Mercado de açúcar: QUANDO TODOS ESTIVEREM MORTOS

Publicado em 25/11/2012 17:11 e atualizado em 01/03/2020 15:12 447 exibições
Por Arnaldo Luiz Corrêa.
O mercado de açúcar em NY fechou a semana como se não tivesse existido. Os três primeiros vencimentos cotados fecharam inalterados depois de momentos de excitação na segunda-feira, quando o mercado visitou brevemente os 20 centavos de dólar por libra-peso, logo dissipados ao longo da curta semana. Assim, o vencimento março/2013 encerrou a 19,14 centavos de dólar por libra-peso um ponto abaixo do fechamento da semana anterior.

O mercado físico de exportação, no entanto, esteve bastante movimentado na semana. Segundo um experiente corretor do mercado físico, mais de 200.000 toneladas de açúcar foram negociadas para diversos destinos. O açúcar VHP para embarque dezembro negociou com desconto de 55 contra o mês de março/2013, uma melhora dos descontos de 5-10 pontos, quase nada, mas mostrando que a demanda está vindo lentamente, a passos de tartaruga. Entre os compradores da semana, um produtor.

Os principais jornais e revistas semanais do país trazem matérias relativas à politica de preços (ou falta dela?) dos combustíveis do governo. Apontam a defasagem entre o preço no mercado internacional e aquele oferecido nos postos e o efeito de sangria que essa política canhestra praticada por Dilma e sua turma representa no fluxo de caixa da Petrobras. Investidores estrangeiros temem que a estatal seja contaminada, por exemplo, pelo problema que ocorreu com outra estatal, a Eletrobrás cujas ações despencaram na bolsa brasileira em 47% nas últimas cinco sessões da Bovespa depois que o governo divulgou o programa de redução das tarifas de energia. 

A visão inábil do ministro da fazenda, que também é conselheiro da estatal do petróleo, atinge a espinha dorsal do setor sucroalcooleiro e impõe por vias tortas o afastamento dos potenciais investidores nacionais e estrangeiros. A fusão de duas empresas do setor que há muito estava no forno, foi encerrada sem acordo operacional entre elas. Não quer dizer que a falta de acordo tenha sofrido influência disso, mas sem dúvida atrapalha quando se tenta fechar números. 

A revista Exame traz matéria criticando o governo que “pede esmola com o chapéu dos outros”. “Com o pretexto de não aumentar ainda mais a inflação, obriga a empresa brasileira [Petrobras] a manter os preços baixos da gasolina e do diesel”. “Os donos de veículos ficam felizes da vida e aplaudem a generosidade do governo”, continua a revista, “enquanto os acionistas veem o capital investido perder valor”. Segundo a revista, a estatal perdeu R$ 22 bilhões nos últimos dois anos com a venda de combustível barato. O ministro declarou esta semana na imprensa que o "aumento da gasolina virá no momento apropriado". Imagino que seja quando todos nós estivermos mortos.

Essa falta de perspectiva vivida pelo setor afunila as possibilidades para o ano que vem. O número de safra para 2013/2014 varia entre 560 e 580 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul com a devida ressalva de eventuais problemas climáticos. Os fundamentos parecem estar consolidados e embora o mercado espere por menores safras na Tailândia, Índia e Rússia, por outro lado, uma apreciação do dólar em relação ao real traz os efeitos de um preço menor em NY em função de uma remuneração em reais melhor para as usinas. Isso coloca uma resistência à subida de preços na Bolsa. Dólar firme significa preços de importação de gasolina mais caros em reais e o aumento do problema que o ministro da fazenda empurra com a barriga. 

A estimativa da Archer Consulting da frota de veículos leves e motocicletas para o final de 2012 é de 43,7 milhões de unidades. O crescimento da frota nos últimos quatro anos foi de 8,3% ao ano que provocou um aumento no consumo de gasolina de 11,1% no mesmo período. Enquanto isso a produção de gasolina, segundo a ANP, subiu apenas 6,8% no mesmo período. Ninguém precisa de um diploma em Harvard para imaginar que sem investimento na produção de derivados, com o limite de produção atual já no topo e com o subsídio pernicioso que se dá ao consumidor, estamos caminhando celeremente para o buraco. 

Uma boa semana para todos.
Fonte:
Archer Consulting

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