Mercado de açúcar: "Não é um disco quebrado", por Arnaldo Luiz Correa

Publicado em 27/03/2021 11:36
da Archer Consulting

O contrato futuro de açúcar com vencimento para maio/21 encerrou a semana cotado a 15.19 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de NY, uma expressiva queda de 58 pontos na semana, equivalentes a 13 dólares por tonelada.

Os fundos não-indexados liquidaram 28,000 lotes, segundo os dados publicados pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission), agência independente do governo dos Estados Unidos, que regula os mercados de futuros e opções das commodities, que refletem a posição deles na última terça-feira. Pela diferença da cotação entre as duas terças, para simplificar o raciocínio, o mercado variou 123 pontos, isto é, cada ponto de queda demandou vendas de 228 contratos. Certamente a pressão do mercado foi intensificada com as vendas provocadas pelos robôs, algoritmos e outros afins. Não vejo porque os fundos deixariam de liquidar uma posição ainda exitosa financeiramente.

É bom lembrar que a Índia acelerou seus registros de exportação de açúcar (4.2 milhões de toneladas) aproveitando os preços altos verificados em NY há 30/45 dias. Os fundamentos do açúcar impedem que os preços se mantenham acima dos 16 centavos de dólar por libra-peso, como temos por várias vezes comentado nesse espaço. A menos que haja algum fator exógeno, o que não tem ocorrido até o momento.

Os preços atuais, considerando a desvalorização do real em quase 5% no acumulado da semana que passou (R$ 5,7584) colocam a safra 22/23 com preço médio nos meses que a compõem em quase R$ 1,900 por tonelada para as usinas brasileiras. Para a Índia, o preço de equilíbrio com o subsídio é de 14.75-15.00 centavos de dólar por libra-peso, abaixo do nível atual de NY. O mercado tem mais espaço para ir para os 14 centavos de dólar por libra-peso do que podíamos imaginar. Mas, o suporte pode ocorrer mais adiante.

É importante notar que a Índia é um país extremamente dependente de petróleo e gás natural, importando ao redor de 75% de sua necessidade. Juntamente com a China e o Irã, o país está entre os cinco cujo consumo nominal de petróleo mais se acelerou nos últimos anos. Em volume absoluto, o país é o 3º do mundo em consumo de energia primária (petróleo, gás natural, carvão, energias nuclear, hidrelétrica e renováveis) atrás apenas da China e dos EUA, mas cresce a uma taxa de 5.2% ao ano, acima dos dois primeiros. Além disso, o consumo de energia per capita na Índia cresce a uma taxa anual de 4.0%, enquanto a média mundial é de 0.4%. O país praticamente importa 10% de todo o petróleo negociado no mercado internacional.

Não é por outra razão que o a Índia deve aumentar a participação do etanol carburante na mistura com gasolina. Economizar dólares na importação de petróleo e compensar parte do subsídio que dá ao açúcar são os benefícios mais visíveis além da redução de emissão de CO2 e os efeitos na saúde pública.  A questão é qual percentual e com que celeridade essa migração vai ocorrer. A Índia é um dos poucos países que, junto com a Indonésia e o Paquistão assistem a um aumento consistente do consumo per capita de açúcar aliado a um crescimento populacional robusto. Os três serão responsáveis por pelo menos 1/3 do aumento previsto no consumo mundial de açúcar para os próximos cinco anos que deve ser de 1.15% ao ano.

De maneira geral, o quadro fundamentalista no açúcar no curto prazo está enfraquecido. As economias minguando e as previsões de crescimento no Brasil, por exemplo, já colocam a expansão da frota de veículos leves e o consumo de combustíveis ciclo Otto na berlinda. O petróleo lá fora vai precisar de muito encalhamento de navio no canal de Suez para se sustentar acima dos 60 dólares por barril. Preços só melhoram com a ajuda de fatores extra fundamentos.

Não, isso não é um disco quebrado.

Tenham todos um ótimo final de semana.

Arnaldo Luiz Corrêa

Rumo espera reduzir permanência de vagões em Paranaguá com nova operação em terminal

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SÃO PAULO (Reuters) - A Rumo, maior operadora de ferrovias do Brasil, assumirá integralmente os serviços de descarga do terminal da Rocha em Paranaguá (PR) a partir deste sábado, o que segundo a companhia deve permitir redução no tempo de permanência de vagões no porto, entre outros efeitos.

Segundo a companhia, o chamado "full service" operacional oferecido aos clientes foi construído por meio de uma sinergia com as empresas Cotriguaçu e Rocha e tem objetivo de proporcionar uma maior fluidez na operação ferroviária, com ganhos que envolvem desde a redução na quantidade de manobras até o aumento no nível de segurança dentro dos terminais.

A execução da obra, iniciada durante o segundo semestre de 2020 e concluída em fevereiro deste ano, contou com investimento de 7,6 milhões de reais.

"É um projeto novo e pioneiro, portanto, 2021 ainda será um ano de maturação. Entretanto, já esperamos benefícios ainda esse ano, devido à melhoria nos encostes e movimentações nesses terminais, além de aumentarmos a capacidade de absorver oscilações de chegada de vagões causados por fatores externos", disse a empresa à Reuters em nota.

"Outro impacto esperado é a redução no tempo de permanência desses vagões no porto", acrescentou.

