Mercado de Açúcar: ATRASO NA PRODUÇÃO SEGURA O TOM BAIXISTA

Publicado em 16/06/2012 08:27 e atualizado em 18/06/2012 08:12 871 exibições
Comentário Semanal - de 11 a 15 de junho de 2012. Por Arnaldo Luiz Corrêa.

Com exceção ao contrato julho/2012 na bolsa de NY, que encerrou a semana com valorização de 86 pontos (19 dólares por tonelada) cotado a 20,84 centavos de dólar por libra-peso, os demais meses de vencimento fecharam entre 9 pontos de alta e 18 pontos de baixa ao longo da curva que se estende até maio de 2015. Ou seja, foi uma semana de atividade praticamente concentrada no spread julho/outubro. A preocupação com os atrasos na produção de açúcar nesse início de safra, provocados pela chuva, tem feito com que aqueles que planejavam receber o produto e entregá-lo contra o vencimento de julho, daqui a duas semanas, levantassem seus hedges, rolando-os para frente e pressionando o spread para cima. Em 1º de maio o spread julho/outubro chegou a negociar a 52 pontos de desconto. Valorizou quase 30 dólares por tonelada desde então. 


As chuvas incessantes nas últimas duas semanas fazem crescer a fila de navios aguardando para atracar no porto de Santos. A UNICA divulgou que o volume de cana processada até o momento, 70,7 milhões de toneladas, é quase 30% menor do que o mesmo período do ano passado, em função das chuvas. As usinas, em média, perderam uns 12-13 dias de moagem até aqui. A ATR média até o momento registra 114,90 kg. 54,41% da cana foi destinada ao etanol, inferior aos 57,02% do ano passado nessa época.

O mercado de açúcar na Índia sofre baixas contínuas de preços em função dos estoques altos e demanda fraca. Na Tailândia, fala-se em produção de 125 milhões de toneladas de cana para os próximos três anos, um crescimento médio anual de 6%, que devem despejar mais 3 milhões de toneladas de açúcar em 2015. O Departamento de Agricultura dos EUA afirma que no longo prazo, o mercado internacional de açúcar deve continuar com seu viés de baixa. Só notícia baixista.

A posição em aberto dos contratos futuros negociados em NY está em 780 mil lotes. Essa posição é a maior em 27 meses. Há muito que o açúcar não atraia o interesse dos fundos especulativos.

No mercado interno, o etanol hidratado é negociado a R$ 1,28 por litro, equivalendo em açúcar a 17,75 centavos de dólar por libra-peso FOB Santos. Enquanto isso, a gasolina continua inalterada. Para os acionistas minoritários, ver a estatal brasileira do petróleo ser obrigada pela politica esdrúxula do governo federal a perder dinheiro quanto mais vende gasolina, é o ponto mais alto da contradição de qualquer economia de mercado. Ainda mais quando o presidente do conselho de administração da estatal é também o ministro da Fazenda. Por analogia, caso típico em que temos o Conde Drácula presidindo o Banco de Sangue.

A hematofagia federal não se limita apenas aos indefesos acionistas minoritários da empresa em questão, mas fere mortalmente o setor sucroalcooleiro. O governo deleita-se em fazer propaganda mundo afora de suas políticas ambientais e da importância dos combustíveis renováveis, mas dentro de casa, age de modo distinto. Sem transparência na formação de preço do etanol não vai haver mais investimentos. Sem transparência, o etanol jamais vai se tornar uma commodity. Jamais teremos no Brasil um mercado futuro de etanol com liquidez suficiente para atender às necessidades do setor. Estamos caminhando para fazer do etanol apenas um aditivo à gasolina. Vamos jogar por água abaixo toda uma estrutura que está aí pronta. E o debacle do setor será atribuído merecidamente aos verdugos de plantão da Transilvânia, digo, de Brasília.

Se a liberação imediata dos preços dos combustíveis – parametrizando-os ao mercado internacional - é inimaginável, o governo deveria esforçar-se para ao menos criar mecanismos que sinalizassem ao mercado e aos potenciais investidores como se daria a formação de preços da gasolina, abandonando os preços administrados que escondem uma abusiva carga tributária e jogam o consumidor contra os usineiros. Poder-se-ia, por exemplo, estabelecer que o preço da gasolina ao consumidor tomasse como base a média de 6 meses ou 12 meses do preço do petróleo no mercado internacional (WTI) convertidos em reais. Nos últimos 5 anos, se usássemos esse critério, o valor teria variado entre 120 e 180 reais por barril.

A vantagem no uso de critérios claros e definidos é que permitiria ao potencial investidor usar instrumentos no mercado de derivativos que garantissem preços e rentabilidade utilizando os mercados futuros de petróleo e câmbio para tal. A gasolina deixaria de ter seu preço administrado baseado no apetite político e fiscal do executor, digo, executivo de plantão. “Ah, mas o mercado pode oscilar muito”, dirão alguns. Essa é essência do mercado livre e principalmente do mercado de commodities. Preços oscilam. Pior que a oscilação é o congelamento de preços. Este se traveste de segurança, mas acaba inibindo os investimentos. Aquele permite a arbitragem e o hedge e a possibilidade de planejamento. Simples assim.

Comenta-se a boca pequena que algumas usinas possuíam operações de derivativos de balcão conhecidas como knock-out (estruturas que deixam de existir se determinado nível de preço for alcançado) contra o julho /2012 que foram extintas ao redor de 19,50 centavos de dólar por libra-peso, feitas quando o mercado estava acima de 24 centavos de dólar por libra-peso. Isso quer dizer o seguinte: 100 dólares por tonelada pelo ralo em troca de alguns pontos economizados na estrutura. Nocaute.

A Archer Consulting em pareceria com a Top Hint Solutions, desenvolveu a ferramenta SugarSys 2012, para auxiliar na gestão financeira das posições do mercado de açúcar. O sistema é compatível com as bases de dados MySQL, Oracle, SQLServer e IBM DB2. Além disso, o uso de outras novas tecnologias permite o controle do portfolio em celulares e tablets. Para saber mais, acesse: http://www.tophint.com.br .

O contrato de etanol na BM&F Bovespa está com uma posição em aberto de 5.614 lotes em futuros mais 725 lotes em opções. Um acréscimo minúsculo comparado ao mês passado.

A volatilidade do mercado nos últimos 20 dias subiu para 25,87% comparativamente a os 22,51% do mês passado; volatilidade de 50 dias caiu para 24,16% (há um mês era 25,00%) e a de 100 e 200 dias 24,21% e 29,65% (há um mês 26,29% e 31,77%), respectivamente.

Tenham todos uma excelente semana com muitos negócios.

Fonte:
Archer Consulting

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