Soja: Preços voltam a subir no Brasil com alta de mais de 2% do dólar nesta 6ª feira

Publicado em 22/03/2019 17:27 e atualizado em 24/03/2019 06:51
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Soja: Preços voltam a subir no Brasil com alta de mais de 2% do dólar nesta 6ª feira
Marlos Correa - Analista Insoy Commodities

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Entrevista com Marlos Correa - Analista Insoy Commodities sobre o Fechamento de Mercado da Soja

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Os preços da soja voltaram a ceder nesta sexta-feira no mercado internacional e terminaram o dia perdendo mais de 6 pontos na Bolsa de Chicago. Os futuros da oleaginosa fecharam com US$ 9,03 no maio, enquanto o agosto ficou com US$ 9,23. 

Ao mesmo tempo, porém, o dólar subiu mais de 2% nesta sexta, levando a moeda americana a R$ 3,90, registrando seu maior avanço em 22 meses, segundo noticiou a Reuters. Na semana, o acumulado da divisa foi de 2,14%. 

"Qualquer coisa que coloque ameaça à votação da reforma da Previdência ou de um texto com medidas robustas de contenção de gastos para a reascenção da economia do país vai colocar a especulação com um pé atrás, vai colocar o mercado em retrocesso", explica o diretor da ARC Mercosul. 

E essa movimentação acabou por favorecer a formação dos preços da soja no mercado brasileiro, como já havia sido observado nesta quinta-feira (21). Somente no porto de Rio Grande, o spot teve alta de 1,7%, enquanto a referência abril avançou 2,08% e as cotações ficaram em R$ 77,80 e R$ 78,60, respectivamente. 

No interior, as cotações também subiram de forma significativa, com ganhos que superaram 1% nas principais praças de comercialização pesquisadas pelo Notícias Agrícolas. 

No entanto, o analista de mercado Marlos Correa, da Insoy Commodities alerta para esaa volatilidade do dólar, a qual está intimamente relacionada à evolução das discussõs sobre a reforma da Previdência e qualquer mudança nas perspectivas pode mudar o andamento do câmbio também. 

Os negócios, neste quadro, evoluem melhor no mercado brasileiro, mas os produtores ainda se mostram cautelosos e atentos às movimentações todas que têm influenciado na formação das cotações no cenário nacional. 

Além disso, os sojicultores optam também - por terem uma boa parte de sua safra já comercializada - pela conclusão da colheita para voltarem às vendas de forma mais intensa. Ademais, para o analista da Insoy, as perspectivas de preços para o segundo semestre para a soja do Brasil são ainda melhores, com preços nos portos podendo chegar a algo entre R$ 82,00 e R$ 83,00 por saca. 

A demanda pelo produto nacional - que ainda segue consideravelmente ativa - poderia ser mais forte, ajudando em uma recuperação dos prêmios, ainda diante de uma falta de acordo entre China e Estados Unidos. 

comentario arc site cristiano

Mais uma semana movimentada para o mercado de grãos se encerra hoje, e no vai e vêm das cotações, o resultado foi positivo para os preços em Chicago e no mercado interno.
Aqui no Brasil, dificuldades vão se apresentando no caminho da

Reforma da Previdência e em conjunto com as prisões de celebridades políticas, ajudaram na forte valorização do dólar, o que elevou os preços físicos e impulsionou movimento mais intenso de vendas. 

Nos Estados Unidos, alagamentos intensos colocam em alerta importantes regiões produtoras do país, podendo até mudar as perspectivas da área plantada na safra que se aproxima. 

Enquanto isso, os chineses voltaram ao mercado norte-americano, ampliando as expectativas de que ambos caminham na direção do acordo. A próxima semana será decisiva para as negociações em Pequim, e com novos números do USDA chegando na sexta, teremos mais uma semana intensa no mercado mundial.

 

Alta do dólar impulsiona negócios de soja, diz Cepea

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SÃO PAULO (Reuters) - A forte desvalorização do real frente ao dólar observada nesta sexta-feira impulsionou o ritmo de negócios envolvendo a soja no mercado brasileiro, segundo avaliação do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

O dólar, que disparou nesta sexta-feira, fechando em alta de quase 3 por cento ante o real, na maior valorização diária desde maio de 2017, aqueceu os acordos com soja após um período de baixa liquidez, em que grande parte dos produtores segurou vendas, acrescentou o centro de análises.

"Sojicultores ainda mostram preferência por aguardar a finalização da colheita brasileira para fechar maiores negócios, diante das grandes diferenças na produtividade doméstica", disse o Cepea, lembrando que o mercado brasileiro também aguarda a definição da área a ser cultivada nos Estados Unidos.

Agentes de mercado esperam que parte da área de soja nos Estados Unidos seja substituída pelo cultivo de milho.

Quanto à safra 2019/20, também mais negociada nesta sexta-feira, a paridade de exportação indicou preços a 84,43 reais/saca para entrega em março de 2020 e a 85,63 reais/saca de 60 kg para entrega em maio de 2020, significativamente maiores do que no spot. "No geral, o maior interesse nessas comercializações é por parte dos compradores", disse o Cepea.

Ainda segundo o centro, muitas processadoras brasileiras de soja relataram dificuldades em fechar contratos para a compra do grão ao longo desta semana, tanto para o curto quanto para o médio prazos, devido à retração de vendedores em grande parte do período.

Segundo representantes da indústria consultados pelo Cepea, a disparidade entre as ofertas de compradores e os pedidos de vendedores, que chega a 5 reais/saca de 60 kg, tem limitado os acordos.

(Por Roberto Samora)

Enchentes forçam desligamento de um sexto da produção de etanol nos EUA

NOVA YORK/MEAD, EUA (Reuters) - Enchentes generalizadas no Meio-Oeste norte-americano derrubaram cerca de 13 por cento da capacidade de produção de etanol do país, já que as usinas de Nebraska, Iowa e Dakota do Sul foram forçadas a fechar ou reduzir as atividades após a devastação.

Instalações de produção de propriedade de grandes empresas, como Archer Daniels Midland (ADM) e Green Plains, ainda estavam operando apesar de dias de tempestades de neve seguidos por chuvas que provocaram inundações históricas no cinturão agrícola.

No entanto, com as linhas ferroviárias sendo afetadas e o milho armazenado inundado, a produção de etanol está diminuindo, fazendo com que os preços subam nos mercados que compram o biocombustível à base do cereal.

Os EUA têm cerca de 200 usinas de etanol capazes de produzir 1,06 milhão de barris por dia, e cerca de 100 mil a 140 mil bpd de capacidade foram desligados devido às enchentes, de acordo com três operadores que rastreiam as atividades.

Os danos às colheitas excedem os 400 milhões de dólares somente em Nebraska, de acordo com autoridades do Estado.

A ruptura ocorre no momento em que a indústria do etanol está em meio a uma desaceleração histórica devido ao atual conflito comercial com a China e ao lento crescimento da demanda doméstica, que levou a altos estoques e margens fracas.

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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