A Rumo disse que os investimentos foram aplicados na construção de quatro novas linhas ferroviárias que passaram a integrar e fazer conexões com as linhas já existentes dos terminais. Além dos trabalhos no terminal da Rocha, a empresa já havia iniciado em fevereiro as manobras no terminal da Cotriguaçu.

Juntos, os dois terminais receberam em 2020 aproximadamente 6 milhões de toneladas úteis, valor que corresponde a cerca de 30% do volume de grãos embarcado pelo corredor de exportação, afirmou a empresa.

Em números gerais, a Rumo estima um aumento de 28% na descarga ferroviária dos dois terminais na comparação com 2020. Ainda entre os ganhos potenciais, a companhia destacou a redução no tempo de permanência para encoste e retirada, e a diminuição de 48% no manuseio de vagões.

"Com a criação das quatro novas linhas, melhoraremos substancialmente as movimentações dos trens para encoste e retirada, com maior número de movimentações internas, evitando que a passagem em nível da avenida Coronel José Lobo seja bloqueada para manobras", disse no comunicado o diretor da Execução Sul da Rumo, Israel Castro e Souza.

A concessionária também estima uma redução de até 15% na taxa de ocupação da passagem em nível.

Cosan aprova criação de novo plano de recompra de ações

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SÃO PAULO (Reuters) - O conselho de administração da Cosan aprovou a criação de um novo plano de recompra de ações da companhia, envolvendo no máximo 17 milhões de papéis, indicou ata de reunião realizada nesta sexta-feira.

O programa foi aprovado por unanimidade e substituirá o plano de recompra atualmente vigente. O objetivo da operação é a aquisição de ações para manutenção em tesouraria, cancelamento ou alienação.

Atualmente, a Cosan possui cerca de 288,6 milhões de ações ordinárias em circulação e 11,7 milhões mantidas em tesouraria. A recompra, dessa forma, envolveria no máximo 3,63% do total de ações e até 5,89% dos papéis circulantes.

O prazo para realização da operação é de até 18 meses, disse a Cosan, que utilizará como corretoras Bradesco, Citigroup, Credit Suisse, Itaú, Merrill Lynch, Morgan Stanley, Santander e XP Investimentos.

"A recompra de ações será realizada por meio da utilização de recursos disponíveis nas contas de reservas de lucros da companhia", acrescentou.

Procuradores vão investigar Vale por acusações de Steinmetz

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RIO DE JANEIRO (Reuters) - A polícia do Rio de Janeiro deu início a investigações sobre denúncias realizadas pelo bilionário israelense Beny Steinmetz a respeito da mineradora Vale, que dão conta de que a companhia escondeu de seus acionistas, de forma ilegal, as condições sob as quais a BSGR, empresa de Steinmetz, exploraria um dos maiores depósitos de minério de ferro do mundo, disseram procuradores nesta sexta-feira.

A Vale e a BSG Resources (BSGR), que formularam uma joint venture em 2010 para desenvolver o vasto campo de Simandou, na Guiné, travam há tempos uma disputa legal relacionada ao projeto de minério de ferro.

A concessão acabou sendo revogada pelo governo guineano, que indicou possuir evidências de que a BSGR obteve os direitos por meio de corrupção. A companhia nega as acusações.

Em janeiro, um tribunal criminal suíço julgou Steinmetz culpado de corrupção e falsificação na obtenção de direitos de exploração de minério de ferro, condenando-o a cinco anos de prisão devido ao acordo fechado pela BSGR pelo projeto. Steinmetz disse que recorreria da decisão.

Em comunicado publicado em outubro, Steinmetz afirmou que executivos da Vale vinham "ocultando de seus acionistas, de maneira fraudulenta, informações sobre os verdadeiros riscos da transação de bilhões de dólares, e divulgando informações falsas nos últimos dez anos sobre os termos sob os quais o acordo foi assinado."

Em um memorando datado de 18 de março e confirmado pela Reuters nesta sexta-feira, o gabinete dos procuradores disse que a polícia vai entrevistar executivos e ex-diretores da Vale como parte do inquérito.

O memorando não especifica os riscos que, segundo Steinmetz, deveriam ter sido divulgados aos acionistas.

O documento, porém, se refere a alegações anteriores da BSGR de que a Vale estaria omitindo fraudulentamente informações relevantes de seus acionistas e divulgando informações falsas sobre as condições de conclusão do negócio.

O memorando diz que, pelas leis brasileiras, esses fatos constituiriam um crime.

A Reuters não possui evidências independentes que sustentem ou refutem isso.

Em nota enviada à Reuters, a Vale disse que "não possui qualquer conhecimento do referido inquérito".

"Qualquer novo intento do Sr. Steinmetz de tentar se furtar de sua responsabilidade de indenizar a Vale certamente terá o mesmo desfecho das condenações que já lhe foram impostas", acrescentou a empresa.

"O Sr. Steinmetz também responderá civil e criminalmente pelas suas manobras falaciosas."

Steinmetz não estava imediatamente disponível para comentários.

A BSGR ainda tenta reabrir um caso arbitral em Londres, que a condenou ao pagamento de 1,25 bilhão de dólares à Vale pelo investimento em Simandou. A Vale acusou a BSGR de induzi-la, de maneira fraudulenta, a adquirir uma fatia de 51% da mina.

A BSGR entrou em administração judicial em 2018, visando se proteger de disputas legais.

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Fonte:
Archer Consulting/Reuters

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