Açúcar: O mercado surpreende, por Arnaldo Luiz Corrêa

Publicado em 11/08/2014 10:06 1388 exibições
Comentário Semanal – de 04 a 08 de agosto de 2014

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana em queda entre 13 e 42 pontos, com o vencimento outubro/2014 negociando em novas mínimas (16.01 centavos de dólar por libra-peso) perdendo quase 5 dólares por tonelada nos últimos pregões. O vencimento seguinte, março de 2015, foi o mais pressionado, desvalorizando-se em 42 pontos na semana, pouco acima de 9 dólares por tonelada. Rolagem dos fundos (que estão vendidos) que agiram devem estar começando a se posicionar na venda no vencimento março. O spread março/maio apresenta um custo de carrego de 10,5% ao ano equivalente. Os fundos estão vendidos em 54.500 lotes, cerca de 2.8 milhões de toneladas de açúcar equivalente.

A volatilidade histórica anualizada do mercado nos últimos 20 dias está em 15.74% enquanto a de 50 dias bate 25.48%, a de 100 dias 24.70% e a de 200 dias 24.86%. Parece-me que o mercado no curto prazo deve estar sentindo a falta de uma boa chacoalhada para se alinhar com as outras volatilidades. Para qual direção vão os próximos 100 pontos?

O incêndio ocorrido no terminal da Rumo no porto de Santos, no último domingo, foi praticamente um não-evento para o mercado futuro e físico. Um trader, desanimado com o mercado, exagerou quando disse que “o mercado de açúcar está tão prostrado que só um incêndio similar àquele que atingiu a Califórnia há alguns anos, poderia fazer os preços reagirem”.

O mercado reagiu fortemente na abertura do pregão de segunda chegando a 5.57% de alta em relação ao fechamento do dia anterior. De 2012 para cá, em apenas duas oportunidades tivemos um aumento dessa intensidade, dia 18 de outubro de 2013 (mercado atingiu 6.11% em relação ao fechamento anterior) e dia 24 de fevereiro deste ano quando negociou 5.68% de alta. E chega !!

Quatro coisas, isoladamente ou em conjunto, podem empurrar o mercado para abaixo de 16 centavos de dólar por libra-peso: o volume de puts entre os preços de exercício de 16.00 e 17.50 centavos de dólar por libra-peso vendidas com o intuito de financiar a compra de calls fora do dinheiro; a pressão de Tailândia que deteriora os prêmios do açúcar brasileiro; o volume estimado de fixação ainda pendente contra o vencimento outubro/2014 que pode ser pouco maior que 2 milhões de toneladas (40.000 lotes); a piora dos índices econômicos e a desvalorização do real em relação ao dólar. Quem poderia apostar há dois ou três meses que o mercado hoje estaria nesse nível baixo?

Os números recém divulgados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que o consumo de combustível no país no mês de junho de 2014 foi de 4,398 bilhões de litros, o menor consumo mensal desde setembro do ano passado. No entanto, o acumulado nos últimos doze meses (período de julho de 2013 até junho de 2014) soma 54,7 bilhões de litros, um novo recorde em bases anuais, dos quais 11,7 bilhões de litros de hidratado (com crescimento de 18.68% em relação ao mesmo período do ano passado), 10,7 bilhões de litros de anidro (crescimento de 27.88%) e 32,3 bilhões de litros de gasolina A (crescimento de apenas 0.88%). O etanol, no acumulado de doze meses, respondeu por 41.1% de todo o combustível consumido no Brasil (Ciclo Otto), o maior percentual desde dezembro de 2011.

Em um ano, o crescimento do consumo no país aumentou em 4,46 bilhões de litros. O ritmo atual mostra que, para atender a esse consumo constante no próximo ano, a safra de cana 2015/2016 precisará crescer no mínimo 22 milhões de toneladas de cana, isto é, um aumento de 3.75% na produção apenas por conta disso.

O modelo desenvolvido pela Archer Consulting aponta que as usinas estão fixadas em 76% da safra 2014/2015 com preço médio de 17,62 centavos de dólar por libra peso. Estima-se que ainda exista um volume de 2,4 milhões de toneladas a serem fixadas contra o vencimento outubro/2014, com boa parte tendo sido rolada para o vencimento março/2015. O valor da fixação em reais por libra peso é de 40,32, 0,25% menor do que o valor do final do mês passado. O dólar médio apurado pelas usinas é de 2,2889.

Uma leitura obrigatória para todos os traders: acabou de chegar nas livrarias o livro de Michael Lewis, “Flash Boys” que discorre sobre a influência maléfica dos operadores de alta frequência (high frequence traders) nos mercados. Leia e se revolte. Resta saber quanto disso contaminou os mercados futuros de commodities. Lamentável.

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Fonte:
Archer Consulting

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