Soja sobe com plantio atrasado no BR, possível redução nos estoques dos EUA e demanda forte
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Entrevista com Ginaldo de Sousa - Diretor Geral do Grupo Labhoro sobre o Fechamento de Mercado da Soja
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Os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam a sessão desta terça-feira (3) com boas altas. Os contratos mais longos subiram mais de 10 pontos nesta sessão, enquanto o novembro terminou o dia com alta de 8,25 pontos e sendo cotado a US$ 10,59 por bushel. E como explica o diretor do Grupo Labhoro, Ginaldo de Sousa, trata-se de um alinhamento de fatores que seguem mantendo positivo o tom do mercado da soja na CBOT.
"Mais de 40% da soja brasileira deverá ser plantada em novembro, o que siginifica que será colhida somente em março. Isso faz com que a China tenha que comprar mais soja nos EUA por mais tempo", diz. As condições climáticas para o plantio da safra 2020/21 melhoraram no Brasil, porém, as chuvas ainda estão atrasadas para algumas regiões importantes e o mercado monitora os trabalhos de campo não só no país, mas em toda a América do Sul.
Ainda entre os fundamentos, Sousa destaca as expectativas do mercado de que a produtividade da soja norte-americana, bem como os estoques finais dos EUA sejam revisados para baixo no próximo boletim mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a ser divulgado no próximo dia 10.
"É um conglomerado de fatores que pesou para a direção do mercado, e mais as correções das baixas de ontem no movimento de turnaround tuesday (terça-feira da virada)", explica o diretor da Labhoro. "A China já comprou muito, continua comprando, e no Brasil não tem mais soja", complementa Sousa, que diz que isso reforça ainda mais a expectativa de uma redução nos estoques norte-americanos. "São os chineses comprando mais, e os EUA reduzindo a produtividade".
Em paralelo, os traders acompanham o início da apuração das eleições presidenciais norte-americanas. O resultado deverá ser divulgado, oficialmente, em pelo menos 15 dias e até que isso aconteça, a volatilidade do mercado deverá se intensificar, ainda na análise de Ginaldo de Sousa.
MERCADO NACIONAL
No Brasil, a terça-feira também foi de preços altos, mas sem negócios. Ainda como explica Sousa, os produtores brasileiros já venderam bem a safra 2020/21 e agora está completamente focado nos trabalhos de campo. Os preços são altos, seguem renovando recordes, mas já não há o que negociar da safra velha e a nova temporada está bastante comercializada.
"O produtor brasileiro, de uma forma geral, está tranquilo. Ele não tem mais nada da safra velha, então não tem o que negociar. E inteligentemente, vai segurar o pouco que ainda tiver. Para a safra nova, com mais de 60% vendido ele está tranquilo. E acredito que daqui em diante a comercialização será bem lenta", afirma o especialista.
Sobre as importações, com um volume grande já adquirido, Sousa acredita que não as compras não deverão se intensificar muito até o final de 2020 dadas condições logísticas e de custos.
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