Açúcar: Abaixa que vem chumbo!

Publicado em 13/09/2010 10:45
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O mercado de açúcar fechou a semana numa alta impressionante de 265 pontos (58 dólares por tonelada) no vencimento outubro/2010, 52 dólares por tonelada no março/2011 assim como ganhos médios substanciais de 187 pontos (41 dólares por tonelada) nos vencimentos
entre maio/2011 e março/2012. A variação nos últimos 20 pregões, entre a mínima e máxima foi de 459 pontos, ou seja, um coice de touro com a magnitude de mais de 100 dólares por tonelada, não visto desde maio deste ano. A maior da história foi em dezembro de 1974 estamos longe ainda - 2750 pontos, ou mais de 600 dólares por tonelada! Dissemos aqui na semana passada que com a aproximação do vencimento das opções os vendidos a descoberto nos preços de
exercício acima de 22 centavos de dólar por libra-peso sentiriam o desconforto da perseguição do maçarico voador teleguiado e sairiam cobrindo suas posições de opções fazendo com que o mercado subisse ainda mais. Dito e feito.

 Ajuda a manutenção de preços, a situação no porto de Santos, que é realmente caótica. Um congestionamento monstro de caminhões e carretas estimado em oito quilômetros, grande parte para embarque de açúcar. Existem 10 navios carregando açúcar no porto neste momento. A fila, na barra, dizem, é de mais de 100 navios. É mais uma demonstração da pujança da infraestrutura brasileira. Uma vergonha.

 A fixação de preço dos açúcares para exportação das usinas para a safra 2010/2011 está próxima do fim. Isso também ajudou o mercado a subir, pois não encontrava venda por parte dos produtores, já fixados. Segundo o modelo da Archer Consulting, entre 22,5 e 25,0 milhões de toneladas de açúcar estão fixadas nesta safra ao preço médio de 19,72 centavos de dólar por libra-peso sem prêmio de polarização. Ainda não começamos a coletar os dados para
2011/2012.

 Há três meses, num comentário com o título Quando Outubro Chegar nós dizíamos que dados os fundamentos do mercado, outubro seria um mês de decisões e que até lá a estratégia deveria ser de parcimônia com os hedges de venda de março/2011 em diante.

Desde o citado relatório, o mercado subiu 400 pontos (88 dólares por tonelada) nos vencimentos da safra 2011/2012!! Bem, acho que outubro está aí e é hora de começar a aproveitar as subidas de preço.

 A fixação de preço do açúcar do ponto de vista da usina depende do tripé NY, câmbio e prêmio do físico. O ponto ótimo vai depender de sua habilidade em aproveitar as oportunidades. Embora o mercado internacional possa subir mais, há de se olhar atentamente a trajetória do dólar. Alguns economistas tupiniquins acreditam que o dólar pode se desvalorizar em relação ao real até 1,6500 o que seria traumático para os produtores de commodities, mas, no caso específico do açúcar, a paridade com o mercado interno pressionaria os preços internacionais a patamares mais elevados.

Então seria bom para as usinas esperar antes de começar a fixar preços para a safra 2011/2012? Bem, dentro da filosofia que ninguém quebra com dinheiro no bolso, acredito que as usinas
devam aproveitar o momento e ir fixando aos poucos, ou mesmo aproveitando e fazer uma fence comprando uma put (opção de venda) e vendendo uma call (opção de compra), nunca se esquecendo de fazer o hedge do câmbio também.

 Enquanto isso, os consumidores finais coçam a cabeça. Em situações de pânico vendedores vendem na baixa e compradores compram na alta. Muitos consumidores acreditaram na Fada do Dente e foram mordidos por ela. Aqui no Brasil também. ESALQ namorou os R$40,00 e iludiu os consumidores industriais que achavam que ia mais pra baixo. Agora chega a R$ 52,00 enquanto o modelo da Archer Consulting aponta para R$ 60,00. Sai de baixo que vem chumbo aí.

 Em abril passado, na apresentação que fizemos na BM&F Bovespa sobre as perspectivas do setor, apontamos que o etanol teria forçosamente que manter sua paridade com o açúcar de exportação senão poderia haver falta do produto. Os preços ainda estão distantes da paridade, até mesmo devido ao descompasso da demanda açucareira de curto prazo. Mas o que chama a atenção é um recente estudo feito pela Archer Consulting, encomendado por um cliente (que
nos autorizou a divulgação), mostrando que a correlação entre açúcar NY e etanol hidratado tem um r2 (coeficiente de determinação que mostra a qualidade da correlação) de 0,8485.

Quanto mais próximo de 1, melhor é a correlação dos dados, ou seja, podemos dizer que a variação do etanol é explicada em 84,85% pela variação do açúcar. Há 15 meses era nenhuma!!
 Ainda não dá a paridade de importação de etanol de milho americano. Pela cotação atual, segundo um executivo de setor, o etanol americano chegaria a São Paulo R$ 0,18 por litro mais caro que o etanol de cana. Mas, tivéssemos feito essa conta há apenas 20 dias, empatava.

Baseado no fechamento de sexta-feira, e assumindo zero de prêmio no físico o preço líquido de venda na usina equivale a R$ 33,31 por saca de 50 kg comparado com o custo de produção de R$ 27,20, ou seja, uma margem de 22,46% antes do custo financeiro. Nada mal. No Fundo Fictício da Archer Consulting, liquidamos a posição comprada de 501 lotes do março, na abertura de terça-feira, vendendo a 20,33. Depois, tivemos que ajustar a posição na quinta-feira comprando 200 lotes a 21,20. Fechamos a semana vendidos no delta em 67 lotes. O próximo nível de ajuste é 22,46 (compra) ou 20,17 (venda). O patrimônio do fundo está em US$ 5.838.853,72 depois do prejuízo na semana de US$ 132.245,34, colocando nosso retorno anualizado em 212,10%.
Fonte: Archer Consulting

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