Brasil deve vender 15% menos soja para China. Chicago se recupera a partir do 2º trimestre, diz Rabobank

Publicado em 19/02/2020 11:23 5090 exibições
Victor Ikeda - Analista de Grãos da Rabobank
Rabobank também projeta piso de R$ 40,00 para milho em 2020, mesmo após entrada da safrinha, entenda porque

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Entrevista com Victor Ikeda - Analista de Grãos da Rabobank sobre os Mercados da soja e do milho

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O Rabobank estima a safra brasileira de soja em algo próximo de 122 milhões de toneladas, número menor do que consultorias privadas ou órgãos públicos diante de uma projeção menor também da expansão da área nesta safra 2019/20. E mesmo a com a colheita de uma safra recorde, os preços da oleagniosa no mercado nacional estão acima do registrado há um ano, como explica o analista de grãos do banco, Victor Ikeda, em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta quarta-feira (19). 

Os patamares mais elevados em cerca de 15 são reflexo quase que total do suporte vindo do câmbio. O dólar, ainda como explica Ikeda, também registra essa mesma valorização em relação a 2019  e se mostra como o principal pilar de suporte paras as cotações. Afinal, os futuros negociados na Bolsa de Chicago e os prêmios, ao menos neste momento, não possuem a mesma força. 

Sobre os prêmios, o analista do Rabobank acredita que poderão se recuperar no segundo semestre, porém, sem alcançar os níveis muito altos de 2018 e 2019. O esperado é de que valores fiquem, em média, nos 80 cents de dólar sobre os valores praticados na CBOT, contra o atual intevalo de 30 a 50 cents praticados neste primeiro semestre. 

E esses prêmios mais limitados se dão ainda pelas perspectivas de que o Brasil poderá exportar 15% menos soja para a China em 2020 diante da consolidação da fase um do acordo comercial da nação asiática com os EUA. Segundo Ikeda, será necessário saber como a China irá implementar suas compras no mercado americano, no entanto, acredita que as mesmas voltarão aos volumes pré guerra comercial, de cerca de 30 milhões de toneladas. 

Entretanto, o analista afirma ainda que a China deverá dar prioridade a compras de produtos de valor agregado, como etanol de milho, DDG e carnes. "Assim, a soja deve se beneficiar também, porém, não na memsa intensidade", diz. "E precisamos ver como a China fará para priorizar a soja americana em plena colheita de uma safra recorde do Brasil. O país disse que irá comprar o produto mais barato e a soja brasileira ainda é mais barata do que a americana", completa. 

O Rabobank acredita que as importações de soja da China deverão ser maiores neste 2020, se aproximando das 90 milhões de toneladas. O mercado, porém, precisa entender quais serão seus próximos movimentos depois de resolvidos sérios problemas pelo qual passa o país como a Peste Suína Africana e o surto de coronavírus. 

Com o Brasil exportando menos para a China, Ikeda acredita ainda que os estoques de passagem de soja do país deverão, após dois anos de baixas muito severas, voltar aos seus níveis "normais". No entanto, reforça ainda que a demanda interna é bastante forte, puxada, principalmente, pelo aumento para 12% na mistura obrigatória de óleo de soja no biodiesel. Dessa forma, a projeção é de que o esmagamento brasileiro fique entre 44 e 45 milhões de toneladas.

Para a Bolsa de Chicago, o analista acredita que haverá uma recuperação gradual ao longo do ano e que já no segundo trimestre os preços possam voltar a "flertar com algo próximo de US$ 9,50" por bushel. Para que isso aconteça, todavida, é importante que os EUA voltem a vender melhor para a China e de que seus estoques fiquem menores diante desta demanda maior. 

MILHO

A estimativa do banco é de que os preços do milho no mercado brasileiro se mantenham sustentados diante da relação entre oferta e demanda que continua muito apertada. O Rabobank estima a safra - contabilizando verão e segunda temporada - em 100 milhões de toneladas e um consumo interno aumetando para 68 milhões de toneladas, contra 64 milhões de 2019. 

E esse aumento da utilização do cereal, como explica o analista não vem só do setor de proteínas animais, mas também do etanol, com as novas usinas em Mato Grosso passando a entrar em atividade. Sobre as exportações, o número de 2020 deverá ser menos intenso do que o recorde de 2019 - de 42 milhões de toneladas - e ficar mais próximo dos 30 milhões.

Assim, o suporte para as cotações vem, como explica Victor Ikeda, de uma produção menor da safra de verão - sem condições de recompor os estoques -, já que o Rio Grande, que é o maior produtor de milho desta primeira temporada do ano, já contabiliza perdas consolidadas por conta do clima. E essa condição mantém os preços sustentados, pelo menos, até abril. 

Para a safrinha, o Rabobank acredita que haverá uma boa expansão de área, porém, com um plantio relativamente atrasado. Assim, "a safrinha terá que surpreender muito em termos de produtividade para pressionar o mercado", diz. 

Dessa forma, o analista projeta que os preços se manterão no intervalo de R$ 48,00 a R$ 50,00 por saca nos primeiros vencimentos da B3, enquanto os demais, que referem-se à safrinha, perto dos R$ 40,00. "Romper abaixo dos R$ 40,00 na B3 eu acho ser bem difícil, porque ainda há uma taxa de câmbio que faz com que a paridade de exportação também sustente os preços", explica Ikeda. 

Por:
Aleksander Horta e Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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2 comentários

  • David Navarro Uberlândia - MG

    Não entendi a parte em que o analista diz:

    ''Entretanto, o analista afirma ainda que a China deverá dar prioridade a compras de produtos de valor agregado, como etanol de milho, DDG e carnes.''

    Afinal do que Frango e Suínos , que são CARNES, se alimentam ??? Não seria de de milho e farelo de soja !!! O que ocorrerá ao meu ver é uma transferência de demanda, ao invés de produto primário, teremos venda de produto acabado ... Etanol e Carnes com valor agregado . Mercado continua demandado !!!

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    • Boletim Soledade - RS

      David, você entendeu corretamente então! O mercado segue mesmo demandado, na visão do analista, exatamente pelo que você diz ao acreditar que " O que ocorrerá ao meu ver é uma transferência de demanda, ao invés de produto primário, teremos venda de produto acabado". Foi exatamente isso que ele disse. E de soja, do que já embarcamos este ano, 70% tem destino China.

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  • Rubenson Antônio Assinck Santa Bárbara do Sul - RS

    15% a menos??? E tem gente que acredita.

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