Açúcar: Remédio para memória

Publicado em 06/06/2011 08:48 916 exibições
Comentário Semanal – de 30 de maio a 03 de junho de 2011.
O mercado de açúcar em NY fechou a semana em alta em todos os meses de negociação. O julho/2011, primeiro mês da tela, encerrou a semana cotado a 23,95 centavos de dólar por libra-peso, uma valorização de 96 pontos na semana, equivalentes a 21 dólares por tonelada. Os demais vencimentos fecharam com altas entre 9 e 16,50 dólares por tonelada. O principal motivo dessa melhora é a suspeita de que a safra no Centro Sul do Brasil será menor do que se esperava.

O modelo desenvolvido pela Archer Consulting apurou que o total de fixações para a safra 2011/2012 está entre 18,032 e 19,600 milhões de toneladas, com um preço médio de 23,73 centavos de dólar por libra-peso. Se estimarmos as exportações brasileiras em 26 milhões de toneladas, estamos falando numa fixação entre 69,4% e 75,4% do volume total. Há um ano o mercado estava fixado entre 12 e 15 milhões de toneladas.

Cada dia surge um novo número de superávit de produção mundial para 2011/2012 publicado por gente ligada ao setor. São seis, dez, doze, quatorze milhões, etc. Tudo indica que a palavra foi dada e todos entenderam a mensagem e o mercado parece também ter absorvido os números, mesmo que olhando com incredulidade ou surpresa. Só para lembrar: em 2006/2007 e 2007/2008 tivemos dois superávits seguidos de 8 milhões de toneladas cada um. Os preços negociaram entre 8,37 e 17,25 centavos de dólar por libra-peso, com média de 11,26 centavos de dólar por libra-peso no período. Alguns anos depois, os principais traders procederam com ajustes estatísticos e retrocederam os respectivos superávits para 4 e 5 milhões de toneladas. Ou seja, houve um consumo adicional não registrado de “apenas” 7 milhões de toneladas. Portanto, muito cuidado, pois a falta de memória pode trazer danos irreversíveis ao seu fluxo de caixa, se você entende o que quero dizer.

O CFO de uma das principais empresas do setor não acredita que podemos chegar à safra 2017/2018 com uma moagem de 1 bilhão de toneladas de cana necessária para atender à demanda potencial de açúcar e etanol, nos mercados interno e externo. Falta dinheiro, falta terra, falta pessoal qualificado entre outros tantos gargalos. Isso quer dizer o seguinte: tudo o mais inalterado, não tem como não ser construtivo nesse mercado. Precisaríamos de mudanças estruturais de peso no mercado de combustível para diminuir o impacto que haverá sobre os preços tendo em vista a não disponibilidade de etanol no volume potencial necessário.

Por outro lado, o fato do açúcar e do etanol disputarem a cana e este último ter seu preço determinado pelo preço da gasolina, pode coibir o aumento de produção de cana se a média de preços do mix de produção não satisfizer o plano de negócios de possíveis investidores. Ou seja, se não der resultado e não houver transparência e segurança jurídica ninguém de fora vai colocar dinheiro novo no setor. Assim, pelos cálculos preliminares do modelo desenvolvido pela Archer Consulting, considerando os valores atuais da gasolina, o açúcar em NY precisaria negociar entre 25,79 e 27,33 centavos de dólar por libra-peso na média dos quatro meses da tela, para atrair os investimentos no setor necessários para atender à demanda potencial.

Operadores do mercado físico acreditam que a demanda de açúcar para julho será bastante firme em função da percepção de que haverá atrasos na moagem. Se isso for correto, os prêmios deverão apreciar antes de NY subir. Portanto, se você está negociando seu contrato comercial fique de olho nos prêmios.

O volume de etanol na BM&F Bovespa continua crescente. O total de contratos em aberto em futuros e opções está em torno de 13.500, o que é um número expressivo para um contrato que acabou de completar um ano de existência e ainda tem que lidar com as restrições impostas pela falta de transparência do preço da gasolina controlado pelo governo. 13.500 lotes equivalem a pouco mais de 400 milhões de litros, ou seja, o consumo brasileiro de hidratado de apenas 10 dias. É pouco, a gente sabe, mas vai crescer.

Uma coisa chama à atenção: a oferta e demanda do etanol deverá, no nosso entendimento, sofrer um desequilíbrio na entressafra. No entanto, a curva de preços no mercado futuro da BM&F Bovespa está no custo e carrego (quando os preços nos vencimentos mais longos estão mais altos do que os preços nos vencimentos mais curtos), característica dos mercados com oferta e demanda equilibradas. Acreditamos que a curva a partir do vencimento dezembro/2011, vai começar a inverter tão logo se perceba que a oferta de etanol uma vez mais não será suficiente. Fique esperto: não gostaria de ficar vendido a descoberto em nenhum desses vencimentos.

Bom para investir: quem comprou etanol baseado na cotação de julho/2011 e vendeu baseado na cotação de março/2012, ambos na BM&F Bovespa, travou uma rentabilidade de 22% ao ano. Não fosse o IOF estúpido que o governo cobra nas operações de bolsa para os estrangeiros, estaria aí uma excelente oportunidade para os fundos.

O Fundo Fictício da Archer Consulting fechou a semana com prejuízo de US$ 360,872.75 trazendo o total do portfolio para US$ 7,490,245.50 nos 883 dias do fundo, com rendimento médio anualizado de 142,24%. Nosso delta é de 231 lotes vendidos e vamos ajustar a posição quando atingir 250 lotes.

Fonte:
Archer Consulting

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