Produtores são contra a moratória da soja para salvar o pequi-preto, árvore-símbolo do Pará

Publicado em 08/11/2019 17:54 e atualizado em 09/11/2019 20:42
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Entrevista com Tarcísio Burim Jr. - Produtor Rural - Dom Eliseu/PA
Tarcísio Burim Jr. - Produtor Rural - Dom Eliseu/PA

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Entrevista com Tarcísio Burim Jr. - Produtor Rural - Dom Eliseu/PA

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Ainda restam alguns pequis-preto no eixo da rodovia Belém-Brasília. Essas árvores de tronco reto, largo, portentoso (símbolo do Pará), ainda imperam nas matas que sobraram do desmatamento ocorrido há 70 anos no norte do Estado, quando da abertura da BR-010. Hoje seus principais guardiões são os maiores acusados de desmatamento, os produtores de soja.

Apesar de o Código Florestal permitir que cada proprietário possa converter 20% das matas remanescentes em áreas de lavoura (e manter intacta os 80% restantes), os sojicultores de Dom Eliseu (principal núcleo de produçao da oleaginosa, instalado no norte do Estado) não querem derrubar os pequis-preto, nem os jatobás, nem os ipês, árvore nenhuma.

Em troca, querem permissão dos órgãos ambientais para fazer aqulo que a Lei lhes permite -- expandir as lavouras sobre as áreas de pastagens degradadas e de capoeiras (as "juquiras") que tomam conta dos terrenos abertos (e abandonados) pelos madeireiros.

--"É uma troca justa", defende o jovem agricultor Tarcisio Burim Jr., gaúcho que veio com a familia para o Norte do Pará na tentativa de sobreviver nas terras de solo argiloso do norte paraense.

-- "Mantemos em pé as matas aqui do eixo da Belém-Brasília, mas em compensação queremos expandir nossas lavouras nas áreas de juquiras... com isso, estamos mostrando que não é preciso avançar sobre a grande floresta (distante 200 km de Dom Eliseu, nas imediações da Transamazonica). Queremos preservar,e não destruir...", diz ele.

Os ambientalistas da Europa não pensam assim. Os adeptos do Greenpeace chantageiam os donos de supermercados europeus, dizendo que é a soja a principal responsável pelo desmatamento no bioma amazonico. Ameaçam os comerciantes de lá, dizendo que vão se amarrar em frente aos supermercados em protesto contra o desmatamento no Brasil, e assim afugentam os consumidores das lojas.

Não dizem, porém (e não querem saber de argumentos contrários) de que a compensação das matas pelas juquiras seja talvez a única possibilidade de salvação das árvores remasnecentes -- juntamente com a possibilidade de recuperação economica dos povoados miseráveis que habitam as margens da Belém-Brasília.

-- "Os ambientalistas da Europa querem nos manter eternamente na pobreza. Mas a produção de soja é a chance que temos de desenvolver a economia do norte do Pará... Antes, porém, precisamos tirar a Moratória da Soja que colocaram sobre nós", argumenta Tarcisio Jr.

Os sojicutores do norte paraense se acham os "bodes expiatórios" da guerra de comunicação que envolve os ambientalismo mundial. Mesmo com toda a documentação em dia (licenciamento ambiental, inscrição no CAR e até  direito de desmate), os sojicultores estão embargados pela Moratória da Soja. Um acordo estabelecido pelo greenpeace com as traders compradoras de soja reunidas em torno da Abiove, impede a compra de soja do bioma amazonico.

André Nassar, diretor da Abiove (Associação da Industria de Óleos Vegetais), diante da reclamação dos agricultores, chegou a dizer o Notícias Agrícolas que poderia haver acordo com os sojicultores de Dom Eliseu, se eles conseguissem legalizar a produção. Disse claramente que poderia comprar "soja legal".

Ontem, porém, em nova entrevista (desta vez ao Canal Rural), Nassar retirou a possibilidade e refutou qualquer esperança de comprar grãos provenientes do bioma amazonico. (O diretor da Abiove costuma dizer, porém, que a produção de outros grãos, como arroz e feijão, não está embargada).

Com isso, os produtores brasileiros dizem que não existe um embargo ambiental contra a soja amazonica, e sim uma barreira comercial (pois, com menos soja do Brasil, haveria mais espaço para compras de soja de países concorrentes, como os Estados Unidos).

Assim, estrangulados pela chantagem ambientalista, as 1.200 familias de agricultores que produzem soja no norte do Pará estão vendo a chegada das chuvas sem saber se poderão lançar as sementes no solo. 

Este é o motivo principal da batalha que acontece no entorno de Dom Eliseu. Amanhã, domingo, eles vão fazer uma manifestação no Parque de Exposições da cidade, contra essa Moratória. O Notícias Agrícolas vai transmitir a manifestação ao vivo, a partir das 9 horas da manhã.

Matéria Tarcísio Burim Jr. - Produtor Rural - Dom Eliseu/PAMatéria Tarcísio Burim Jr. - Produtor Rural - Dom Eliseu/PAMatéria Tarcísio Burim Jr. - Produtor Rural - Dom Eliseu/PA

 

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Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    O lado perverso da história da moratória da soja (que os representantes de Abiove não querem admitir) está definida nesta frase: - "Os ambientalistas da Europa querem nos manter eternamente na pobreza. Mas a produção de soja é a chance que temos de desenvolver a economia do norte do Pará... Antes, porém, precisamos tirar a Moratória da Soja que colocaram sobre nós", argumenta Tarcisio Jr.

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Toda dificuldade que o destino poe no nosso caminho nada mais e' do que uma oportunidade de melhorar nossa vida----O pessoal da regiao onde foi imposta a moratoria da soja deve se unir e juntos contatar uma esmagadora de graos para produzir oleo na regiao---O produto podera' ser destinado ao mercado interno e inclusive adicionar ao diesel---Liberte-se desses ambientalistas sem escrupolos que utilizam o exterior para mandar na nossa casa-

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