Óleos: Mercado nos EUA pressionado à espera de posição do governo Biden e no BR com prêmios nas mínimas históricas

Publicado em 14/06/2021 14:02 e atualizado em 14/06/2021 17:39 1685 exibições
Eduardo Vanin - Analista de Mercado da Agrinvest
Possibilidade de redução do mandatório tanto do biodiesel, quanto do etanol de milho americanos traz especulação ao mercado. No Brasil, oferta menos ajustada mantém prêmios pressionados.

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Entrevista com Eduardo Vanin - Analista de Mercado da Agrinvest sobre o Mercado do óleo de Soja

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O mercado de óleos vegetais chamou a atenção nesta segunda-feira (14), com perdas de mais de 3% entre os futuros do óleo de soja sendo negociados na Bolsa de Chicago. Mas recuaram ainda as cotações, por exemplo, do óleo de palma na Malásia e de canola no Canadá. Os traders observam agora realidades bastante diferentes entre as principais regiões produtoras e exportadoras destes derivados, com o mercado buscando definir sua trajetória, como explica Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest Commodities em entrevista ao Notícias Agrícolas. 

"Nos EUA, há uma falta muito forte de óleo de soja, enquanto que aqui na América do Sul há um excedente razoável neste início de ano e os prêmios fazendo esse balanço", diz. 

No mercado americano, as incertezas sobre o mandatório do biodiesel e do etanol de milho pressionam o mercado de biocombustíveis. A falta de oferta tanto de soja, quanto de milho para a produção de ambos os combustíveis elevou bastante o valor dos derivados, o que justificaria uma redução das misturas e influenciaria diretamente no planejamento das refinarias de petróleo. 

"O debate só começou e elas (as mudanças) não impactariam só no curto prazo, mas no longo prazo também. O USDA, em maio, fez sua primeira projeção do consumo de óleos vegetais na temporada 2021/22 e fez uma revisão para cima bem forte, de 14 milhões de toneladas, com crescimento, principalmente para uso industrial, que é o caso do biodiesel. Desse total, 42% seria para uso industrial, contra 36% do ano passado. E assim, o estoque americano de óleo vai ficar bem apertado, para 18 dias equivalente, o que é bem apertado. Mas, se há uma reversão - como aconteceu no Brasil de 13% para 10% - sem uma data de volta, isso acaba gerando muita desconfiança de qual seria o crescimento para o ano que vem. E então, o mercado vive toda essa dúvida", detalha o analista. 

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Na análise de Vanin, as mudanças poderão acontecer de forma tímida, sem grandes variações em relação às políticas adotadas pelo ex-presidente Donald Trump, e mais do que isso, o mercado ainda espera pelas definições dos mandatórios, as quais deveriam já ter sido feitas, para auxiliar na direção do mercado a partir de suas definições. 

No mercado brasileiro, os prêmios registram suas mínimas históricas para o óleo de soja, diante de uma oferta um pouco mais confortável no mercado nacional e também da Argentina. "Se Chicago volta a subir para o óleo é por uma questão americana, e os prêmios aqui na América do Sul não devem mudar de direção", explica. 

O mercado mundial de óleos vegetais vai redefinindo sua trajetória diante das novas safras das matérias-primas em várias partes do globo como soja nas Américas, girassol no Leste Europeu, palma na Malásia e Indonésia, canola no Canadá e partes da Europa e, ao lado disso tudo, a demanda global por óleos vegetais para uso industrial. De acordo com o USDA, a estimativa é de 54,4 milhões de toneladad para a temporada 2021/22, crescimento forte em relação a 2020/21. 

Ao lado de todos os fundamentos, está em evidência ainda a postura do presidente americano Joe Biden, que também passa por um momento importante de definições sobre sua política de combustíveis. "Vejamos se Biden vai colocar o Acordo de Paris na frente ou a dor das suas refinarias (de petróleo) em primeiro lugar. Essa é a discussão agora. Estamos em um ponto muito importante para o governo Biden que pode ser um divisor de águas", conclui. 

Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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