No Brasil, prêmios positivos surpreendem e compensam parte da pressão do dólar nos preços da soja

Publicado em 08/01/2026 10:06 e atualizado em 08/01/2026 11:12
Matheus Pereira - Sócio-Diretor da Pátria Agronegócios
Indicativos são menores em relação ao final de 2025, mas podem ser ainda de oportunidade antes da pressão da colheita. Definição das margens do produtor é regionalizada e reflete também a pulverização das compras dos insumos para o atual ciclo safra.
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No Brasil, prêmios positivos surpreendem e compensam parte da pressão do dólar nos preços da soja

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Como estão os preços da soja no Brasil? O 2026 começa com todos os produtores do país se fazendo essa perguntando e reajustando suas estratégias. Segundo explica o diretor da Pátria Agronegócios, Matheus Pereira, em entrevista ao Bom Dia Agronegócio desta quinta-feira (8), os indicativos começam um novo ano menores do que os do final do ano passado, sentindo a pressão, principalmente, do dólar mais baixo frente ao real. "E por isso sugiro muita cautela, muita atenção", diz. E mesmo com os prêmios estando positivos neste momento - surpreendendo, inclusive - e compensando parte da pressão exercida pelo câmbio, as margens formadas pelo produtor estão bastante apertadas, em algumas regiões já mostrando-se negativas. 

"O ciclo safra atual se difere do que observamos cinco, dez anos atrás. A distribuição das compras pela base produtiva neste ano foi muito pulverizada (...) E essa pulverização é o que determina quem está no positivo, quem está no zero a zero e quem já está no negativo", detalha Pereira, complementando ainda sobre o impacto mais agressivo se registrando nas praças onde a logística tira mais do sojicultor. "Esse regionalismo preocupa porque esse calendário de compra que determinou o lado positivo ou negativo". 

Com isso, algumas regiões já apontam para uma diminuição dos preços em até R$ 10,00 a R$ 15,00 por saca em relação aos melhores momentos do final do ano passado. 

PRÊMIOS EM ALTA

A comercialização brasileira neste momento ainda acontece em um ritmo mais lento, mais contido, já que o dólar vem jogando contra a formação do preço. Porém, os prêmios positivos neste momento do ano têm sido uma grata surpresa para os produtores, uma vez que não é comum que este movimento se dê nesta época do ano. Para o janeiro, há prêmio de até 80 cents por bushel acima dos valores praticados em Chicago. 

"Em anos comuns, entraríamos no janeiro com pressão, com prêmio próximo de zero ou entrando no negativo. Temos o fevereiro com 65 cents e vale lembrar que há três anos tínhamos prêmio negativo no fevereiro de 150 a 200 pontos. Então, esses prêmios no campo positivo, com Chicago estabilizado, são prêmios satisfatórios, principalmente pela realidade sazonal. Há uma demanda muito agressiva pelo nosso produto, a originação está difícil dentro do Brasil", explica o diretor da Pátria. 

Neste ambiente, o mercado da soja dá uma janela estreita de oportunidade antes da pressão sazonal da colheita brasileira. Há problemas pontuais na safra, como em todas as temporadas, mas vem aí uma safra robusta, sem geração de quebras expressivas. "Há muita soja entrando em 2026. A pressão sazonal que vem no decorrer da colheita - que já está acontecendo em Mato Grosso e vai acelerando em janeiro - se aquece no final do mês, e este é o período sazonal de pressão. Vale muito aproveitar a oportunidade que o mercado tem agora para cobrir estes custos durante este processo de pressão". 

Já no segundo semestre, as condições voltam a melhorar para novos negócios, porém, o custo do carrego desta soja está elevado no país e pode onerar ainda mais o produtor. 

Acompanhe a análise completa de Matheus Pereira no vídeo acima. 

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistcarlamendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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