Expectativa de expansão da área de soja e clima favorável ao plantio nos EUA dão tom negativo aos negócios em Chicago

Publicado em 27/04/2020 17:31 e atualizado em 27/04/2020 20:41 3034 exibições
Fernando Pimentel - Agrosecurity Consultoria
Fundamentos negativos para os preços devem prevalecer sobre notícias de novas compras da China nos EUA, diz analista

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Entrevista com Fernando Pimentel - Agrosecurity Consultoria sobre o Fechamento de Mercado da Soja

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Os preços da soja terminaram o pregão desta segunda-feira (27) na Bolsa de Chicago com estabilidade, assim como caminhou durante todo o dia. O mercado encerrou o dia com pequenas perdas de 1,25 a 3,25 pontos nos principais vencimentos, com o maio sendo cotado a US$ 8,29 e o agosto, US$ 8,38 por bushel. 

Ainda nesta segunda, o dólar voltou a subir, depois de começar o dia com perdas de mais de 1%, e fechou com R$ 5,68. Ao longo dos negócios, a moeda americana voltou a testar patamares acima dos R$ 5,70 e este tem sido o fator determinante para a manutenção dos preços da soja historicamente altos e ainda muito remuneradores.  

"São R$ 106,00 por saca no porto de Paranaguá, é um preço espetacular. A coisa mais importante para o produtor brasileiro agora é o câmbio, que é o que está dando resultado e rentabilidade para ele agora. Estamos surfando uma onda que é favorável agora a despeito de Chicago estar um pouco acima dos US$ 8,00", explica o consultor de mercado Fernando Pimentel, da Agrosecurity Consultoria. 

Segundo Pimentel, o Brasil segue muito competitivo e aproveitando muito bem os bons momentos que o mercado oferece e que a China segue olhando para o produto brasileiro, apesar de olhar um pouco mais para o norte-americano. Ainda como afirma o consultor, somente na semana passada foram vendidos 26 cargos da oleaginosa do Brasil. 

"Não é porque a China começou a comprar dos EUA que o Brasil ficou fora do jogo. A China vai se abastecer, vai recompor seus estoques", diz Pimentel. 

BOLSA DE CHICAGO

Na Bolsa de Chicago, o mercado olha com atenção para as novas compras da China no mercado dos EUA, porém, sem forças, na análise do consultor, para voltar a disparar e garantir cotações muito mais elevadas do que as atuais. 

No paralelo, os traders acompanham com atenção o início do plantio da safra 2020/21 e as condições de clima para Corn Belt que, até este momento, são bastante favoráveis.

Importação de soja pela UE em 2019/20 atinge 11,8 mi t até 26 de abril

PARIS (Reuters) - As importações de soja pela União Europeia na temporada 2019/20, iniciada no último mês de julho, atingiram 11,78 milhões de toneladas até 26 de abril, mostraram dados oficiais divulgados nesta segunda-feira.

O número fica 4% abaixo do volume registrado em 21 de abril do ano passado, conforme o levantamento.

As importações de canola pela UE em 2019/20, por sua vez, chegaram a 5,18 milhões de toneladas, alta de 43% em relação a igual período do ano passado.

Já as importações de farelo de soja foram de 14,52 milhões de toneladas, alta de 4% na comparação anual, enquanto as aquisições de óleo de palma ficaram em 4,60 milhões de toneladas, queda de 14%.

A Comissão Europeia continua a incluir os números do Reino Unido em seu relatório semanal de exportação e importação de grãos durante o período de transição após o Brexit.

Preço nos EUA despenca 25%; Brent cai abaixo de US$ 20/barril

NOVA YORK (Reuters) - O petróleo Brent caiu abaixo da marca de 20 dólares por barril e o WTI despencou 25% nesta segunda-feira, com investidores fugindo do "benchmark" dos Estados Unidos devido à falta de espaço para armanezamento em meio ao colapso de demanda causado pela pandemia de coronavírus.

Mesmo com governos em todo o mundo buscando medidas para flexibilizar as restrições de movimentação e ajudar a economia a se recuperar, a demanda por combustíveis continua fraca.

Segundo dados da Kpler, a demanda por combustíveis apresenta queda de 30% globalmente, enquanto os espaços de estoque estão se tornando algo precioso, com praticamente 85% do armazenamento "onshore" do mundo preenchido até a semana passada.

As preocupações econômicas também continuam atormentado o mercado. Segundo uma pesquisa da Reuters com mais de 500 economistas, a economia global deve apresentar contração de 2% neste ano, resultado pior do que na crise financeira.

Os contratos futuros do petróleo dos EUA fecharam em queda de 4,16 dólares, ou 24,6%, a 12,78 dólares por barril. Já o petróleo Brent recuou 1,45 dólar, ou 6,8%, e terminou o dia cotado a 19,99 dólares o barril.

Operadores disseram que a queda no petróleo se deve em parte aos veículos de investimento de varejo, como fundos negociados em bolsa, que estão afastando seus investimentos do primeiro contrato (para junho) para evitar que fiquem "presos" com os papéis, como muitos ficaram há uma semana, quando o vencimento de primeiro mês (para maio, até então) recuou para -37,63 dólares o barril.

Os futuros do petróleo tiveram, na semana passada, a terceira queda semanal consecutiva, com uma baixa de 24% para o Brent e um recuo de 7% para o WTI. Os mercados caíram em oito das últimas nove semanas.

Por:
Aleksander Horta e Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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