Análise de mercado de açúcar

Publicado em 07/06/2010 13:14 e atualizado em 07/06/2010 14:10 827 exibições
Comentário Semanal de 31 de maio a 4 de junho

Um pouco de ar fresco

O mercado de açúcar em NY fechou a semana em alta. Discreta, é verdade, mas com um pouco mais de ar fresco. A semana foi encurtada pelo feriado de segunda-feira nos Estados Unidos e pelo feriado de Corpus Christi no Brasil na quinta-feira. Os primeiros meses de vencimento na tela de NY fecharam com alta média pouco inferior a cinco dólares por tonelada. Os vencimentos que refletem a safra 2011/2012 no Brasil fecharam perto de 8 dólares por tonelada, mostrando que devagarzinho o mercado começa a emitir sinais para o que deve vir por aí no ano que vem.
Um gestor de fundo americano, muito focado nos fundamentos do mercado de açúcar, que encontrei em NY na semana do Sugar Dinner, me diz com todas as letras: sou mais otimista mais para a frente (a próxima safra), porque vejo a demanda por etanol continuando a se expandir e avançando por sobre a produção de açúcar. Em algum momento, novas usinas terão que ser construídas e a área de cana vai ter que crescer para acompanhar essa demanda de etanol ou a produção de açúcar no Brasil será muito menor. Acredito que preços mais elevados de açúcar são necessários para conseguir essa expansão. Por essas e outras razões acho que as eventuais fixações de preço para a safra 2011/2012 (leia-se, os meses de maio/2011 até março/2012) devem ser feitas com muita sobriedade.
Corre-se o risco de se arrepender caso os preços se recuperem.
 Existem fortes indicações de que um dos maiores fundos de pensão privado americano esteja inclinado a investir em commodities como forma de proteger o fundo de risco inflacionário. Entre as commodities escolhidas para eventualmente fazer parte desse portfólio está o açúcar. Essa atitude contrasta com o humor atual dos reguladores federais das commodities nos Estados Unidos que aventam a possibilidade de impor limites aos investidores institucionais em suas exposições no mercado de commodities, evitando assim a repetição da bolha que estourou em 2008 levando várias instituições financeiras à bancarrota.
McDougall, da Newedge de NY, comenta que em recente evento em Cingapura (um dos 300 sobre açúcar e etanol que ocorrem no mundo anualmente) veio à luz das discussões que existem 4.000 produtores de cana na Austrália, que produz algo como 33 milhões de toneladas.
No Brasil, estimam-se 75.000 produtores que respondem por 70% da safra de cana enquanto na Índia são 50.000.000 de produtores responsáveis por 285 milhões de toneladas. Calcule agora qual a média de tonelada de cana que cada produtor produz: 8.250 na Austrália, 6.200 no Brasil e 5,7 na Índia. Viu como é super fácil monitorar o que os produtores indianos vão fazer?
Consumidores industriais de açúcar devem ficar de olho no mercado.
A curva de preços é ascendente e tudo indica que o indicador da ESALQ não vai estacionar nos R$ 40,00 por saca por muito tempo.
Aliás, esse valor está abaixo da previsão da Archer Consulting feita no início de abril que era de R$ 45,00 por saca como preço médio. Proteja-se.
 O contrato de etanol hidratado na BM&F Bovespa fecha a semana com 421 lotes em aberto. É um bom começo. Há necessidade de o setor começar a olhar com muita atenção esse instrumento. O contrato para dezembro/2010 (que vence em 29/12/2010) fechou cotado a R$ 860,00 o metro cúbico posto Paulínia, livre de ICMS, PIS/Cofins.
Para discutir amplamente o contrato futuro e de opções do etanol hidratado, a IETHA promove o Fórum IETHA, na quarta-feira dia 9 de junho, a partir das 14 horas, no auditório da BM&F Bovespa no centro de São Paulo. Uma excelente oportunidade para entender como funciona o contrato, quais as perspectivas e projeções de produção e consumo, e quais as estratégias que podem ser usadas.
 Num vôo para o interior de SP, dois jovens ao meu lado dividem a leitura de uma revista de agronegócio aberta numa matéria sobre a FAO, Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação. Na foto que ilustra a matéria vê-se o logo da FAO com seu lema Fiat Panis (latim para que haja pão). Um dos jovens comenta com o outro: Ué, não sabia que a Fiat patrocinava essa entidade. Diante de tamanha sabedoria, como diria um conhecido executivo do mercado, só batendo na cabeça do cabra com um gato morto e parar apenas quando o bichano começar a miar.
 No Fundo Fictício da Archer Consulting, recompramos 2711 puts (opções de venda) de preço de exercício 16 centavos de dólar por libra-peso no julho, pagando 168 pontos e vendemos a mesma quantidade e preço de exercício para o vencimento outubro, recebendo 199 pontos. Também rolamos as 1814 calls (opções de compra) de preço de exercício 17 centavos de dólar por libra-peso no julho pagando 5 pontos e vendendo a mesma quantidade e preço de exercício para outubro recebendo 67 pontos. Rolamos os 193 futuros vendidos em julho para outubro com 50 pontos. Assim, fechamos a semana com uma posição no delta de 777 lotes comprados. O resultado da semana foi um ganho de US$ 663.851,29, com o ganho acumulado até sexta-feira chegando a US$ 3.130.836,13 com retorno anualizado de 171,36%.
 Boa semana para todos.
 Arnaldo Luiz Corrêa

 

Fonte:
Archer Consulting

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