Mercado de Açúcar: FILOSOFIA TIBETANA

Publicado em 26/08/2012 06:01 e atualizado em 27/08/2012 12:43 692 exibições
Por Arnaldo Luiz Corrêa.
O mercado de açúcar em NY fechou a sexta-feira cotado no vencimento outubro/2012 a 19,58 centavos de dólar por libra-peso, queda acumulada de 60 pontos na semana, representando uma perda de 13,23 dólares por tonelada e a maior baixa desde início de junho passado. Nos últimos 20 pregões, NY fechou em baixa em nada menos que 16 deles; aliás, esse é o máximo de dias que o mercado já acumulou na história, alcançado pela primeira vez em dezembro de 1964, ocorrido pela última vez há exatamente seis anos, em agosto de 2006. 

Comparando com as demais commodities, apenas neste mês de agosto, o açúcar lidera a queda com 16% de retração, ou seja, um sexto do preço do açúcar escafedeu-se nos 18 pregões ocorridos em agosto. No acumulado do ano, a queda é quase a mesma, isto é, o mercado segurou bem até final de julho. No lado oposto, farelo de soja, soja em grãos e milho subiram 70, 46 e 25% respectivamente até agora em 2012. Como será que o produtor indiano vai reagir com essa evolução de preços da soja comparados à remuneração do açúcar no ano que vem? Pergunta de um milhão de dólares.

Muitos traders reconhecem que, caso o setor não estivesse tão bem fixado nas vendas de exportação de açúcar para a safra 2012/2013, com seus quase 90% fixados, conforme modelo desenvolvido pela Archer, hoje estaríamos negociando abaixo de 18 centavos de dólar por libra-peso! Difícil contestar a opinião, mas é muito difícil brincar de “Efeito Borboleta” nesses casos. Poderíamos ter visto também o setor ter priorizado o etanol, se o mercado tivesse quebrado os 18 centavos de dólar por libra-peso, e hoje faltaria açúcar. Vai saber. Cada dia é um dia.

Para evitar o sofrimento causado pelas elucubrações que o mercado invariavelmente nos inflige quando não satisfeitos de prever o futuro ainda queremos mudar o passado e prever o que teria então incorrido, um experimentado executivo do mercado de commodities mencionou que em situações como essa que o mercado de açúcar está vivendo, com quedas atrás de quedas, o melhor a fazer é usar a velha e boa filosofia tibetana, que diz que "se o problema tem solução, então não há porque se preocupar; se não tem solução, então nem adianta se preocupar". O citado executivo parece muito feliz com a vida. 

A questão agora é descobrir se o problema tem solução. O mercado, apesar da queda, diga-se de passagem, ainda remunera bem a usina na produção de açúcar. Tomando o fechamento de sexta, esse valor liquida o equivalente a 39,67 reais por saca posto na usina, comparativamente ao custo de produção de 35,55 reais por saca, ou seja, uma margem sem custo financeiro de 11,6%. O outro lado da moeda, como todos sabem, é o etanol. O anidro e, principalmente, o hidratado são negociados abaixo do custo de produção na maioria dos casos. Só para ilustrar, nos últimos 4 anos, por exemplo, o hidratado negociou abaixo do custo de produção 1/3 das vezes. O anidro, uma em sete.

O problema, na verdade, voltando ao nosso candidato a monge tibetano, é a política do governo federal. No entanto, alguns ventos favoráveis começam timidamente a soprar sobre o setor. Outro executivo informa que começa a tomar corpo, com o apoio da presidente da estatal do petróleo, um estudo que sugere que a gasolina e demais derivados teriam uma parte significativa da formação de preço atrelada ao mercado internacional do petróleo. Bom demais para ser verdade? Pode ser que sim, mas se colocada em prática, essa política traria o beneficio da transparência e permitiria a utilização de instrumentos derivativos para a mitigação de risco e a trava de rentabilidade, essenciais para atrair os resistentes investidores. Corroboram com esse sentimento tímido de mudança o fato de a presidente da estatal ter recentemente afirmado que a empresa vai buscar a convergência entre o preço dos combustíveis no Brasil e a cotação do petróleo no mercado internacional. Soa bem aos ouvidos. Fora d o etanol não há solução. Nos sete primeiros meses de 2012 o governo já importou quase 2,2 bilhões de litros de gasolina, volume semelhante ao total de importação de 2011. Sangrando o fluxo de caixa da estatal.

A demanda de açúcar no mercado internacional segue fraca. Os telefones começam a tocar quando NY se aproxima dos 20 centavos de dólar por libra peso, muito acanhadamente, no lento ritmo de ferias de verão no hemisfério norte. 

Um fundo gastou quase cinco milhões de dólares e comprou 8.000 lotes da call (opção de compra) de preço de exercício de 24 centavos de dólar por libra peso no vencimento março de 2013 pagando na média 54 pontos.

O 18º Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos ocorrerá nos dias 25, 26 e 27 de setembro de 2012, na cidade de São Paulo e sobraram apenas 5 vagas faltando ainda mais de um mês para o evento. Se você pretende fazer o curso, acesse o nosso site www.archerconsulting.com.br 

Tenham todos uma excelente semana

Arnaldo Luiz Corrêa
Fonte:
Archer Consulting

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