A corrida eleitoral, até o momento, não traz nenhum candidato que defenda abertamente a bandeira do ajuste fiscal, o que vai contra as expectativas do mercado. O atual presidente, Michel Temer, não consegue aprovar mais nada neste momento e a Reforma Previdenciária, que também vinha sendo aguardada pelo mercado, não é mais comentada e não há garantia de que essas medidas terão continuidade.

Confira a entrevista completa no vídeo acima

Veja também:

>>> Dólar sobe e vai a R$ 3,67 de olho no cenário externo

 

Por: João Batista Olivi
Fonte: Notícias Agrícolas

2 comentários

  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Deixo claro aqui a quem assistir ou por interesse ver os vários vídeos do Paulo Guedes, reportagens, entrevistas, etc... que não concordo com tudo o que ele pretende fazer se chegar a ser ministro, mas é impossível negar que ele entende de economia. Entre o ideal e o possível, escolho o possível.

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Vocês não falaram do nome impronunciável não é? Jair Messias Bolsonaro, futuro presidente do Brasil, segundo as pesquisas. Mas não perderam a oportunidade de chama-lo de populista que foge do debate. Bem, apresento a vocês Paulo Guedes, futuro ministro do futuro presidente segundo as pesquisas. - http://www.infomoney.com.br/mercados/politica/noticia/7238914/paulo-guedes-otimismo-por-falta-opcao-chegamos-reformas-vamos-ter

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