Isenção tarifária e a redução dos fretes marítimos abrem portas para demanda chinesa sobre a soja americana

Publicado em 18/02/2020 17:55
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No Brasil, demanda interna forte mais as vendas antecipadas reduzindo pressão da oferta no período de colheita já elevaram patamar de preços do grão em relação ao mesmo período do ano passado
Mário Mariano Moraes Júnior - Analista da Novo Rumo Corretora

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Entrevista com Mário Mariano Moraes Júnior - Analista da Novo Rumo Corretora sobre o Fechamento do Mercado da Soja

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O mercado da soja encerrou esta terça-feira (18) com leves quedas, entre 1 e 1,75 ponto nos principais contratos. Apesar da "Fase 1" do acordo entre China e Estanos Unidos já estar em vigor, inclusive com a diminuição de tarifas de importação, Chicago ainda não mostra a reação que se esperava.

A China planeja voltar às compras de produtos agrícolas norte-americanos a partir do começo de março, segundo fontes ouvidas pela agência internacional de notícias Bloomberg. A fase um do acordo comercial entre chineses e americanos, afinal, entrou em vigor no último sábado, 15 de fevereiro, e o mercado agora espera pelos próximos movimentos da nação asiática. 

>> Coronavírus já compromete demanda da China, mas importações ainda se concentram no Brasil

Na semana encerrada em 13 de fevereiro, os EUA embarcaram 992,294 mil toneladas de soja, contra pouco mais de 640 mil da semana anterior e diante das projeções de 700 mil a 1,25 milhão de toneladas. No acumulado do ano comercial, os embarques somam 28.277,053 milhões de toneladas, 19% a mais do que no mesmo período do ano anterior. 

>> USDA: Embarques semanais de soja, milho e trigo dos EUA ficam dentro das expectativas

A valorização do dólar é generalizada e tem impactado no mercado global, fazendo com que os compradores atuem com menor voracidade, o que cria um ambiente de pressão nos preços. No Brasil, o Real segue desvalorizado diante do Dólar, favorecendo e dando competitividade às exportações.

As vendas antecipadas feitas pelos produtores brasileiros garantiram um bom movimento da safra atual e já há negociações da safra 20/21, reflexo do câmbio favorável. Enquanto isso, no mercado interno, as indústrias também têm pago bons preços, às vezes até melhores que o mercado exportador. No Mato Grosso, por exemplo, a valorização foi de cerca de R$ 10 por saca em comparação ao mesmo período em 2019.

De modo geral, mesmo que China dê preferência pela soja americana nos póximos meses, as vendas antecipadas feitas pelo Brasi, mais a forte demanda, manterão o protagonismo do páis no cenário da soja, que continua com perspectivas positivas para os preços.

China começa a considerar isenção tarifária para algumas importações dos EUA, diz Xinhua

Beijing, 18 fev (Xinhua) -- Mais produtos norte-americanos têm a chance de serem isentos das tarifas adicionais que a China impôs em resposta às medidas tarifárias da Seção 301 dos Estados Unidos, anunciou nesta terça-feira a Comissão de Tarifas Alfandegárias do Conselho de Estado, o gabinete chinês.

A partir de 2 de março, a autoridade tributária da China aceitará as solicitações das empresas nacionais para a isenção de tarifas adicionais impostas sobre alguns produtos dos Estados Unidos dentro de um certo período de tempo, disse a comissão em um comunicado.

A nova política cobre uma lista específica de produtos e se aplica às empresas nacionais que planejam assinar acordos para comprar e importar estes produtos dos Estados Unidos de uma forma orientada ao mercado e comercial.

Os candidatos podem submeter suas solicitações online. Uma vez aprovada pela autoridade, eles desfrutarão de isenção de tarifas adicionais para certas importações dos Estados Unidos dentro da quantia de valor aprovada e dentro de um ano a partir da data de aprovação.

A comissão disse que apoiará as importações das empresas desde os Estados Unidos com base em considerações comerciais.

China alerta para impacto do coronavírus sobre suprimento de frango e ovos

O suprimento de frango e produtos derivados de ovos na China deve ser impactado no segundo e terceiro trimestres devido aos efeitos da atual epidemia de coronavírus no pais e seus efeitos sobre a indústria, disse nesta terça-feira um representante do ministério da Agricultura do país.

Segundo maior produtor de frangos do mundo, a China tem elevado a produção para compensar uma escassez de carne após um surto de peste suína africana no país que teve início em 2018 e dizimou o rebanho de porcos chinês.

Os preços do frango caíram neste ano e restrições sobre a movimentação de aves vivas e feriados prolongados em muitas áreas paralisaram a cadeia de suprimento. Produtores acabaram com grandes estoques de aves e ovos em meio à queda na demanda, uma vez que restaurantes seguem fechados devido ao coronavírus.

O representante do ministério da Agricultura, Yang Zhenhai, disse em coletiva de imprensa do Conselho de Estado que os mercados de aves vivas estão fechados desde o surto do vírus, enquanto o transporte de pintinhos e frangos vivos tem sido restringido e matadouros têm sido mantidos fechados.

Ele ainda afirmou, sem detalhar, que uma companhia registrou perdas de mais de 14,27 milhões de dólares (100 milhões de iuanes).

“As perdas de toda a indústria de frango serão muito sérias”, disse Yang.

Os ministérios da agricultura e de transporte da China têm pedido a autoridades locais que permitam que empresas envolvidas na produção de ração e no abate de aves retomem as atividades o quanto antes para lidar com os problemas na cadeia de suprimento causados pelo coronavírus.

Enquanto isso, a agência de planejamento estatal vendeu 1,32 milhão de toneladas de milho para empresas de processamento de ração em províncias ao sul, como forma de assegurar matéria-prima para o setor.

A China também aprovou a importação de todos produtos de frango dos Estados Unidos, incluindo aves para reprodução, de acordo com um site oficial na segunda-feira.

Mas contêineres de pés de frango congelados dos EUA sofreram com problemas logísticos, com muitos desviados da China devido à falta de capacidade para armazenamento de cargas adicionais.

Por:
Aleksander Horta e Ericson Cunha
Fonte:
Notícias Agrícolas

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