Soja faz novas mínimas em Chicago nesta 3ª e preços no Brasil tem mais rodada de baixas

Publicado em 30/04/2019 20:44 e atualizado em 01/05/2019 10:11
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Entrevista com Cristiano Palavro - Analista de Mercado da ARC Mercosul sobre o Fechamento de Mercado da Soja
Cristiano Palavro - Analista de Mercado da ARC Mercosul

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Entrevista com Cristiano Palavro - Analista de Mercado da ARC Mercosul sobre o Fechamento de Mercado da Soja

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Nesta terça-feira (30), o mercado da soja intensificou suas baixas na Bolsa de Chicago (CBOT), encerrando o dia com perdas de seis pontos nos principais vencimentos. Renovando suas mínimas, os futuros da soja terminaram o dia perdendo pouco mais de 6 pontos, com o maio/19 terminando o dia em US$ 8,41 por bushel. Ao longo do pregão, o contrato chegou a perder esse patamar, mas recuperou-se. 

Cristiano Palavro, analista de mercado da ARC Mercosul, destaca que há uma falta de fundamentos altistas no mercado. A demanda está cada vez mais vacilante e a margem de esmagamento se encontra negativa. Além disso, os estoques nos EUA são muito elevados e a atividade política na guerra comercial tem se mostrado mais tímida nos últimos dias, mesmo com líderes americanos em Pequim esta semana. 

Há, segundo Palavro, uma falta de novidades, e isso mantém o mercado pressionado e limita seu espaço de recuperação.De forma geral, o mercado está cansado das informações de bastidores, como ressalta o analista, aguardando apenas por um acordo final, saturado por especulações que não sconfirmam para nenhum dos cenários. 

Esse movimento só irá se reverter se houver uma sinalização diferente, principalmente ligada ao conflito entre os dois países. A China comprou 20% a menos de soja, no ano comercial norte-americano até este momento, e tudo isso ajuda a construir esse cenário limitante.

Parte das atenções está voltada ainda à questão do clima nos EUA. As condições são desfavoráveis para os produtores norte-americanos neste momento e para os próximos 10 dias ao menos, com ainda muitas chuvas, frio intense e neve no meio da primavera. No entanto, o foco dos traders parece estar nas previsões estendidas, com os mapas mostrando possíveis mudanças em 15 dias. 

O plantio da soja nos EUA foi concluído, até o último domingo (28), em 3% da área, de acordo com números do boletim semanal de acompanhamento de safras reportado nesta segunda-feira pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O índice ficou ligeiramente abaixo da média esperada pelo mercado de 5%. Na semana passada eram 1%, no ano passado 5% e na média plurianual, 6%. 

No entanto, mais chuvas são esperadas para os próximos dias no país e podem manter o ritmo da semeadura da safra 2019/20 ainda lento no Corn Belt. Segundo informações apuradas pela ARC Mercosul, os próximos 10 dias deverão ser de precipitações intensas, com volumes que podem chegar aos 150 mm em importantes estados como Iowa e Illinois. 

"Estas condições mais frias e úmidas devem continuar presentes até a metade de maio, o que amplia as preocupações quanto a atrasos nos cultivos de milho do país", explicam os especialistas da consultoria.

No entanto, completam dizendo que "apesar de preocupante, não é um fator totalmente atípico, e que em 2018 um cenário semelhante foi observado", alertam os analistas.

Preços no Brasil

Com essa combinação de preços em queda na CBOT e de um novo recuo do dólar nesta terça-feira (30), os preços da soja no mercado brasileiro também voltaram a cair. Nos portos, baixas de 0,66% a 0,67%, com as referências variando entre R$ 73,80 a R$ 75,50 entre Paranaguá e Rio Grande. 

No interior do país as perdas não foram generalizadas, mas também aconteceram. Em Tangará da Serra, Mato Grosso, por exemplo, baixa de 1,60% para R$ 61,50 por saca. Em Jataí, no Goiás, a referência foi a R$ 64,50, recuando 0,77%.  

Por: Carla Mendes e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

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