Bolsonaro teme que oposição incentive quebra-quebras pelo País, e coloca Forças Armadas em alerta

Publicado em 07/04/2021 16:25 393 exibições
Tempo & Dinheiro - Com João Batista Olivi

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira que discutiu com as Forças Armadas se existe hoje contingente no país para conter distúrbios sociais no caso de um agravamento da crise causada pela epidemia de Covid-19 e voltou a dizer que teme problemas "gravíssimos" causados pelas restrições de circulação.

"Eu tenho dito publicamente: eu temo por problemas sociais gravíssimos no Brasil. Converso com as nossas Forças Armadas, se eclodir isso pelo Brasil, o que nós vamos fazer? Temos efetivo para conter? A quantidade de problemas que podemos ter pela frente... E outra: é uma explosão por maldade ou necessidade? O que podemos fazer para evitar isso daí, como nos preparar", disse.

Bolsonaro tem insistido na ideia de que pode haver saques e revoltas causadas pela falta de emprego e renda da população.

Em Chapecó, onde foi conhecer medidas tomadas pela prefeito da cidade, João Rodrigues, que supostamente teriam reduzido a necessidade de interação de pacientes --na verdade, de acordo com boletim da própria prefeitura hoje as UTIs estão com mais de 93% de ocupação-- Bolsonaro voltou a dizer que o Exército não será usado para obrigar as pessoas a ficarem em casa.

Dessa vez, no entanto, o presidente não usou a expressão "meu Exército", que foi muito criticada nas últimas semanas, mas "nosso Exército".

Na sequência, voltou a dizer que não decretará lockdown ou medidas de restrição como já foi pedido por governadores, prefeitos e até empresários.

"Seria muito mais fácil ficar quieto, se acomodar, não tocar nesse assunto. Ou atender como alguns querem de mim, para ter um lockdown nacional. Não vai ter lockdown nacional", disse.

O presidente lembrou que nunca foi favorável a medidas de restrição de circulação e reclamou de "apanhar" por ser contrário a elas.

"Eu acho que sou o único líder mundial que apanha isoladamente. O mais fácil é ficar do lado da massa, da grande maioria, se evita problemas, não é acusado de genocida, não sofre ataques por parte de gente que pensa diferente de mim. O nosso inimigo é o vírus, não o presidente, a governadora ou o prefeito", afirmou.

Especialistas têm repetido inúmeras vezes que medidas de restrição de circulação são necessários para conter a disseminação do vírus entre a população, como têm feito vários países ao longo da pandemia.

Por outro lado, Bolsonaro seguiu defendendo nesta quarta o chamado tratamento precoce, que prega desde o início da pandemia, com uso de medicamentos que não têm eficiência comprovada no tratamento da Covid-19, elogiando o prefeito de Chapecó, que disse, em um vídeo compartilhado por Bolsonaro, ter dado liberdade aos médicos da cidade para fazer o "tratamento precoce".

"Por que essa campanha mundial contra métodos, médicos e quem fala pelo tratamento imediato? Vamos buscar alternativas, não vamos aceitar a política do fique em casa, feche tudo lockdown. O vírus não vai embora. Esse vírus como outros vieram para ficar e vão ficar a vida toda, é praticamente impossível erradicar. Vamos ver nosso país empobrecer?", disse.

O presidente elogiou a ação do prefeito como um exemplo de controle da epidemia sem ter apelado a medidas de restrição. Rodrigues, no entanto, impôs sim medidas que proibiram eventos, fechou bares e restaurantes, reduziu horários do comércio, a partir da metade de fevereiro.

Isso porque os números de contaminados pela Covid-19 na cidade dispararam em janeiro, depois das festas de final de ano. Desde a adoção das medidas de restrição, a contaminação na cidade caiu, de acordo com dados da prefeitura.

No vídeo compartilhado por Bolsonaro, Rodrigues aparece comemorando que não havia mais internados no chamado Centro Avançado de Atendimento da cidade. Na verdade, os doentes do local foram distribuídos para outros hospitais, em Chapecó e em outras cidades do oeste catarinense. Nesta quarta-feira, de acordo com dados do site da prefeitura, o município ainda tem 100% de lotação das UTIs privadas e 93% de lotação nas UTIs públicas, uma média acima do considerado seguro pela Fundação Oswaldo Cruz.

