Moratória da Soja condena cidades da Belém-Brasília a viverem na pobreza

Publicado em 11/11/2019 17:55 e atualizado em 11/11/2019 19:00
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Entrevista com Vanderlei Silva Ataídes - Presidente Aprosoja Pará
Vanderlei Silva Ataídes - Presidente Aprosoja Pará

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Entrevista com Vanderlei Silva Ataídes - Presidente Aprosoja Pará

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A rodovia Belém-Brasília foi aberta por Juscelino em 1950. E do mesmo jeito em que foi construida, há 70 anos, ela se encontra nos dias de hoje. Um retão só, coalhado de caminhões, de norte a sul. A única coisa que mudou foi o aumento da miséria, a pobreza extrema da população que vive à beira da rodovia.

A esperança de mudança desse cenário seria a soja. Mas com o exagero de notícias sobre as queimadas em outubro passado  - que diziam que toda a floresta amazonica (distante 200 km da calha da Belém-Brasília) estaria sendo consumida pelo fogo, os produtores da região norte do Pará acabaram servindo de "bode expiatório" da causa ambientalista.

Sobre eles foi implantada a temível Moratória da Soja -- um acordo estabelecido entre as traders que proibe a compra de grãos de quem é pego no "Prodes", um sistema que detecta quem estaria retirando a vegetação para plantar soja.

E não adianta provar que a vegetação é formada por capoeiras (cipós retorcidos chamados "juquiras"), que ali não existe mais floresta (retirada há mais de 50 anos), que o manejo é autorizado pela Sema (secretaria de meio-ambiente), e que a "vítima" está em dia com o licenciamento ambiental e o Código Florestal.

Nada disso adianta. Entrou na lista da Abiove (a associação das traders), dificilmente sai.

Só no município de Dom Eliseu são 63 interditados. No restante do Pará e também no Mato Grosso são quase 500 fazendas proibidas de vender para as traders da Abiove. O número de fazendas interditadas pela Moratória não pára de crescer, diz a Aprosoja (entidade que reúne os produtores). Como as chuvas estão chegando, e o preço da soja gira em torno de 90 reais/saca, a revolta é grande.

Quem fica com o maior prejuízo são as pequenas cidades da beira da Belém-Brasília. A pobreza empurra os jovens para Brasília. E quem fica sobrevive de Bolsa Familia, pois o emprego é pouco.

Vanderlei Ataydes, presidente da Aprosoja do Pará, mostra em números a força economica da soja. Para cada emprego gerado dentro de uma fazenda, mais 4 são criados nas cidades. Mas agora, com a Moratória, o povo das cidades da Belém-Brasília está condenado a viver na pobreza.

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Entrevista com Vanderlei Silva Ataídes - Presidente Aprosoja Pará

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Fonte: Notícias Agrícolas

4 comentários

  • leonir firchhof Luís Eduardo Magalhães - BA

    Como a Abiove pega o Pará de "bode expiatorio" sabendo que isso impede o desenvolvimento da região???, os produtores do Brasil precisam se unir e eleger também um bode expiatorio, ou seja, uma trader dessas ligadas à Abiove e nao vender nada mais pra ela no Brasil todo.... quero ver se ela não muda de comportamento... quando mexer no bolso deles ai quero ver se nao muda de lado?

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Existe um mal entendido entre BIOMA AMAZONIA e AMAZONIA LEGAL----Sao duas coisas diferentes, onde aparentemente os ambientalistas malandros tiram vantagem---

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  • José Roberto de Menezes Londrina - PR

    Cuidar e defender o meio ambiente é obrigação de todos. Assim como a melhoria da qualidade de vida deveria ser um direito de todos. Infelizmente, o ambientalismo europeu imposto pelos países ricos de regiões temperadas tem como objetivo proibir o desenvolvimento e aumentar a pobreza e o sofrimento dos habitantes das regiões tropicais. A Amazônia é um exemplo de pobreza e sofrimento imposto por organizações internacionais e nacionais conduzidas por ambientalustas usuarios do Rio Tietê, Rio das Velhas e emissário de Copacabana. Os resultados positivos do Agro no Mato Grosso região com menor potencial produtivo da nossa querida AMAZÔNIA demonstram os níveis de maldades e prejuízos impostos pelo ambientalismo europeu aos brasileiros e em especial aos Amazonidas. A moratoria da soja é uma industria de ilegalidades para proibir o desenvolvimento da AGRICULTURA DO SOL.

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Estava agora ha pouco olhando para uma foto de um trator monstro com 4 pneus na frente e 4 atras----Pensei , se algum agricultor europeu olhar para essa foto vai se apavorar... Pois e' isso mesmo, eles tem pavor da nossa agricultura e se defendem como podem----Cabe a nos derrubar os argumentos deles mostrando as falhas e os erros deles em bases cientificas---Exemplo floresta so' sequestra CO2 quando esta' em crescimento,,,Floresta nao e' pulmao do planeta pois quem gera oxigenio e' a agua do mar ...

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Amigo João Batista, parabéns pela coragem e disposição. Para os moradores pobres do Pará a ação da Abiove fica cada vez pior, pois, se não há ilegalidade, de que pode ser chamado isso? Qual o nome certo? E fico pensando que em nome da transparência e já que existe pelo menos uma empresa cujo dono foi um politico e ministro da agricultura...de onde vem o financiamento da Abiove? Com quais outras associações, organizações, ONGs ela atua?

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  • Luciano Pompilio Brescansin Anaurilandia - MS

    Se a ABIOVE continuar irredutível com a moratória da soja, teremos de fazer um bloqueio em plena safra. Parar tudo. Deixar eles sem condições de cumprir os compromissos com as exportações...

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