Impacto da crise EUA x Irã ainda é limitado para formação de preços dos grãos no Brasil; perspectiva segue positiva

Publicado em 08/01/2020 10:15 e atualizado em 08/01/2020 14:19
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Para Steve Cachia, posição do BR ainda é favorável e cuidados devem ser maiores no posicionamento político e diplomático diante da importância dos iranianos como compradores do agro nacional. Cautela se estende também a outros países do Oriente Médio.
Steve Cachia - Consultor da Cerealpar e da AgroCulte

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Entrevista com Steve Cachia - Consultor da Cerealpar e da AgroCulte sobre os Impactos do ataque do Irã aos EUA nos mercados

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As questões geopolíticas ainda estarão por um bom tempo no centro das discussões para a formação dos preços das commodities agrícolas daqui em diante, principalmente, em função do agravamento das relações entre Irã e Estados Unidos. A avaliação é do consultor Steve Cachia, da Cerealpar e da Agroculte. Assim, os fundamentos, mais uma vez, podem ficar um pouco mais 'de lado' no andamento das cotações. 

O que traz alguma limitação aos impactos dessa crise são as demais questões - também geopolíticas - que estão em andamento, como a assinatura da fase um do acordo comercial entre China e Estados Unidos em 15 de janeiro, como está previsto. Mais do que isso, ainda segundo Cachia, é preciso acompanhar quais serão os próximos passos nessa crise entre os governos iraniano e norte-americanos. 

"O mercado, como um todo, está precoupado", diz o especialista. O principal e mais imediato efeito vem sobre os preços do petróleo, que mais uma vez registraram expressiva alta na abertura dos negócios, mas logo passaram para um movimento de ajuste, com perdas consideráveis. 

Assim, o alerta chega também para os impactos sobrea logística - inclusive no Brasil, onde os preços mais altos do petróleo podem promover um aumento no valor da gasolina e, consequentemente, do etanol. "Quanto mais sobe o petróleo, mais economicamente viável fica o etanol e aumenta o consumo", diz. 

No entanto, Cachia reafirma que se trata de um momento inicial da crise, onde as especulações ainda são muitas e, por isso, o acompanhamento de cada nova ação tem que ser constante. 

O consultor acredita ainda que a posição do Brasil ainda é favorável, entrentanto, precisa redobrar os cuidados no posicionamento político e diplomático diante da importância dos iranianos como compradores do agro nacional. E a cautela se estende também a outros países do Oriente Médio.

"Nosso papel aqui não é ficar do lado de um ou de outro. Existe um consenso de que o ataque dos EUA é justificado porque havia um risco para a segurança dos EUA, não se tratava de uma pessoa inocente que foi morta, por outro lado, se criou uma preocupação no mercado como um todo", acredita Steve Cachia. 

Dessa forma, para o executivo, as boas perspectivas para a formação dos preços dos grãos no mercado brasileiro estão mantidas, principalmente para a soja, uma vez que por aqui os fundamentos de oferta e demanda ainda deverão se sobressair. 

"Preços bons não devem ser desperdiçados", conclui Cachia. "Há momentos bons para soja e milho, e devem ser aproveitados porque o mercado vive de incertezas. Temos concorrência, mas o Brasil ainda está em posição de vantagem".

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Fernando Cardoso Gonçalves Santiago - RS

    Não deixa de ser interessante ler frases como "o mercado está preocupado"!... Onde já se viu algo assim? Quando se trata de "negócios" quer me parecer que seria "legítimo" tapar os olhos para atrocidades que o comprador ou o vendedor estejam praticando????. Não é apenas nessa questão entre EUA x Irã, mas em todas as questões que abrangem negócios. Eu sou obrigado a escutar gente falando em "tomar cuidado", " não se comprometer", etc. Isso é um absurdo! Veja o seguinte, se nós não aceitamos determinado tipo de atitude das pessoas (ou governos), por que quando efetivamos algum tipo de relação com países e povos diferentes dos nossos, temos que fazer de conta que isso não existe? O Brasil e o brasileiro precisa ter uma conduta padrão e exercê-la no dia a dia, onde buscamos o entendimento, a paz, mas, principalmente, a lisura no modo de agir. Eu considero atitudes como essa sugerida pelo entrevistado, como sendo um ato de corrupção. E no caso a corrupção, como sempre, é imoral. Olha, se qualquer país optar por não comprar nossos produtos, é por problema deles e não nossos. Agora não é possivel que tenhamos que nos converter ao Islã para poder negociar com eles, no futuro. E é o que eles querem. Abraço

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