Chapecó já teve, ainda segundo a prefeitura, 541 mortes por Covid-19, 409 delas acontecendo desde janeiro. Com uma população de 224 mil pessoas, isso significa que a taxa de mortes por Covid-19 no município, de 241 mortes por 100 mil habitantes, está bem acima da média nacional, de 160 por 100 mil habitantes.

Petistas rechaçam insinuação de Ciro a Lula; aliados do pedetista rebatem (no Poder360)

A declaração de Ciro Gomes (PDT) de que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deveria se espelhar na argentina Cristina Kirchner e ser vice em uma chapa na eleição presidencial foi rechaçada por petistas ouvidos pelo Poder360. Aliados do pedetista rebateram.

Cristina Kirchner é vice-presidente da Argentina, governada por Alberto Fernández. Ela presidiu o país de 2007 a 2015 e é uma das principais líderes da corrente política conhecida como peronismo, criada por Juan Domingo Perón (1895 – 1974). Da mesma forma, Lula é o principal líder do PT.

“Faço uma contraproposta a Ciro: se Lula realmente decidir ser candidato, vamos disputar um 1º turno com lealdade, baseado em projetos de país, em propostas para a superação da crise e para derrotar o obscurantismo e o retrocesso representado por Bolsonaro”, disse o senador Jean Paul Prates (PT-RN), líder da Minoria no Senado.

“Ao final dessa etapa, se houver 2º turno, que cada representante das forças progressistas tenha a generosidade de se somar ao esforço de eleger o candidato que represente esse campo, contra a direita que vem infelicitando o Brasil”, afirmou o senador.

Prates não citou diretamente, mas a 2ª parte de sua declaração se refere a 2018. O petista Fernando Haddad disputou a última etapa da eleição contra Jair Bolsonaro. Ciro Gomes, que teve 12% dos votos, viajou para a Europa na época da campanha de 2º turno.

A sugestão de Ciro, segundo o deputado Bohn Gass (PT-RS), “demonstra a força que de fato o Lula tem”. “Isso só reforça a necessidade de o Lula capitanear esse processo”, declarou. Bohn Gass é líder da bancada do partido na Câmara.

A declaração de Ciro foi feita na 2ª feira (5.abr.2021). No mesmo dia foi publicada uma pesquisa de intenção de voto que mostrava Lula numericamente à frente do atual presidente, Jair Bolsonaro. Uma boa notícia para os petistas.

“Ciro não merece mais resposta”, disse o deputado Alencar Santana (PT-SP). “Se ele for democrata, apoiará o Lula [em um eventual 2º turno]”,  declarou.

O pedetista Eduardo Bismarck (PDT-CE) disse ao Poder360 que “se o Lula insistir na candidatura dele, e o PT insistir, estarão dando novamente a eleição do Bolsonaro, agora a reeleição. Se o Lula não tivesse insistido na candidatura do Haddad na eleição passada o Bolsonaro não era presidente”.

“O projeto do PT fracassou, teve muitos pontos positivos mas teve muitos pontos negativos. O que tinha para dar de bom para a sociedade já deu”, afirmou Bismarck. Ele disse que é “quase nula” a possibilidade de o PDT apoiar o partido. Afirma que seria um “ato de humildade” dos petistas apoiar uma “candidatura viável” contra o atual presidente da República. Ou seja, Ciro Gomes.

“O PT vive da rejeição do Bolsonaro e o Bolsonaro da rejeição do PT”, disse o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS). “O PDT nunca faltou ao PT”, declarou, citando momentos em que os pedetistas apoiaram candidaturas de petistas.

Agora, de acordo com Pompeo, seria a hora de os petistas abrirem mão do protagonismo, mas o deputado disse não acreditar nessa hipótese.. “O PT nunca nos apoiou, nunca nos deu uma chance de nada”, declarou. “Espero que eu não precise ficar falando mal do Lula”, declarou Pompeo.

Governo arrecada R$ 3,3 bilhões com leilão de 22 aeroportos/Poder360

Ágio médio é de 3.822%; Foi 1º certame da Infra Week; Contratos são de 30 anos

Aeroporto Afonso Pena, na região metropolitana de Curitiba, foi um dos leiloados no bloco Sul

A Companhia de Participações em Concessões, do grupo CCR, e a Vinci Airports venceram nesta 4ª feira (7.abr.2021) o leilão para explorar 22 aeroportos brasileiros. O ágio médio –diferença entre os valores mínimos para lances estabelecidos pelo governo e os valores ofertados pelas empresas e consórcios vencedores– foi de 3.822%.

Ao todo, R$ 3,3 bilhões foram oferecidos inicialmente pelas investidoras. O governo espera que as empresas façam investimentos de R$ 6,1 bilhões nos ativos ao longo dos 30 anos de contrato.

Em condições normais de tráfego (dados de 2019, anteriores à pandemia), esses aeroportos situados em 12 Estados recebem 24 milhões de passageiros por ano. Eis as vencedoras de cada bloco:

As vencedoras pagarão o valor ofertado mais o ágio na assinatura do contrato. Depois, do 5º ao 9º ano, pagarão parte da receita ao governo.

O governo repetiu a opção de leiloar os ativos em blocos e não individualmente para garantir que todos tenham operadores. Em entrevista concedida na 3ª feira (6.abr), o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, afirmou que a estratégia não atrapalha os investimentos em cada aeroporto, pois os recursos necessários são decididos considerando cada um dos ativos.

Depois do certame, o ministro comemorou o resultado. Disse que o resultado foi “extraordinário” e “superou muito as expectativas”. Em relação ao impacto da pandemia na agenda de leilões, disse que a a dificuldade “é comum a todos”, mas que “não dava para ficar esperando”. “A gente está numa situação quase que de vendedor exclusivo”, completou.

Foi o 2º leilão de aeroportos realizado pelo governo Bolsonaro, no 1º houve concessão de 12 aeroportos. A expectativa do governo é realizar a próxima rodada no 3º trimestre de 2022. Nela, estarão os aeroportos de Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ), considerados as “joias da coroa” do setor de aviação.

“A ordem dos leilões é pensada de propósito. Nós deixamos Congonhas e Santos Dumont por último não é por acaso. Um lado, para preservar o caixa da Infraero, por outro para dizer o seguinte: Olha, venham, se posicionem. Porque o melhor ainda está por vir. Vamos fechar em grande estilo. Para se ter uma ideia, a ponte aérea Rio-SP antes da pandemia era a 4ª rota mais movimentada do planeta, então isso é bastante relevante”, afirmou.

AGENDA DE LEILÕES

O certame desta 4ª feira (7.abr) foi o 1º da “Infra Week”, como foi chamada a sequência de leilões marcada para esta semana. Além dos 22 aeroportos, serão leiloados o 1º trecho da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste) na 5ª feira (8.abr) e 5 terminais portuários na 6ª feira (9.abr).

Com 537 quilômetros de extensão, a Fiol ligará Ilhéus a Caetité, na Bahia. O projeto auxiliará o escoamento do minério de ferro produzido na região de Caetité e da produção de grãos e minério do Oeste da Bahia pelo Porto Sul, complexo portuário a ser construído nas imediações de Ilhéus.

Já os 5 terminais portuários são 4 no Porto de Itaqui, no Maranhão, e 1 em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Os terminais do Maranhão devem ter mais concorrência pois são voltados ao armazenamento de granéis líquidos e, por isso, têm potencial para combustíveis. O de Pelotas é específico para madeira.

No fim do mês (29.abr) será realizado o leilão da BR-153/080/414, que abrange Goiás e Tocantins. A BR-153 é considerada uma das principais rodovias de integração nacional do Brasil.

Todos os leilões a serem realizados neste mês devem somar R$ 18,4 bilhões em investimentos. Saiba mais sobre a agenda de leilões do governo até 2022 nesta reportagem.

Fonte:
NotíciasAgrícolas/Poder360/Reute

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